quinta-feira, 5 de março de 2009

Santo André devasta área preservada


Canteiro da praça 4º Centenário, onde fica o Paço de Santo André: área protegida pelo Condephaat. Foto: Luciano Vicioni.
Qualquer obra na praça 4º Centenário tem de ter autorização do Condephaat
Sem o consentimento do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), a Prefeitura de Santo André derrubou árvores e arbustos dos jardins do Paço Municipal, que está em estudo para tombamento. A retirada da vegetação foi realizada durante o feriado de Carnaval.
Toda a área da praça 4º Centenário, sobre a qual estão os prédios da Prefeitura, Câmara, Fórum e Teatro Municipal, está protegida judicialmente pelo Condephaat. “O projeto ainda não foi aprovado pelo conselho, pois uma análise da proposta, realizada por técnicos da Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico da Secretaria de Estado da Cultura, demonstrou serem necessários maiores detalhes”, informou o Condephaat por meio de nota.
Ainda de acordo com informações do órgão de defesa do patrimônio, no início de fevereiro a Prefeitura de Santo André enviou ao conselho um pedido de modificação paisagística. Porém, até o momento, a solicitação não foi viabilizada, pois é necessário que a Administração apresente o detalhamento do novo projeto. O Condephaat ainda não está a par das atitudes tomadas durante o Carnaval. Contudo, a entidade informou que “em caso deste tipo de infração, o Conselho deverá se reunir para deliberar a respeito”. O detalhamento do projeto foi pedido à Administração por meio do oficio UPPH/GT – 150/09 P. Condephaat 34.982/96. A Prefeitura não se pronunciou sobre o assunto.
A retirada da vegetação do Paço Municipal faz parte do projeto de mudança do paisagismo da cidade, anunciada pelo prefeito Aidan Ravin (PTB) no dia 18 deste mês. De acordo com ele, o objetivo é remodelar a paisagem urbana com a retirada de arbustos e plantas de médio porte para ceder espaço para vegetação rasteira, principalmente grama. Na ocasião, o prefeito afirmou que as ações integrarão grande parte da área verde do município e que a intervenção não trará custos para os cofres públicos.
Crime ambiental - A retirada de vegetação do Paço Municipal desagradou ambientalistas da Associação Amigos do Parque Central, que denunciaram a ação na última quarta-feira (25/02) ao Ministério Público. De acordo com o presidente da instituição, José Carlos Vieira, Aidan foi “oportunista ao modificar o paisagismo do Paço no período de Carnaval”. “Foram dias em que a cidade estava quase vazia. Assim, poucas pessoas puderam acompanhar esse crime ambiental”, criticou. Vieira afirmou que a denúncia também será encaminhada à Polícia Ambiental..
Ao Ministério Público, Vieira também levou a informação do corte de uma árvore da espécie pau-brasil, que consta da relação do Ibama como espécie ameaçada de extinção (leia reportagem nesta página). “Vários crimes ambientais foram cometidos. Nosso receio é que as mesmas faltas sejam levadas para os parques da cidade”, argumentou. Na gestão passada, a Associação plantou mais de mil mudas de árvores nativas no Parque Central, como lembrou o ambientalista. “Foi uma ação conjunta com a Prefeitura. Agora temos receio do que há por vir.”
Pau-brasil está na lista de plantas em extinção
Protegida por lei e com atenção especial do Ministério da Agricultura, o pau-brasil (Caesalpinia Echinata Lam) possui até mesmo uma data comemorativa. A lei federal nº 6.607 de 07 de dezembro de 1978, declara a espécie árvore nacional e institui o Dia do Pau Brasil: 3 de maio. A planta também se encontra em uma extensa lista sobre a flora brasileira ameaçada de extinção feita pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais).
“É uma árvore protegida pela legislação. Qualquer atitude de poda deve ser baseada em um estudo técnico para o replantio da espécie”, explicou o ambientalista Fábio Vital, que também integra o Conselho de Políticas Urbanas de Santo André. Ao ser notificado sobre a mudança no paisagismo da praça 4º Centenário, Vital informou que levará a questão para ser discutida na próxima reunião do conselho, dia 12 de março.
Ele pontuou também que durante a gestão passada, o município “foi exemplo de preservação de meio ambiente”. “Pesquisadores vinham de outras cidades para estudar o projeto que estava sendo desenvolvido em Santo André. A intenção dos técnicos ambientais da Prefeitura era uma cidade botânica”, explicou. “Não se pode podar a vegetação sem um projeto específico. Antes de cortar uma árvore, é preciso estudar a possibilidade de remanejá-la para outro local”, opinou.
Por: Renan Fonseca (renan@abcdmaior.com.br)

terça-feira, 3 de março de 2009

MP pede reparação de área devastada


Por: Renan Fonseca (renan@abcdmail.com.br)
Ofício enviado à Prefeitura de Sto.André solicita ainda esclarecimentos sobre modificações no paisagismo do Paço
A prefeitura de Santo André ainda não respondeu ao ofício expedido pelo promotor de Justiça do Meio Ambiente, José Luiz Saicali. O documento exige esclarecimentos sobre a retirada de vegetação do Paço Municipal realizada nos dias 22 e 23 de fevereiro, feriados de Carnaval. A Prefeitura tem até o próximo dia 19/03, já que o papel foi enviado na tarde do dia 26/02 e o prazo para o pronunciamento é de 15 dias úteis.
De acordo com Saicali, além de esclarecimentos, o oficio requere ações que possam reparar os erros cometidos durante o remodelamento do paisagismo da Praça 4º Centenário. A denúncia foi entregue ao promotor pelos ambientalistas da Associação Amigos do Parque Central, que acompanharam os trabalhos dos funcionários da Prefeitura.
Inquérito – O mesmo caso também é alvo de inquérito que está sendo apurado pelo 1º Distrito Policial do município. A denúncia foi encaminhada pela Polícia Ambiental, que constatou que as ações da administração foram feitas sem licença ambiental, conforme informou o ABCD MAIOR no dia 27/02.
De acordo com o delegado assistente Marcio Antônio Pereira Macedo, o inquérito ainda está no início e deve demorar a ser concluído. Caso seja confirmado os crimes ambientais, os laudos do inquérito serão encaminhados ao Ministério Público, que julgará a sentença. A prefeitura não comentou o assunto até o fechamento desta edição.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Pitangueira


Este filme mostra uma pitangueira sendo retirada sem o torrão e depois sofrendo uma poda drástica.Perguntamos: Qual foi o seu crime para ser tratada deste jeito?Oferecer sombra as pessoas e alimentar aos pássaros.A natureza é mesmo uma mãe os senhores não acham?

Novas fotos da destruição no Paço Municipal


Vários caminhões retiraram o solo fértil, agora estão trazendo a terra de volta.Quem está pagando essa conta?

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Polícia Ambiental autua Prefeitura de Sto.André


Por: Renan Fonseca (renan@abcdmail.com.br)


Canteiro sem vegetação da praça 4º Centenário, onde fica a Prefeitura de Santo André. Foto: Luciano Vicioni.
Inquérito policial vai apurar corte e remoção de vegetação do Paço Municipal e determinar sanções
A Prefeitura de Santo André cortou e removeu e vegetação nativa e exótica da praça 4º Centenário, onde fica o Paço Municipal, sem licença. A afirmação é da Polícia Ambiental, que flagrou a ação da Administração nos dias 22 e 23 de fevereiro e levou o caso para o 1º Distrito Policial do município, onde registrou um boletim de ocorrência. O documento será encaminhado para o MP (Ministério Público). A Prefeitura de Santo André não se pronunciou sobre o caso.
De acordo com a comandante do pelotão ambiental do ABCD, Paola Wohnrath Mele, no ato da autuação, a Administração apresentou uma licença expedida pelo Semasa (Saneamento Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), autarquia da Prefeitura, datada de 25/02. “Mas a retirada da vegetação foi feita no domingo e na segunda-feira (22 e 23/02). Portanto, o documento não tem validade”, afirmou a policial. Os crimes promovidos pela Prefeitura ferem a Lei de Crimes Ambientais, 9.605/98, como explicou Paola.
A responsável pelo pelotão ambiental da Região informou ainda que a autuação está baseada no artigo 49 da lei. A legislação rege que é crime “destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia”.
A pena para estes tipos de caso é “detenção, de três meses a um ano, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. No crime culposo (sem intenção), a pena é de um a seis meses, ou multa”. O comando policial informou ainda que o inquérito irá apontar a possibilidade de alguma autoridade da Prefeitura ser penalizada.
Nos próximos dias, um inquérito policial será aberto para apurar os fatos e determinar as sanções para a Prefeitura. A comandante também confirmou a poda de um exemplar de pau-brasil. “A perícia está estudando a poda para sabermos se foi um corte drástico ou se foi feito com a finalidade de salvar a planta. Neste caso, a árvore deveria apresentar desgastes antes da poda”, ressaltou Paola.
Repercussão - Já são duas denúncias contra a administração do prefeito Aidan Ravin (PTB) desde que deu início ao projeto de remodelação do paisagismo da praça 4º Centenário. Toda a ação foi realizada durante o feriado de Carnaval. Além do policiamento ambiental, ambientalistas da Associação Amigos do Parque Central registraram denúncia no Ministério Público.
O promotor de Justiça do Meio Ambiente, José Luiz Saicali, encaminhou ofício à Prefeitura pedindo esclarecimentos sobre o caso. Entretanto, até a tarde desta sexta-feira (27/02), a Administração não havia respondido ao promotor.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Frase da Semana

"Bom caráter é para ser mais enaltecido do que talento extraordinário. A maioria dos talentos é de uma certa forma um dom. Bom caráter, em contraste, não nos é dado. Temos que construi-lo peça por peça... por pensamentos, escolhas, coragem, e determinação."
( John Luther )

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Grumixama


Nome científico: Eugenia brasiliensis
Família: Mirtáceas
Nome comum: grumixameira, grumixaba
Origem: Brasil – Mata Pluvial Atlântica
Descrição e característica da planta: a grumixameira ocorre naturalmente do sul do estado da Bahia ao estado de Santa Catarina na mata pluvial atlântica. Embora tenha um crescimento rápido no início, demanda muitos anos para que se torne uma árvore de maior porte.
A planta é perene (sobrevive por muitos anos) e pode alcançar até 20 metros de altura. O seu tronco apresenta áreas mescladas de tonalidades marrom, devido a permanente troca de casca. Essa característica é comum em muitas espécies da família das Mirtáceas, como a goiabeira, a jabuticabeira e o cambucazeiro. As folhas são duras, coriáceas, mais longas (6 a 9 centímetros de comprimento) que a largura (3 a 5 centímetros), verdes e brilhantes. As flores brancas são hermafroditas (têm os dois sexos na mesma flor), autoférteis e emitidas na base das folhas com os ramos (axilares). Os frutos apresentam um longo pedúnculo (cabo) são verdes quando novos e depois, dependendo da variedade, a cor torna-se vermelha-escura (quase preta), amarela ou roxa, quando amadurecem. O seu formato é alongado e na extremidade apical nota-se presença de restos da estrutura floral (sépalas) presos e permanentes. A polpa é viscosa, pegajosa, adocicada e muito saborosa. As condições favoráveis ao desenvolvimento da planta são: temperaturas amenas a quentes, boa disponibilidade de água durante o ano e solos com boa capacidade de drenagem, ricos em matéria orgânica e com boa fertilidade. A propagação é feita através de sementes, mas, em plantações comerciais, o mais desejável seria a enxertia em mudas da própria grumixama. Isso permite obter plantas mais uniformes e frutos semelhantes à planta matriz.
Produção e produtividade: como as plantas são cultivadas nos fundos de quintais e nas chácaras, não existem dados sobre a produtividade. Contudo, nota-se que as plantas produzem grande quantidade de frutos todos os anos.
Utilidade: os frutos são comestíveis e muito apreciados ao natural, mas podem ser usados no preparo de vinhos, licores e doces. Muitas espécies de aves, insetos e outros animais se alimentam dessa fruta. A planta é indicada para arborização de ruas, parques, praças e jardins, para compor o aspecto paisagístico e para atrair os pássaros.
Enviado por Dicionário inFormal (SP)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Saem arbustos e vegetação de médio porte e volta a grama, de manutenção mais cara


O prefeito Aidan Ravin (PTB) anunciou nesta quarta-feira (18/02) uma mudança radical no paisagismo de Santo André: a troca dos canteiros com arbustos e plantas de médio porte por grama. O remanejamento de árvores também está previsto. Beleza e mudança de marca do governo anterior são os motivos apresentados por Aidan para a mudança.
Máquinas e mão-de-obra de funcionários públicos estão sendo usados para a empreitada, que já começou nos canteiros da avenida Prestes Maia, próximo à Fundação Santo André. O prefeito afirmou que a ação não “custará nada” aos cofres públicos. “O investimento é zero, pois essa reestruturação paisagística já faz parte do plano de manutenção da cidade”, disse o secretário de Obras e Serviços Públicos, Alberto Casalinho.
Sobre os canteiros em reforma na Prestes Maia, o prefeito afirmou que várias árvores serão retiradas para dar lugar à grama. “Olhando assim, parece que está tudo em desordem. Vamos colocar um tapete verde para destacar melhor a paisagem”, ressaltou.
As plantas, de acordo com o Aidan, serão remanejadas para outros lugares do município. “Vamos tirar algumas plantas e colocar um tapete de grama para dar um descanso visual para quem passa. Se a pessoa vê apenas um monte de mato pode até ficar irritado”, alegou. Uma das principais intenções de Aidan com as atividades é apresentar uma mudança de governo. “Todo governo tem uma característica diferente. Eu prefiro que seja feito dessa forma. E já é um dedinho da mudança de administração”, confirmou.
Mais custos - O paisagista Hugo Biagi explica que o manejo com gramíneas é mais oneroso que as plantas de grande porte. “A grama tem de ser podada constantemente. Num período médio de dois anos, o valor da manutenção é maior que o investido no projeto”, informou. “Outra coisa a ser observada é a questão do meio ambiente. Todas as cidades precisam de mais árvores e áreas verdes. Por isso, trocar plantas de grande e médio porte por gramíneas não é viável”, apontou Biagi.
Por: Renan Fonseca - ABCD Maior

Prefeitura vai remodelar paisagismo da cidade

Vanessa Fajardo
Do Diário do Grande ABC
A Prefeitura de Santo André vai mudar o projeto paisagístico da cidade que passará a ser composto predominantemente por espécies de plantas rasteiras.
A promessa do secretário de Obras e Serviços Públicos, Alberto Rodrigues Casalinho, é de que, em até 60 dias, os principais corredores da cidade sejam contemplados com o novo modelo de vegetação. "Com o tempo, a ideia é chegar nos bairros." O objetivo é estabelecer um equilíbrio ambiental e melhorar a visibilidade.
A novidade começou nas avenidas Prestes Maia, altura da Fundação Santo André, e Giovanni Batista Pirelli, onde é possível observar uma vegetação mais baixa.
Ontem, o prefeito Aidan Ravin (PTB) vistoriou as obras acompanhado por secretários. "Vamos mudar a cara de Santo André. Ao manter plantas mais rasteiras nos canteiros centrais, motoristas não terão medo de parar em um cruzamento, por exemplo, e haverá mais espaços para passeios e lazer."
Os parques também terão gramados recuperados. O secretário de Obras, Alberto Casalinho, explicou que o novo paisagismo será feito com recursos próprios do Departamento de Parques e Áreas Verdes. As plantas virão do viveiro municipal que produz mais de 350 mil mudas a cada três meses.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Incêndios mataram um milhão de animais na Austrália

13/2/2009

Além de provocar a morte de pelo menos 180 pessoas, os incêndios que atingiram o sul da Austrália causaram uma grande devastação na fauna e na flora da região.


Coala fêmea, batizada de Sam, foi resgatado enquanto fugia do fogo, por um bombeiro que trabalhava durante incêndio na Austrália
Segundo o Resgate de Vida Selvagem do Estado de Victoria, estima-se que pelo menos um milhão de animais morreram na tragédia.
Entre as vítimas estavam animais de criação, como ovelhas, gado e cavalos; de estimação, como cães e gatos; e espécies nativas, como répteis, cangurus, coalas, gambás, wombats, equidnas.
Muitos moradores tiveram que fugir às pressas de suas casas e deixar seus animais de estimação para trás. Os serviços de emergência conseguiram resgatar alguns animais, muitos deles feridos e com queimaduras.
Aqueles com fraturas mais graves e praticamente incuráveis foram abatidos, segundo o grupo de resgate de Victoria.
Mais de 400 mil hectares de florestas foram queimados pelas chamas que chegaram a passar a 120 quilômetros por hora.
Alguns animais conseguiram escapar escondidos em buracos na terra feito por wombats e equidnas. "Só vamos realmente saber a dimensão dos estragos na vida selvagem quando conseguirmos acesso a todas as áreas atingidas", complementou ela. "Essa é a esperança que temos", disse Fiona Corked, do Resgate de Vida Selvagem de Victoria.
"Em alguns momentos, a força do fogo foi tão devastadora que mesmo cangurus (que podem chegar a velocidade de 60 quilômetros por hora), não conseguiram escapar correndo", disse o serviço de emergência de Victoria ao jornal The Times.
No final dessa semana, equipes de resgate usarão helicópteros para procurar por mais sobreviventes entre os animais. Estes serão levados a santuários e a zoológicos. Assim que se recuperarem, serão devolvidos ao seu habitat natural.

Incêndios continuam
No quinto dia de incêndios, as equipes de resgate ainda não conseguiram conter o fogo. Ainda há cerca de 20 focos espalhados ao norte de Melbourne.
Ao menos cinco municípios rurais foram destruídos quase por completo. Mais de sete mil pessoas estão em abrigos temporários e recebendo doações que chegam de várias partes do país às áreas atingidas.
Fonte: iG ùltimo Segundo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Coruja-buraqueira


A coruja-buraqueira possui este nome pois vive em buracos cavados no solo. Embora seja capaz de cavar sua própria cova, vivem nos buracos abandonados de tatus, cachorro de pradaria e tocas de outros animais. De porte pequeno, a Coruja-buraqueira possui uma cabeça redonda, tem sobrancelhas brancas, olhos amarelos, e pernas longas. Ao contrário a maioria das corujas o macho é ligeiramente maior que a fêmea e as fêmeas são normalmente mais escuras que os machos. É uma ave tímida, por isso, vive em lugares sossegados. Durante o dia ela cochila em seu ninho ou toma sol nos galhos de árvores. Possui uma visão 100 vezes mais penetrante que a visão humana e uma ótima audição. Tem vôo suave e silencioso.
Para enxergar alguma coisa ao seu lado ela tem que virar a cabeça, pois seus grandes olhos estão dispostos lado a lado, num mesmo plano. Por alimentar-se de insetos, é muito útil ao homem, beneficiando-o na agricultura. Come pequenos roedores (ratos), insetos e cobras. A coruja buraqueira anda sem destino enquanto caça, e depois de pegar sua presa vai para um puleiro, como uma cerca ou pousa no próprio solo. São aves principalmente crepusculares (ativo ao entardecer e amanhecer), mas caçará, se preciso, ao longo de 24 horas.
A reprodução da coruja-buraqueira começa entre março ou abril. Ela faz seu ninho em buracos no solo, aproveitando antigas tocas de tatu ou de outros animais. O casal se revezando, alarga o buraco, cava uma galeria horizontal usando os pés e o bico e por fim forra a cavidade do ninho com capim seco. As covas possuem, em torno de 1,5 a 3 m de profundidade e 30 a 90 cm de largura. Ao redor acumula estrume e se alimenta dos insetos atraídos pelo cheiro. Botam, em média de 6 a 11 ovos; o número mais comum é de 7 a 9 ovos. A Incubação dura de 28 a 30 dias e é executada somente pela fêmea. Enquanto a fêmea bota os ovos, o macho providencia a alimentação e a proteção para os futuros filhotes. Os cuidados da cria, enquanto ainda estão no ninho são tarefa do macho. Quando os filhotes estão com 14 dias podem ser vistos empoleirando a entrada da cova, esperando pelos adultos e pela comida. Os filhotes saem do ninho com aproximadamente 44 dias e começam a caçar insetos quando estão com 49 a 56 dias.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Quaresmeira e o Manacá no Parque Central




A quaresmeira e o manacá são plantas conhecidas da Mata Atlântica e disseminadas por todo o Brasil. Nativas, pertencem à família botânica Melastomataceae, que reúne muitas espécies, nas quais se incluem desde pequenas ervas até árvores de pequeno e médio porte. Todas elas com características comuns de fácil identificação, como folhas e flores semelhantes em forma e coloração. São vegetais de relativa rusticidade, que se adaptam bem aos solos pobres, sendo por isso recomendáveis para o povoamento de áreas devastadas, entretanto, reagem com vigor ao fornecimento de matéria orgânica. Possuem considerável valor ornamental, podendo ser usadas em maciços ou isoladamente na composição de jardins.
São popularmente conhecidas: as quaresmeiras roxa e rosa (Tibouchina granulosa) e o manacá da serra (Tibouchina mutabilis).
O manacá diferencia-se das quaresmeiras principalmente pela coloração das flores, que ao abrirem são brancas, no dia seguinte ficam de cor lilás e no terceiro dia tornam-se roxo-violáceas. Já as quaresmeiras têm o centro da flor branco e este fica avermelhado depois de visitada pelo inseto que a poliniza. A quaresmeira rosa foi conseguida através de mutações.
É no período da quaresma que muitas mostram sua beleza com exuberância florada, daí a origem de seu nome popular. Porém em outras épocas do ano é possível encontrar sempre uma ou outra quaresmeira em flor, proporcionando um verdadeiro show natural que deve ser respeitado e conservado.
texto: Secr.Meio Ambiente e Desenv.Sustentável-Petrópolis

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ser humano depende de 40.000 espécies

29/1/2009

Armando Levy

São Paulo, SP - No próximo dia 12 de fevereiro, o Instituto Sangari lança o livro "Charles Darwin, em um futuro não tão distante", organizado pelos professores e pesquisadores Maria Isabel Landim e Cristiano Rangel Moreira. O lançamento marca o bicentenário do nascimento do grande naturalista inglês e os 150 anos da primeira edição do livro "A Origem das Espécies", onde Darwin desvendou as complexidades da seleção natural como motor do desenvolvimento das espécies no mundo.
Segundo Landim e Moreira, há aspectos da teoria de Darwin ainda pouco considerados, que dizem respeito à importância da diversidade como fator de sobrevivência das espécies:
"Darwin assinalou que as espécies mais diversas ampliam suas chances de sobrevivência em meio a ambientes diversos, o que nos coloca frente a questões importantes no que diz respeito à própria sobrevivência do ser humano em um mundo que muda velozmente", comentam.
De acordo com a Organização das Nações Unidas, a espécie humana depende diretamente de cerca de 40.000 espécies, seja para uso alimentar como para vestuário, higiene e até saúde:
"O que vai acontecer com o ser humano quando a diversidade na qual ele sustenta sua existência deixar de existir em função da destruição acelerada de espécies que vivenciamos hoje em dia? A resposta a esta questão pode significar a curta longevidade do ser humano", explica Landim.
Landim e Moreira assinalam que o princípio da divergência que mostra que a diversidade prepara melhor as espécies para diferentes ambientes, leva-nos a pensar sobre a própria diversidade dentro da espécie humana:
"Quando diz que o ambiente poderá suportar um número maior de indivíduos de uma mesma espécie se esses diversificarem seus hábitos, parece que Darwin está mesmo querendo participar do debate contemporâneo sobre a crise ambiental e cultural que vivemos", comentam.

Lançamento de livro marca os 200 anos de Darwin

O livro é o resultado de palestras proferidas por renomados pesquisadores durante a apresentação da exposição Darwin, realizada no Brasil pelo Instituto Sangari em parceira com o American Museum of Natural History (AMNH), um dos maiores museus de história natural do mundo.
O Instituto Sangari - É uma organização sem fins lucrativos, fundada pela Sangari Brasil, em 2003, com a missão de disseminar o conhecimento e a cultura científica. Em apenas seis anos de existência, as ações do Instituto já envolveram mais de 800 mil pessoas - em sua maioria, crianças e jovens - que tiveram a chance de despertar o interesse e curiosidade em diversos temas relacionados com a cultura científica.
Serviço - A mostra sobre Darwin promovida pelo Instituto Sangari continuará a circular por várias cidades brasileiras em 2009. O lançamento do livro acontece no próximo dia 12/02/2009, na Livraria da Travessa, no Leblon Shopping, no Rio de Janeiro; e no dia 17/02/2009 na Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, em São Paulo.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Lei impede construção nas margens

Isis Mastromano
Do Diário do Grande ABC

Todas as margens de cursos d'' água no Brasil são consideradas APPs (Áreas de Preservação Permanente) e vem da várzea do Tamanduateí, um dos maiores exemplos de transgressão da mais antiga lei nacional que trata sobre o entorno dos rios.
O Código Florestal, de 1965, é claro: é função do poder público municipal fazer valer a lei, fiscalizar e proteger as margens dos corpos d''água.
O Tamanduateí tem garantido, pelo Código Florestal, faixas que deveriam ser intocadas, onde construções só poderiam ser erguidas a 30 ou 50 metros de distância das margens.
Com a lei virtualmente engavetada, aquilo que deveria ser preservado foi dado para livre uso à iniciativa privada, com o aval das Prefeituras.
Além do setor industrial, os terrenos também foram loteados para residências e estabelecimentos comerciais, sem contar com as ocupações irregulares que se instalaram ao longo do rio.
O geógrafo e ex-supervisor do DEPRN (Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais), Marcio Ackermann, defende que as Prefeituras façam com urgência um diagnóstico de uso e ocupação do solo nas APPs do Tamanduateí.
"Um procedimento necessário para recuperar o rio, é cadastrar e mapear essas APPs ocupadas por setores produtivos em geral, pois as empresas têm fluxo de caixa, têm condições de fazer um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) e, por lei, contribuir no reflorestamento das margens", avalia Ackermann, que é especialista em habitações precárias em APPs e produziu um trabalho de mestrado pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) da Universidade de São Paulo sobre o tema.
Hoje, a Recap (Refinaria de Capuava) recupera parte das águas, mas, para benefício único das empresas do Pólo Petroquímico que reutilizam uma porção do Tamanduateí em suas atividades internas.
O bom exemplo de aplicação do Código Florestal vem da zona rural de São Paulo, onde todos os usineiros de cana firmaram um TAC e têm de tirar a cana das margens dos cursos d''água e reflorestá-las.
Fundo estadual repassa R$ 1 milhão ao rio
Além da fiscalização deficitária, ações em benefício do rio vindas do poder público e de entidades civis têm caminhado a passos lentos. Como nenhum projeto apresentado em 2007 para o rio emplacou, o recurso repassado pela Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos) ao Tamannduateí ficou acumulado e, mesmo assim, o montante de 2007 e 2008 não passou de R$ 1 milhão.
A secretária-executiva do Subcomitê Billings-Tamanduateí, Márcia Maria Nascimento, disse que o dinheiro deve ser utilizado em educação ambiental, conforme projetos aprovados pelo Comitê da Bacia do Alto Tietê.
Sem data definida, o subcomitê que cuida do Tamanduateí será reformulado este ano, mas ainda não há data definida para a eleição dos novos membros. A presidência do sub-comitê é atualmente ocupada pela Prefeitura de Diadema.
É o Comitê do Alto Tietê que aprova a utilização do dinheiro vindo da Fehidro. Prefeituras, Estado e entidades civis podem utilizar o recurso desde que tenham seu plano de recuperação do rio aprovado.
A verba repassada pelo Fehidro é proveniente de royalties (compensação financeira devida ao Estado pelas empresas) pela utilização dos recursos hídricos. Todo comitê de bacia recebe uma parcela dos royalties.
Ontem, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente informou que está analisando os planos das 19 bacias hidrográficas paulistas entregues no final de 2008.
Enquanto os projetos não saem do papel, São Caetano promete criar um Pelotão Ambiental da Guarda Civil Municipal para intensificar a fiscalização no Tamanduateí. A Prefeitura de Mauá e o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) não informaram planos para melhoraria da fiscalização.
A reportagem procurou os deputados estaduais da região para comentar possíveis ações de proteção ao rio, mas nenhum foi localizado.

domingo, 18 de janeiro de 2009


Arborização funciona como um gigantesco aparelho de ar condicionado natural na cidade.
Fonte Agência USP de notícias

Por Julio Bernardes
São Paulo - Pesquisa feita em três regiões da cidade de São Paulo comprova que a vegetação urbana reduz a necessidade de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado para manter o conforto térmico em residências, podendo reduzir o consumo de energia elétrica.
O trabalho foi apresentado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba, pela engenheira agrônoma Giuliana Del Nero Velasco, que sugere o plantio de árvores de grande porte no sistema viário para ampliar a redução de temperatura obtida com a cobertura vegetal.
O trabalho analisou áreas com diferentes densidades de vegetação na Zona Sul da cidade, a primeira com 3,72% de cobertura verde, a segunda com 11,71% e a terceira com 33,92%. "Os locais foram escolhidos por geoprocessamento, a partir das imagens de alta resolução do satélite Ikonos II", explica Giuliana.
"Após a aplicação do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) e análise de mapas de clima já existentes, foi feito um levantamento de campo para confirmar os dados do sensoriamento remoto e definida uma amostragem de 100 residências em cada área".
No mês mais quente medido pela pesquisa (março), a área com menor vegetação apresentou 10 graus-hora de calor por dia, contra 3,91 graus-hora de calor da região com maior cobertura vegetal. "Isto mostra que o local com menos cobertura arbórea possui uma necessidade maior de refrigeração aritificial", ressalta Giuliana, acrescentando que a temperatura às 9 horas chegou a ser 2,14 graus maior que a região mais arborizada. "Nessa área, a média de temperatura foi menor, o que resultou em um valor mais baixo de graus-hora de calor".
"Com esses números, ainda não é possível estabelecer uma relação mais direta entre cobertura vegetal e consumo de energia, pois isso depende de outros fatores, como os hábitos de cada morador, a presença ou não dos aparelhos", explica a agrônoma. "Mas o estudo deixa claro que a vegetação reduz a necessidade de se obter conforto térmico de forma artificial".
Giuliana recomenda a ampliação do plantio de árvores de grande porte nas calçadas.
Segundo a engenheira agrônoma, os benefícios serão maiores com o plantio de espécies de grande porte e não de arbustos. "Além de reduzir a temperatura, elas retêm poluentes, absorvem gás carbônico e reduzem o impacto das chuvas em maior escala, pois possuem copa e estrutura para isso", ressalta. "O impacto das árvores na rede elétrica pode ser reduzido com o uso de fiação compacta, que não implica em aumento de custos e evitam podas em excesso".Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sem chuva da Amazônia, SP vira deserto


13/1/2009

São Paulo tem vocação natural para deserto. Só não é terra seca porque existem os Andes e a amazônia. “Os Andes não vão sair de lá, a não ser que aconteça um cataclisma. Mas destruir a amazônia para avançar a fronteira agrícola é dar um tiro no pé do agronegócio.” O agrônomo Antonio Nobre, 50 anos, 22 deles vividos na amazônia e autor da frase acima, tem se dedicado a estudar e dar visibilidade aos trabalhos de colegas sobre o regime de chuvas no país, uma área difícil, de poucos dados, e fundamental no horizonte do aquecimento global. “A amazônia é uma bomba hidrológica gigantesca que traz a umidade do Oceano Atlântico para dentro do continente e garante que a região responsável por 70% do PIB da América do Sul seja irrigada”, continua. Davilym Dourado/Valor

Antonio Nobre, pesquisador do Inpe: “Temos cinco ou seis anos para impedir que uma catástrofe maior se estabeleça”
Antonio Nobre vem de família rara. O pai era jogador de futebol, a mãe, pintora. Criaram seis filhos com DNA dominante de cientista. O irmão mais velho é Carlos Nobre, um dos maiores climatologistas do país. Paulo estuda como a destruição da amazônia afeta os oceanos e é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), onde também trabalham Carlos e Antonio. Outro irmão é professor da Fundação Getúlio Vargas, o caçula faz doutorado em ecoturismo no Colorado (EUA). A única mulher do time é psicóloga e astróloga - “faz pesquisa no sutil”, diz Antonio, casado com uma pesquisadora do Inpe.
Com mestrado em biologia tropical pelo Instituto Nacional de Pesquisas da amazônia (o Inpa, de Manaus), e doutorado em biogeoquímica pela Universidade de New Hampshire, há cinco anos Antonio é o homem do Inpa dentro do Inpe. Em sua sala em São José dos Campos (SP), rodeado por quadros da mãe, busca conectar a experiência amazônica com o que os satélites enxergam do espaço. Como todos os cientistas que se dedicam à mudança climática, o que vê não é promissor. “Temos cinco ou seis anos para impedir que uma catástrofe maior se estabeleça.”
Entre os mais novos estudos que vem recolhendo sobre o regime das chuvas, há dados impressionantes. A amazônia evapora, em um único dia, 20 bilhões de toneladas de água. “Este rio voador, que sai para a atmosfera na forma de vapor, é maior que o maior rio da Terra”, diz Antonio, comparando o potencial de chuvas da amazônia às 17 bilhões de toneladas de água que o Amazonas lança todos os dias no Atlântico. “Está se descobrindo que a floresta é dez vezes mais importante do que se imaginava”, diz ele. “Estudos mostram que, nas regiões com floresta, a chuva continua igual por 500 km, 2 mil km; nas regiões do mundo onde ela foi tirada, dentro do continente é deserto”, explica.
O cientista lembra que as primeiras conseqüências do desmatamento já são sensíveis. Em Tocantins, Pará e Mato Grosso já se detectam temperaturas muito altas. O Rio Grande do Sul está perdendo safras. “Não é para parar com o desmatamento da amazônia em 2015. Era para parar ontem. Tem que ser zero, nenhuma árvore mais derrubada. Precisamos replantar a floresta.” Aqui, Nobre explica como chuvas, ventos, oceanos e florestas estão interligados e por que alterar este equilíbrio pode trazer danos irreversíveis à vida:
Valor: Como o senhor interpreta as chuvas que castigam Santa Catarina, Minas, Espírito Santo?
Antonio Nobre: O único comentário que tenho é que lamentavelmente isso pode ser fichinha diante do que está vindo. Eventos extremos sempre aconteceram, mas a Terra tem mecanismos de atenuação. Agora, como a humanidade tem perturbado esses mecanismos, estamos tendo um aumento de freqüência desses eventos. Professores da Universidade Federal de Santa Catarina disseram que o sofrimento que esta chuva produziu é quase 100% responsabilidade da forma como foi feita a ocupação naquela região. É o mesmo que acontece em Minas, no Rio e está sendo imposto na amazônia. Um sofrimento decorrente de construir em encostas íngremes, de cortar floresta e deixar a região fragilizada. O problema não é da natureza, é humano. Santa Catarina é uma região propensa a esse tipo de evento, infelizmente. Mas também é uma prova da falência do sistema político brasileiro, que só atende ao imediatismo. O Código Florestal, desrespeitado, é de 1965 e nem leva em consideração as mudanças climáticas. Se levasse, seria muito mais restritivo, porque só temos cinco ou seis anos para impedir que a catástrofe maior se estabeleça sem chance de retorno.
Valor: O Brasil está enxergando a amazônia com outros olhos?
Nobre: O imaginário coletivo coloca nas florestas tropicais de modo geral, e na amazônia, de modo particular, a sensação de algo de muito valor, de coisa grandiosa, mística. A Amazon.com não escolheu seu nome à toa. As pessoas atribuem esse valor ao sentido de paraíso perdido, de riqueza, de vida. Isso é senso comum. Exceto por um povo no mundo: o brasileiro.
Valor: Por quê?
Nobre: Porque o brasileiro médio acha que está deitado eternamente em berço esplêndido. E ele entende por isso vastas áreas propícias para agricultura, chuvas plenas, clima ameno, rios caudalosos que permitem geração de energia, um eldorado de minerais e agora o petróleo. É um país abençoado. Isso define a visão ufanista de que temos valores extraordinários no Brasil.
Valor: E não é assim?
Nobre: Analise o que falei: área para agricultura, água nos rios para energia, biocombustíveis, minerais, não tem nada vivo! Bem, a agricultura é viva, mas não é natural. O berço esplêndido do brasileiro é a terra aberta, não há registro da nossa herança viva. É a nossa visão cultural. O verde está lá, tremulando na bandeira, mas não o valorizamos.
Valor: Por que não?
Nobre: Várias razões. Uma é a que chamo herança maldita dos invasores. O europeu que chegava aqui, na colonização, era o que tinha de pior naquela sociedade. Mercenários que encontravam uma terra sem lei nem rei, onde havia uma floresta de vigor incrível, ouro, povos sem exército nem pólvora. Toda essa abundância ofertada obscenamente para pilhagem. E com o agravante da Igreja, que dizia que os povos da terra não tinham alma enquanto não fossem batizados. Portanto, o conhecimento da natureza que esses povos tinham valia zero. Assim se removeu o saber indígena do “pool” cultural do brasileiro e o pouco caso com o ambiente passou a fazer parte do nosso caráter.
Valor: Como se muda isso?
Nobre: Primeiro reconhecendo que tem carrapato em cima da vaca. Por que o brasileiro chama floresta de mata? Mata é coisa sem valor. Porque era assim para o invasor e nós perpetuamos a rapina. Continua ativa a mesma mentalidade, hoje disfarçada de direito, que faz parte do nosso sistema de valores, foi incorporada no governo e se disfarçou. Agora se chama desenvolvimento. Temos que reconhecer esse fardo ignaro e pensar positivamente para frente. Parar de brigar ambientalista com desenvolvimentista e redescobrir nossa identidade. O brasileiro tem uma reação forte contra pirataria: “Estão roubando os nossos bens”, diz, indignado. Mas um ataque sem precedentes aos biomas, com tratores e correntões, motosserra e fogo não desperta revolta. É claro que temos que desenvolver, precisamos de agricultura. O Blairo Maggi [governador do Mato Grosso e um dos maiores produtores de soja do mundo] perguntou outro dia se queremos árvores ou se queremos comida. É um dilema totalmente falso.
Valor: Por quê?
Nobre: Porque sem árvores não tem água e sem água não tem comida. Uma tonelada de soja consome várias toneladas de água para ser produzida. Quando exportamos soja, estamos exportando água doce para países que não têm esta chuva e não podem produzir. É o mesmo com o algodão, com o álcool. Água é o principal insumo agrícola. Se não fosse assim, o Saara seria verde, porque tem solos fertilíssimos.
Valor: As pessoas acreditam que chuva é um fenômeno eterno…
Nobre: Pois é. Mas pense numa caixa d´água. Se tem só um cano saindo e nenhum entrando, vai esvaziar. Os rios saem dos continentes e vão para o oceano. Precisa ter alguma volta de água ou seca o continente.
Valor: De onde vem essa água?
Nobre: Essa é uma pergunta que ninguém se faz. Aprendemos assim na escola: a água salgada do mar evapora pela ação do sol, o sal fica no mar e a água doce forma as nuvens. O vento sopra a umidade, chove no continente e a água volta para os rios.
Valor: Está errado?
Nobre: Então devia ter água em todos os continentes da Terra, mas existem desertos, não é? É só olhar o globo e ver que em toda a zona equatorial tem florestas. Ou tinha, as estamos destruindo. Mas nas áreas contíguas, a 30 graus de latitude norte e sul, existem desertos. O Kalahari, deserto da Namíbia, o Atacama, o Saara. Isso tem uma explicação, chama-se circulação de Hadley: a parte central do planeta recebe maior radiação solar, ilumina muito, é uma área muito quente, evapora muita água, a evaporação produz chuvas na região. A produção de chuva faz com que o ar circule assim: sobe no Equador e desce a uns 30 graus norte e sul. O ar que sobe, perde umidade, chove; quando desce rouba umidade da superfície e formam-se os desertos. Só há duas exceções, no Sul da China, um lugar atrás do Himalaia, e na região que produz 70% do PIB da América do Sul, o quadrilátero que vai de Cuiabá a Buenos Aires e de São Paulo aos Andes. Toda essa atividade econômica depende de chuva. Se prevalecesse a circulação de Hadley, seria deserto também. Teria floresta na amazônia e aqui não teria nada.
Valor: E por que não é deserto?
Nobre: Por duas razões. Uma, publicada pelo José Marengo [outro especialista em clima, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Inpe]. Se esta região deveria ser deserto e não é, tem algo na América do Sul que é diferente. O quê? Os Andes, uma parede de 6 mil metros de altura, que corta o continente até a Patagônia. Funciona assim: a massa de ar gira sempre de leste para oeste em cima do Equador e o vento sopra ao contrário na faixa entre a zona equatorial e a polar. A umidade do Atlântico entra sobre a amazônia, a floresta a mantém, e se não existissem os Andes passaria direto ao Pacífico. Mas o ar bate na cordilheira e no verão consegue chegar ao sul e irrigar o nosso quadrilátero produtivo.
Valor: É uma chuva importante?
Nobre: Significa mais de 90% da chuva que cai na região. A transmissão de umidade da amazônia para o centro agrícola da América do Sul é o que faz produzir e não deixa a área virar deserto. A condição dos Andes é importante, é por isso que o pessoal diz que o Acre é onde o vento faz a curva. Mas é o segundo fator que considero o mais importante: temos uma esponja verde como cabeceira de água na América do Sul, a floresta amazônica. As árvores conseguem evaporar mais água do que os oceanos por unidade de área.
Valor: Como é esta comparação?
Nobre: Uma árvore grande, com copa de 20 metros, chega a evaporar 300 litros de água por dia. No oceano, 1 m2 é 1 m2 de superfície evaporadora. Mas 1m2 de floresta chega a ter 8, 10 m2 de folha. Evapora oito, dez vezes mais que o oceano. A floresta é como um radiador de automóvel, é um evaporador otimizado. As folhas são distribuídas em vários níveis por 40 m de altura. O vento vem, encontra a superfície cheia de galhos, faz turbulência, gira, entra pelo meio. Isso ajuda a remover umidade da superfície. Medimos o quanto a amazônia evapora, é um número astronômico: 20 bilhões de toneladas de água em um dia. Para ter idéia do que é este volume, o rio Amazonas lança 17 bilhões de toneladas de água por dia no Atlântico. Este rio voador, que sai para a atmosfera na forma de vapor, é maior que o maior rio da Terra.
Valor: É por isso que o senhor diz que avançar a fronteira agrícola para a amazônia é dar um tiro no pé?
Nobre: Claro. A amazônia é uma gigantesca bomba de água. A evaporação precisa do sol para acontecer. Calculamos quanta energia seria necessária para evaporar toda aquela água. Quantas Itaipus precisaríamos para evaporar um dia de água da amazônia? Precisaríamos de 50 mil Itaipus a plena carga.
Valor: Como atua essa bomba?
Nobre: Cerca de 50% da chuva cai de novo na floresta. O fato de ela absorver essa energia toda na superfície e liberar em altitude, onde condensam as nuvens, produz circulação atmosférica. A floresta gera uma bomba que puxa o vento do oceano para dentro da terra. Chega este ar cheio de umidade, chove, a floresta evapora, o ar úmido continua seu caminho para dentro do continente, chove de novo. São 4 mil km até os Andes. Quando alcança os Andes, ainda está carregado de umidade, bate na cordilheira, desce e vai irrigar as plantações de soja do Centro-Oeste, Sudeste, Sul e segue. Estudos mostram que nas regiões com floresta, a chuva continua igual por 2 mil km. Nas regiões onde foi tirada, lá para dentro do continente é deserto. As primeiras conseqüências do desmatamento já estão disponíveis. O Rio Grande do Sul já está perdendo safras. Se desmatarmos e enfraquecermos a bomba, a região toda vai secar, porque é seu destino natural.
Valor: A amazônia, então, é fundamental para a agricultura?
Nobre: Está se descobrindo que a floresta é dez vezes mais importante do que se imaginava. Tem outros fatores, também: a floresta faz chover. Essa foi uma descoberta fantástica do projeto LBA (Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na amazônia). Gotas precisam de alguma coisa sólida para se formarem, é fácil perceber quando se tira uma garrafa de refrigerante da geladeira e formam-se gotinhas em volta. A floresta emite vapores orgânicos para a atmosfera, que funcionam como sementes de nuvens. Mas precisa ser a quantidade certa para chover, se tiver demais não chove. A fumaça das queimadas introduz partículas demais na atmosfera, seca as nuvens e elas não chovem. Durante o período seco, das queimadas, a floresta sempre mantinha uma chuvinha que a deixava úmida e não-inflamável. Agora passam dois meses sem chover. A floresta começa a ficar muito seca e o fogo entra por ela. As árvores da amazônia, diferente do Cerrado, não têm resistência ao fogo. Um fogo bobo mata todas as árvores que têm raízes rasas, e aquela floresta está condenada. Existem árvores imensas sendo destruídas assim.
Valor: Então é um mito que a amazônia é muito forte?
Nobre: É forte quando o regime de chuvas está perfeito, mas com fogo, correntão e motosserra fica difícil. Em Tocantins, está dando 40 graus. No Pará e no Norte do Mato Grosso, registramos temperaturas muito altas. Cuiabá é quentíssima. Já está em curso um processo que a gente não sabe se é sem volta e temos que acabar com a hipocrisia que acende esse debate. Não é para parar com o desmate em 2015. Era para parar ontem, zero, nenhuma árvore mais derrubada. Temos que replantar a floresta.
Valor: O sr. faz uma espécie de militância científica?
Nobre: Foi o efeito da floresta no meu espírito. Eu me senti muito frustrado com tudo o que vivenciei na amazônia. Tive uma fase de militância ambientalista, depois vi que temos que ter pé no chão e não falar só “não pode”. Mas, se destruirmos as florestas, vamos estourar o nosso sistema climático. A condição do sistema terrestre hoje é a de já estarmos na UTI com falência múltipla de órgãos. Isso é o aquecimento global. A queima de combustíveis fósseis tem papel importante, mas a destruição dos órgãos de manutenção do clima, florestas e oceanos é o principal fator para o descontrole global. Não adianta todos os carros virarem elétricos se continuarmos a desmatar.
Valor: Quem conhece as coisas da amazônia?
Nobre: Os povos nativos, intuitivamente. Mas são desrespeitados, não são valorizados. Temos que considerá-los um dia, se quisermos ser uma grande nação. E existe o conhecimento científico disperso em uma enorme variedade de disciplinas. Eu sou um garimpeiro de pérolas, em diferentes áreas. É isso que faço, ligo uma coisa à outra.
Valor: O senhor é otimista sobre a nossa mudança de consciência?
Nobre: Não consigo ver a mudança sem passarmos, infelizmente, por uma catástrofe. Aqui, o crescimento sem controle do agronegócio está danificando o funcionamento hidrológico da América do Sul. Enquanto lá fora se fala em serviços ambientais, aqui é só agronegócio, aço, minério, assuntos do século XX. A gente só chega depois, temos mentalidade de colônia até hoje. Mas o mundo vai depender cada vez mais dos nossos serviços ambientais. O Brasil não é só grãos.
Fonte: Imprensa MST / Valor Econômico.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O que é o Patrimônio Verde?


Patrimônio verde é a biomassa vegetal presente e distribuída pela cidade. As árvores constituem seu principal elemento.
Este patrimônio é um legado construído por pioneiros, e gerações de cidadãos, e que vem acumulando valor através dos anos. Este patrimônio nos chega acompanhado pelo direito de usufruí-lo e o dever de preserva-lo para aqueles que virão.
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).

Quanto vale uma árvore urbana?


Uma árvore urbana vale 255 dólares anuais para a cidade.
Este número foi definido por um estudo realizado nos Estados Unidos levando em conta os benefícios que proporciona em termos de economia de energia, conservação de água e solo, melhoria do ar e clima, e valorização de propriedades.
Comprovadamente contribuindo para o conforto ambiental no espaço urbano, a árvore é responsável direta pela:
- Diminuição da poluição sonora (absorção de ruídos)
- Diminuição da poluição do ar (purificação do ar e retenção de partículas)
- Diminuição da poluição visual (vida cor e beleza para as ruas)
- Amortecimento climático (esfriamento do ar no verão, e diminuição do vento no inverno)
- Diminuição da exposição à irradiação solar (proteção contra câncer de pele)
- Proteção contra vendavais (diminui danos as construções)
- Bem estar físico e mental das pessoas
- Equilíbrio ecológico (sustenta flora e fauna, e diminui vetores de doenças)
- Valorização de propriedades
- Elemento visível para valorização da natureza nas novas gerações.
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).

Que árvores ajudam mais a cidade?


As arvores de grande porte. Estudos comprovam que uma árvore de grande porte tem a capacidade de esfriar o ar equivalente a quatro aparelhos de ar-condicionado, ligados 24 horas por dia.
O impacto ambiental benéfico das árvores só ocorre quando a cidade possui uma arborização extensa, presente em todas as ruas, e, principalmente, constituída por grandes exemplares.
Mas para atingir este estado elas precisam entre 30 e 40 anos de crescimento. Portanto, é muito mais racional e econômico para cidade cuidar das árvores maduras e plenas já existentes, que, por exemplo, iniciar um re-plantio.
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).

Porque as árvores na minha cidade estão sendo cortadas?


Basicamente por dois motivos: desconhecimento do valor de uma árvore, e interesses econômicos.
O desaparecimento de árvores urbanas está ocorrendo em quase todas as cidades brasileiras. Todo dia se matam, envenenam e mutilam muito mais árvores, e em número crescente, que exemplares novos são plantados.
É comum ver que quando uma casa é posta a venda ou aluguel, as árvores da calçada são cortadas para permitir maior visibilidade da placa da imobiliária. O mesmo acontece após uma reforma pelo morador, e se busca impressionar os vizinhos.
Algumas concessionárias de distribuição de energia elétrica consideram a árvore parte do custo de sua empresa, e não um patrimônio da cidade e seus moradores. Redes elétricas antigas, de cabos elétricos nus, exigem podas deformadoras nas árvores que provocam, em poucos anos, a morte de milhares de exemplares.
Observe como está se tornando raro árvores nas calçadas onde passa a rede elétrica.
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).

Porque se aceita a morte de árvores urbanas?


O desrespeito sistemático e depredatório desta floresta do asfalto, transformando árvores em esculturas dantescas por poda brutal, ou apenas num remendo na calçada, acaba por provocar uma anestesia, nos insensibilizando para o arboricídio que acontece todos os dias em nossas calçadas.
Que morador iria impedir a poda brutal de sua árvore pela empresa elétrica local? Quem questionaria o arquiteto que projetou o portão da garagem justo onde há uma árvore na calçada? Quem investiria em matar o cupim, em vez de cortar uma grande árvore?
Perdemos o espaço público, do convívio com a vizinhança. Perdemos as ruas e nos isolamos em nossas casas de muros altos, ou "seguros" apartamentos.
As ruas se tornaram um lugar perigoso também para as árvores.
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).

Quem esta tomando o espaço das árvores nas nossas ruas?


Os interesses individuais e de mercado se apropriaram negativamente de nossas ruas, que hoje são palco para:
- Lojas derrubarem árvores históricas para estacionamento, ou para destacar a fachada
- Imobiliárias envenenarem e cortarem árvores para dar visibilidade aos imóveis
- Empreendimentos substituírem áreas verdes por construções e palmeiras
- Empresas com redes elétricas antigas, que, com o fim das árvores, evitarem o custo de modernização por redes ecológicas
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).

O que é a "arborização anã"?


Uma cidade apenas com arbustos e arvoretas nas suas calçadas, com aplicação de podas de rebaixamento ou corte das árvores cuja altura superar os 5 metros...
Este é o consenso que algumas empresas de distribuição elétrica, cegas ao bem estar dos demais, estão tentando criar nas cidades onde operam.
Nas cidades que a prefeitura e os moradores adotaram esta "nova técnica de arborização urbana" estão se registrando os maiores e definitivos estragos ao seu patrimônio verde.
Este consenso adotado deixa uma arborização insuficiente até para dar sombra a uma bicicleta, mas perfeita para garantir diminuição de custos em podas e crescimento dos lucros da empresa elétrica.
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).