29/1/2009
Armando Levy
São Paulo, SP - No próximo dia 12 de fevereiro, o Instituto Sangari lança o livro "Charles Darwin, em um futuro não tão distante", organizado pelos professores e pesquisadores Maria Isabel Landim e Cristiano Rangel Moreira. O lançamento marca o bicentenário do nascimento do grande naturalista inglês e os 150 anos da primeira edição do livro "A Origem das Espécies", onde Darwin desvendou as complexidades da seleção natural como motor do desenvolvimento das espécies no mundo.
Segundo Landim e Moreira, há aspectos da teoria de Darwin ainda pouco considerados, que dizem respeito à importância da diversidade como fator de sobrevivência das espécies:
"Darwin assinalou que as espécies mais diversas ampliam suas chances de sobrevivência em meio a ambientes diversos, o que nos coloca frente a questões importantes no que diz respeito à própria sobrevivência do ser humano em um mundo que muda velozmente", comentam.
De acordo com a Organização das Nações Unidas, a espécie humana depende diretamente de cerca de 40.000 espécies, seja para uso alimentar como para vestuário, higiene e até saúde:
"O que vai acontecer com o ser humano quando a diversidade na qual ele sustenta sua existência deixar de existir em função da destruição acelerada de espécies que vivenciamos hoje em dia? A resposta a esta questão pode significar a curta longevidade do ser humano", explica Landim.
Landim e Moreira assinalam que o princípio da divergência que mostra que a diversidade prepara melhor as espécies para diferentes ambientes, leva-nos a pensar sobre a própria diversidade dentro da espécie humana:
"Quando diz que o ambiente poderá suportar um número maior de indivíduos de uma mesma espécie se esses diversificarem seus hábitos, parece que Darwin está mesmo querendo participar do debate contemporâneo sobre a crise ambiental e cultural que vivemos", comentam.
Lançamento de livro marca os 200 anos de Darwin
O livro é o resultado de palestras proferidas por renomados pesquisadores durante a apresentação da exposição Darwin, realizada no Brasil pelo Instituto Sangari em parceira com o American Museum of Natural History (AMNH), um dos maiores museus de história natural do mundo.
O Instituto Sangari - É uma organização sem fins lucrativos, fundada pela Sangari Brasil, em 2003, com a missão de disseminar o conhecimento e a cultura científica. Em apenas seis anos de existência, as ações do Instituto já envolveram mais de 800 mil pessoas - em sua maioria, crianças e jovens - que tiveram a chance de despertar o interesse e curiosidade em diversos temas relacionados com a cultura científica.
Serviço - A mostra sobre Darwin promovida pelo Instituto Sangari continuará a circular por várias cidades brasileiras em 2009. O lançamento do livro acontece no próximo dia 12/02/2009, na Livraria da Travessa, no Leblon Shopping, no Rio de Janeiro; e no dia 17/02/2009 na Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, em São Paulo.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
domingo, 25 de janeiro de 2009
Lei impede construção nas margens
Isis Mastromano
Do Diário do Grande ABC
Todas as margens de cursos d'' água no Brasil são consideradas APPs (Áreas de Preservação Permanente) e vem da várzea do Tamanduateí, um dos maiores exemplos de transgressão da mais antiga lei nacional que trata sobre o entorno dos rios.
O Código Florestal, de 1965, é claro: é função do poder público municipal fazer valer a lei, fiscalizar e proteger as margens dos corpos d''água.
O Tamanduateí tem garantido, pelo Código Florestal, faixas que deveriam ser intocadas, onde construções só poderiam ser erguidas a 30 ou 50 metros de distância das margens.
Com a lei virtualmente engavetada, aquilo que deveria ser preservado foi dado para livre uso à iniciativa privada, com o aval das Prefeituras.
Além do setor industrial, os terrenos também foram loteados para residências e estabelecimentos comerciais, sem contar com as ocupações irregulares que se instalaram ao longo do rio.
O geógrafo e ex-supervisor do DEPRN (Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais), Marcio Ackermann, defende que as Prefeituras façam com urgência um diagnóstico de uso e ocupação do solo nas APPs do Tamanduateí.
"Um procedimento necessário para recuperar o rio, é cadastrar e mapear essas APPs ocupadas por setores produtivos em geral, pois as empresas têm fluxo de caixa, têm condições de fazer um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) e, por lei, contribuir no reflorestamento das margens", avalia Ackermann, que é especialista em habitações precárias em APPs e produziu um trabalho de mestrado pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) da Universidade de São Paulo sobre o tema.
Hoje, a Recap (Refinaria de Capuava) recupera parte das águas, mas, para benefício único das empresas do Pólo Petroquímico que reutilizam uma porção do Tamanduateí em suas atividades internas.
O bom exemplo de aplicação do Código Florestal vem da zona rural de São Paulo, onde todos os usineiros de cana firmaram um TAC e têm de tirar a cana das margens dos cursos d''água e reflorestá-las.
Fundo estadual repassa R$ 1 milhão ao rio
Além da fiscalização deficitária, ações em benefício do rio vindas do poder público e de entidades civis têm caminhado a passos lentos. Como nenhum projeto apresentado em 2007 para o rio emplacou, o recurso repassado pela Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos) ao Tamannduateí ficou acumulado e, mesmo assim, o montante de 2007 e 2008 não passou de R$ 1 milhão.
A secretária-executiva do Subcomitê Billings-Tamanduateí, Márcia Maria Nascimento, disse que o dinheiro deve ser utilizado em educação ambiental, conforme projetos aprovados pelo Comitê da Bacia do Alto Tietê.
Sem data definida, o subcomitê que cuida do Tamanduateí será reformulado este ano, mas ainda não há data definida para a eleição dos novos membros. A presidência do sub-comitê é atualmente ocupada pela Prefeitura de Diadema.
É o Comitê do Alto Tietê que aprova a utilização do dinheiro vindo da Fehidro. Prefeituras, Estado e entidades civis podem utilizar o recurso desde que tenham seu plano de recuperação do rio aprovado.
A verba repassada pelo Fehidro é proveniente de royalties (compensação financeira devida ao Estado pelas empresas) pela utilização dos recursos hídricos. Todo comitê de bacia recebe uma parcela dos royalties.
Ontem, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente informou que está analisando os planos das 19 bacias hidrográficas paulistas entregues no final de 2008.
Enquanto os projetos não saem do papel, São Caetano promete criar um Pelotão Ambiental da Guarda Civil Municipal para intensificar a fiscalização no Tamanduateí. A Prefeitura de Mauá e o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) não informaram planos para melhoraria da fiscalização.
A reportagem procurou os deputados estaduais da região para comentar possíveis ações de proteção ao rio, mas nenhum foi localizado.
Do Diário do Grande ABC
Todas as margens de cursos d'' água no Brasil são consideradas APPs (Áreas de Preservação Permanente) e vem da várzea do Tamanduateí, um dos maiores exemplos de transgressão da mais antiga lei nacional que trata sobre o entorno dos rios.
O Código Florestal, de 1965, é claro: é função do poder público municipal fazer valer a lei, fiscalizar e proteger as margens dos corpos d''água.
O Tamanduateí tem garantido, pelo Código Florestal, faixas que deveriam ser intocadas, onde construções só poderiam ser erguidas a 30 ou 50 metros de distância das margens.
Com a lei virtualmente engavetada, aquilo que deveria ser preservado foi dado para livre uso à iniciativa privada, com o aval das Prefeituras.
Além do setor industrial, os terrenos também foram loteados para residências e estabelecimentos comerciais, sem contar com as ocupações irregulares que se instalaram ao longo do rio.
O geógrafo e ex-supervisor do DEPRN (Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais), Marcio Ackermann, defende que as Prefeituras façam com urgência um diagnóstico de uso e ocupação do solo nas APPs do Tamanduateí.
"Um procedimento necessário para recuperar o rio, é cadastrar e mapear essas APPs ocupadas por setores produtivos em geral, pois as empresas têm fluxo de caixa, têm condições de fazer um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) e, por lei, contribuir no reflorestamento das margens", avalia Ackermann, que é especialista em habitações precárias em APPs e produziu um trabalho de mestrado pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) da Universidade de São Paulo sobre o tema.
Hoje, a Recap (Refinaria de Capuava) recupera parte das águas, mas, para benefício único das empresas do Pólo Petroquímico que reutilizam uma porção do Tamanduateí em suas atividades internas.
O bom exemplo de aplicação do Código Florestal vem da zona rural de São Paulo, onde todos os usineiros de cana firmaram um TAC e têm de tirar a cana das margens dos cursos d''água e reflorestá-las.
Fundo estadual repassa R$ 1 milhão ao rio
Além da fiscalização deficitária, ações em benefício do rio vindas do poder público e de entidades civis têm caminhado a passos lentos. Como nenhum projeto apresentado em 2007 para o rio emplacou, o recurso repassado pela Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos) ao Tamannduateí ficou acumulado e, mesmo assim, o montante de 2007 e 2008 não passou de R$ 1 milhão.
A secretária-executiva do Subcomitê Billings-Tamanduateí, Márcia Maria Nascimento, disse que o dinheiro deve ser utilizado em educação ambiental, conforme projetos aprovados pelo Comitê da Bacia do Alto Tietê.
Sem data definida, o subcomitê que cuida do Tamanduateí será reformulado este ano, mas ainda não há data definida para a eleição dos novos membros. A presidência do sub-comitê é atualmente ocupada pela Prefeitura de Diadema.
É o Comitê do Alto Tietê que aprova a utilização do dinheiro vindo da Fehidro. Prefeituras, Estado e entidades civis podem utilizar o recurso desde que tenham seu plano de recuperação do rio aprovado.
A verba repassada pelo Fehidro é proveniente de royalties (compensação financeira devida ao Estado pelas empresas) pela utilização dos recursos hídricos. Todo comitê de bacia recebe uma parcela dos royalties.
Ontem, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente informou que está analisando os planos das 19 bacias hidrográficas paulistas entregues no final de 2008.
Enquanto os projetos não saem do papel, São Caetano promete criar um Pelotão Ambiental da Guarda Civil Municipal para intensificar a fiscalização no Tamanduateí. A Prefeitura de Mauá e o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) não informaram planos para melhoraria da fiscalização.
A reportagem procurou os deputados estaduais da região para comentar possíveis ações de proteção ao rio, mas nenhum foi localizado.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009

Arborização funciona como um gigantesco aparelho de ar condicionado natural na cidade.
Fonte Agência USP de notícias
Por Julio Bernardes
São Paulo - Pesquisa feita em três regiões da cidade de São Paulo comprova que a vegetação urbana reduz a necessidade de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado para manter o conforto térmico em residências, podendo reduzir o consumo de energia elétrica.
O trabalho foi apresentado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba, pela engenheira agrônoma Giuliana Del Nero Velasco, que sugere o plantio de árvores de grande porte no sistema viário para ampliar a redução de temperatura obtida com a cobertura vegetal.
O trabalho analisou áreas com diferentes densidades de vegetação na Zona Sul da cidade, a primeira com 3,72% de cobertura verde, a segunda com 11,71% e a terceira com 33,92%. "Os locais foram escolhidos por geoprocessamento, a partir das imagens de alta resolução do satélite Ikonos II", explica Giuliana.
"Após a aplicação do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) e análise de mapas de clima já existentes, foi feito um levantamento de campo para confirmar os dados do sensoriamento remoto e definida uma amostragem de 100 residências em cada área".
No mês mais quente medido pela pesquisa (março), a área com menor vegetação apresentou 10 graus-hora de calor por dia, contra 3,91 graus-hora de calor da região com maior cobertura vegetal. "Isto mostra que o local com menos cobertura arbórea possui uma necessidade maior de refrigeração aritificial", ressalta Giuliana, acrescentando que a temperatura às 9 horas chegou a ser 2,14 graus maior que a região mais arborizada. "Nessa área, a média de temperatura foi menor, o que resultou em um valor mais baixo de graus-hora de calor".
"Com esses números, ainda não é possível estabelecer uma relação mais direta entre cobertura vegetal e consumo de energia, pois isso depende de outros fatores, como os hábitos de cada morador, a presença ou não dos aparelhos", explica a agrônoma. "Mas o estudo deixa claro que a vegetação reduz a necessidade de se obter conforto térmico de forma artificial".
Giuliana recomenda a ampliação do plantio de árvores de grande porte nas calçadas.
Segundo a engenheira agrônoma, os benefícios serão maiores com o plantio de espécies de grande porte e não de arbustos. "Além de reduzir a temperatura, elas retêm poluentes, absorvem gás carbônico e reduzem o impacto das chuvas em maior escala, pois possuem copa e estrutura para isso", ressalta. "O impacto das árvores na rede elétrica pode ser reduzido com o uso de fiação compacta, que não implica em aumento de custos e evitam podas em excesso".Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Sem chuva da Amazônia, SP vira deserto

13/1/2009
São Paulo tem vocação natural para deserto. Só não é terra seca porque existem os Andes e a amazônia. “Os Andes não vão sair de lá, a não ser que aconteça um cataclisma. Mas destruir a amazônia para avançar a fronteira agrícola é dar um tiro no pé do agronegócio.” O agrônomo Antonio Nobre, 50 anos, 22 deles vividos na amazônia e autor da frase acima, tem se dedicado a estudar e dar visibilidade aos trabalhos de colegas sobre o regime de chuvas no país, uma área difícil, de poucos dados, e fundamental no horizonte do aquecimento global. “A amazônia é uma bomba hidrológica gigantesca que traz a umidade do Oceano Atlântico para dentro do continente e garante que a região responsável por 70% do PIB da América do Sul seja irrigada”, continua. Davilym Dourado/Valor
Antonio Nobre, pesquisador do Inpe: “Temos cinco ou seis anos para impedir que uma catástrofe maior se estabeleça”
Antonio Nobre vem de família rara. O pai era jogador de futebol, a mãe, pintora. Criaram seis filhos com DNA dominante de cientista. O irmão mais velho é Carlos Nobre, um dos maiores climatologistas do país. Paulo estuda como a destruição da amazônia afeta os oceanos e é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), onde também trabalham Carlos e Antonio. Outro irmão é professor da Fundação Getúlio Vargas, o caçula faz doutorado em ecoturismo no Colorado (EUA). A única mulher do time é psicóloga e astróloga - “faz pesquisa no sutil”, diz Antonio, casado com uma pesquisadora do Inpe.
Com mestrado em biologia tropical pelo Instituto Nacional de Pesquisas da amazônia (o Inpa, de Manaus), e doutorado em biogeoquímica pela Universidade de New Hampshire, há cinco anos Antonio é o homem do Inpa dentro do Inpe. Em sua sala em São José dos Campos (SP), rodeado por quadros da mãe, busca conectar a experiência amazônica com o que os satélites enxergam do espaço. Como todos os cientistas que se dedicam à mudança climática, o que vê não é promissor. “Temos cinco ou seis anos para impedir que uma catástrofe maior se estabeleça.”
Entre os mais novos estudos que vem recolhendo sobre o regime das chuvas, há dados impressionantes. A amazônia evapora, em um único dia, 20 bilhões de toneladas de água. “Este rio voador, que sai para a atmosfera na forma de vapor, é maior que o maior rio da Terra”, diz Antonio, comparando o potencial de chuvas da amazônia às 17 bilhões de toneladas de água que o Amazonas lança todos os dias no Atlântico. “Está se descobrindo que a floresta é dez vezes mais importante do que se imaginava”, diz ele. “Estudos mostram que, nas regiões com floresta, a chuva continua igual por 500 km, 2 mil km; nas regiões do mundo onde ela foi tirada, dentro do continente é deserto”, explica.
O cientista lembra que as primeiras conseqüências do desmatamento já são sensíveis. Em Tocantins, Pará e Mato Grosso já se detectam temperaturas muito altas. O Rio Grande do Sul está perdendo safras. “Não é para parar com o desmatamento da amazônia em 2015. Era para parar ontem. Tem que ser zero, nenhuma árvore mais derrubada. Precisamos replantar a floresta.” Aqui, Nobre explica como chuvas, ventos, oceanos e florestas estão interligados e por que alterar este equilíbrio pode trazer danos irreversíveis à vida:
Valor: Como o senhor interpreta as chuvas que castigam Santa Catarina, Minas, Espírito Santo?
Antonio Nobre: O único comentário que tenho é que lamentavelmente isso pode ser fichinha diante do que está vindo. Eventos extremos sempre aconteceram, mas a Terra tem mecanismos de atenuação. Agora, como a humanidade tem perturbado esses mecanismos, estamos tendo um aumento de freqüência desses eventos. Professores da Universidade Federal de Santa Catarina disseram que o sofrimento que esta chuva produziu é quase 100% responsabilidade da forma como foi feita a ocupação naquela região. É o mesmo que acontece em Minas, no Rio e está sendo imposto na amazônia. Um sofrimento decorrente de construir em encostas íngremes, de cortar floresta e deixar a região fragilizada. O problema não é da natureza, é humano. Santa Catarina é uma região propensa a esse tipo de evento, infelizmente. Mas também é uma prova da falência do sistema político brasileiro, que só atende ao imediatismo. O Código Florestal, desrespeitado, é de 1965 e nem leva em consideração as mudanças climáticas. Se levasse, seria muito mais restritivo, porque só temos cinco ou seis anos para impedir que a catástrofe maior se estabeleça sem chance de retorno.
Valor: O Brasil está enxergando a amazônia com outros olhos?
Nobre: O imaginário coletivo coloca nas florestas tropicais de modo geral, e na amazônia, de modo particular, a sensação de algo de muito valor, de coisa grandiosa, mística. A Amazon.com não escolheu seu nome à toa. As pessoas atribuem esse valor ao sentido de paraíso perdido, de riqueza, de vida. Isso é senso comum. Exceto por um povo no mundo: o brasileiro.
Valor: Por quê?
Nobre: Porque o brasileiro médio acha que está deitado eternamente em berço esplêndido. E ele entende por isso vastas áreas propícias para agricultura, chuvas plenas, clima ameno, rios caudalosos que permitem geração de energia, um eldorado de minerais e agora o petróleo. É um país abençoado. Isso define a visão ufanista de que temos valores extraordinários no Brasil.
Valor: E não é assim?
Nobre: Analise o que falei: área para agricultura, água nos rios para energia, biocombustíveis, minerais, não tem nada vivo! Bem, a agricultura é viva, mas não é natural. O berço esplêndido do brasileiro é a terra aberta, não há registro da nossa herança viva. É a nossa visão cultural. O verde está lá, tremulando na bandeira, mas não o valorizamos.
Valor: Por que não?
Nobre: Várias razões. Uma é a que chamo herança maldita dos invasores. O europeu que chegava aqui, na colonização, era o que tinha de pior naquela sociedade. Mercenários que encontravam uma terra sem lei nem rei, onde havia uma floresta de vigor incrível, ouro, povos sem exército nem pólvora. Toda essa abundância ofertada obscenamente para pilhagem. E com o agravante da Igreja, que dizia que os povos da terra não tinham alma enquanto não fossem batizados. Portanto, o conhecimento da natureza que esses povos tinham valia zero. Assim se removeu o saber indígena do “pool” cultural do brasileiro e o pouco caso com o ambiente passou a fazer parte do nosso caráter.
Valor: Como se muda isso?
Nobre: Primeiro reconhecendo que tem carrapato em cima da vaca. Por que o brasileiro chama floresta de mata? Mata é coisa sem valor. Porque era assim para o invasor e nós perpetuamos a rapina. Continua ativa a mesma mentalidade, hoje disfarçada de direito, que faz parte do nosso sistema de valores, foi incorporada no governo e se disfarçou. Agora se chama desenvolvimento. Temos que reconhecer esse fardo ignaro e pensar positivamente para frente. Parar de brigar ambientalista com desenvolvimentista e redescobrir nossa identidade. O brasileiro tem uma reação forte contra pirataria: “Estão roubando os nossos bens”, diz, indignado. Mas um ataque sem precedentes aos biomas, com tratores e correntões, motosserra e fogo não desperta revolta. É claro que temos que desenvolver, precisamos de agricultura. O Blairo Maggi [governador do Mato Grosso e um dos maiores produtores de soja do mundo] perguntou outro dia se queremos árvores ou se queremos comida. É um dilema totalmente falso.
Valor: Por quê?
Nobre: Porque sem árvores não tem água e sem água não tem comida. Uma tonelada de soja consome várias toneladas de água para ser produzida. Quando exportamos soja, estamos exportando água doce para países que não têm esta chuva e não podem produzir. É o mesmo com o algodão, com o álcool. Água é o principal insumo agrícola. Se não fosse assim, o Saara seria verde, porque tem solos fertilíssimos.
Valor: As pessoas acreditam que chuva é um fenômeno eterno…
Nobre: Pois é. Mas pense numa caixa d´água. Se tem só um cano saindo e nenhum entrando, vai esvaziar. Os rios saem dos continentes e vão para o oceano. Precisa ter alguma volta de água ou seca o continente.
Valor: De onde vem essa água?
Nobre: Essa é uma pergunta que ninguém se faz. Aprendemos assim na escola: a água salgada do mar evapora pela ação do sol, o sal fica no mar e a água doce forma as nuvens. O vento sopra a umidade, chove no continente e a água volta para os rios.
Valor: Está errado?
Nobre: Então devia ter água em todos os continentes da Terra, mas existem desertos, não é? É só olhar o globo e ver que em toda a zona equatorial tem florestas. Ou tinha, as estamos destruindo. Mas nas áreas contíguas, a 30 graus de latitude norte e sul, existem desertos. O Kalahari, deserto da Namíbia, o Atacama, o Saara. Isso tem uma explicação, chama-se circulação de Hadley: a parte central do planeta recebe maior radiação solar, ilumina muito, é uma área muito quente, evapora muita água, a evaporação produz chuvas na região. A produção de chuva faz com que o ar circule assim: sobe no Equador e desce a uns 30 graus norte e sul. O ar que sobe, perde umidade, chove; quando desce rouba umidade da superfície e formam-se os desertos. Só há duas exceções, no Sul da China, um lugar atrás do Himalaia, e na região que produz 70% do PIB da América do Sul, o quadrilátero que vai de Cuiabá a Buenos Aires e de São Paulo aos Andes. Toda essa atividade econômica depende de chuva. Se prevalecesse a circulação de Hadley, seria deserto também. Teria floresta na amazônia e aqui não teria nada.
Valor: E por que não é deserto?
Nobre: Por duas razões. Uma, publicada pelo José Marengo [outro especialista em clima, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Inpe]. Se esta região deveria ser deserto e não é, tem algo na América do Sul que é diferente. O quê? Os Andes, uma parede de 6 mil metros de altura, que corta o continente até a Patagônia. Funciona assim: a massa de ar gira sempre de leste para oeste em cima do Equador e o vento sopra ao contrário na faixa entre a zona equatorial e a polar. A umidade do Atlântico entra sobre a amazônia, a floresta a mantém, e se não existissem os Andes passaria direto ao Pacífico. Mas o ar bate na cordilheira e no verão consegue chegar ao sul e irrigar o nosso quadrilátero produtivo.
Valor: É uma chuva importante?
Nobre: Significa mais de 90% da chuva que cai na região. A transmissão de umidade da amazônia para o centro agrícola da América do Sul é o que faz produzir e não deixa a área virar deserto. A condição dos Andes é importante, é por isso que o pessoal diz que o Acre é onde o vento faz a curva. Mas é o segundo fator que considero o mais importante: temos uma esponja verde como cabeceira de água na América do Sul, a floresta amazônica. As árvores conseguem evaporar mais água do que os oceanos por unidade de área.
Valor: Como é esta comparação?
Nobre: Uma árvore grande, com copa de 20 metros, chega a evaporar 300 litros de água por dia. No oceano, 1 m2 é 1 m2 de superfície evaporadora. Mas 1m2 de floresta chega a ter 8, 10 m2 de folha. Evapora oito, dez vezes mais que o oceano. A floresta é como um radiador de automóvel, é um evaporador otimizado. As folhas são distribuídas em vários níveis por 40 m de altura. O vento vem, encontra a superfície cheia de galhos, faz turbulência, gira, entra pelo meio. Isso ajuda a remover umidade da superfície. Medimos o quanto a amazônia evapora, é um número astronômico: 20 bilhões de toneladas de água em um dia. Para ter idéia do que é este volume, o rio Amazonas lança 17 bilhões de toneladas de água por dia no Atlântico. Este rio voador, que sai para a atmosfera na forma de vapor, é maior que o maior rio da Terra.
Valor: É por isso que o senhor diz que avançar a fronteira agrícola para a amazônia é dar um tiro no pé?
Nobre: Claro. A amazônia é uma gigantesca bomba de água. A evaporação precisa do sol para acontecer. Calculamos quanta energia seria necessária para evaporar toda aquela água. Quantas Itaipus precisaríamos para evaporar um dia de água da amazônia? Precisaríamos de 50 mil Itaipus a plena carga.
Valor: Como atua essa bomba?
Nobre: Cerca de 50% da chuva cai de novo na floresta. O fato de ela absorver essa energia toda na superfície e liberar em altitude, onde condensam as nuvens, produz circulação atmosférica. A floresta gera uma bomba que puxa o vento do oceano para dentro da terra. Chega este ar cheio de umidade, chove, a floresta evapora, o ar úmido continua seu caminho para dentro do continente, chove de novo. São 4 mil km até os Andes. Quando alcança os Andes, ainda está carregado de umidade, bate na cordilheira, desce e vai irrigar as plantações de soja do Centro-Oeste, Sudeste, Sul e segue. Estudos mostram que nas regiões com floresta, a chuva continua igual por 2 mil km. Nas regiões onde foi tirada, lá para dentro do continente é deserto. As primeiras conseqüências do desmatamento já estão disponíveis. O Rio Grande do Sul já está perdendo safras. Se desmatarmos e enfraquecermos a bomba, a região toda vai secar, porque é seu destino natural.
Valor: A amazônia, então, é fundamental para a agricultura?
Nobre: Está se descobrindo que a floresta é dez vezes mais importante do que se imaginava. Tem outros fatores, também: a floresta faz chover. Essa foi uma descoberta fantástica do projeto LBA (Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na amazônia). Gotas precisam de alguma coisa sólida para se formarem, é fácil perceber quando se tira uma garrafa de refrigerante da geladeira e formam-se gotinhas em volta. A floresta emite vapores orgânicos para a atmosfera, que funcionam como sementes de nuvens. Mas precisa ser a quantidade certa para chover, se tiver demais não chove. A fumaça das queimadas introduz partículas demais na atmosfera, seca as nuvens e elas não chovem. Durante o período seco, das queimadas, a floresta sempre mantinha uma chuvinha que a deixava úmida e não-inflamável. Agora passam dois meses sem chover. A floresta começa a ficar muito seca e o fogo entra por ela. As árvores da amazônia, diferente do Cerrado, não têm resistência ao fogo. Um fogo bobo mata todas as árvores que têm raízes rasas, e aquela floresta está condenada. Existem árvores imensas sendo destruídas assim.
Valor: Então é um mito que a amazônia é muito forte?
Nobre: É forte quando o regime de chuvas está perfeito, mas com fogo, correntão e motosserra fica difícil. Em Tocantins, está dando 40 graus. No Pará e no Norte do Mato Grosso, registramos temperaturas muito altas. Cuiabá é quentíssima. Já está em curso um processo que a gente não sabe se é sem volta e temos que acabar com a hipocrisia que acende esse debate. Não é para parar com o desmate em 2015. Era para parar ontem, zero, nenhuma árvore mais derrubada. Temos que replantar a floresta.
Valor: O sr. faz uma espécie de militância científica?
Nobre: Foi o efeito da floresta no meu espírito. Eu me senti muito frustrado com tudo o que vivenciei na amazônia. Tive uma fase de militância ambientalista, depois vi que temos que ter pé no chão e não falar só “não pode”. Mas, se destruirmos as florestas, vamos estourar o nosso sistema climático. A condição do sistema terrestre hoje é a de já estarmos na UTI com falência múltipla de órgãos. Isso é o aquecimento global. A queima de combustíveis fósseis tem papel importante, mas a destruição dos órgãos de manutenção do clima, florestas e oceanos é o principal fator para o descontrole global. Não adianta todos os carros virarem elétricos se continuarmos a desmatar.
Valor: Quem conhece as coisas da amazônia?
Nobre: Os povos nativos, intuitivamente. Mas são desrespeitados, não são valorizados. Temos que considerá-los um dia, se quisermos ser uma grande nação. E existe o conhecimento científico disperso em uma enorme variedade de disciplinas. Eu sou um garimpeiro de pérolas, em diferentes áreas. É isso que faço, ligo uma coisa à outra.
Valor: O senhor é otimista sobre a nossa mudança de consciência?
Nobre: Não consigo ver a mudança sem passarmos, infelizmente, por uma catástrofe. Aqui, o crescimento sem controle do agronegócio está danificando o funcionamento hidrológico da América do Sul. Enquanto lá fora se fala em serviços ambientais, aqui é só agronegócio, aço, minério, assuntos do século XX. A gente só chega depois, temos mentalidade de colônia até hoje. Mas o mundo vai depender cada vez mais dos nossos serviços ambientais. O Brasil não é só grãos.
Fonte: Imprensa MST / Valor Econômico.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
O que é o Patrimônio Verde?

Patrimônio verde é a biomassa vegetal presente e distribuída pela cidade. As árvores constituem seu principal elemento.
Este patrimônio é um legado construído por pioneiros, e gerações de cidadãos, e que vem acumulando valor através dos anos. Este patrimônio nos chega acompanhado pelo direito de usufruí-lo e o dever de preserva-lo para aqueles que virão.
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).
Quanto vale uma árvore urbana?

Uma árvore urbana vale 255 dólares anuais para a cidade.
Este número foi definido por um estudo realizado nos Estados Unidos levando em conta os benefícios que proporciona em termos de economia de energia, conservação de água e solo, melhoria do ar e clima, e valorização de propriedades.
Comprovadamente contribuindo para o conforto ambiental no espaço urbano, a árvore é responsável direta pela:
- Diminuição da poluição sonora (absorção de ruídos)
- Diminuição da poluição do ar (purificação do ar e retenção de partículas)
- Diminuição da poluição visual (vida cor e beleza para as ruas)
- Amortecimento climático (esfriamento do ar no verão, e diminuição do vento no inverno)
- Diminuição da exposição à irradiação solar (proteção contra câncer de pele)
- Proteção contra vendavais (diminui danos as construções)
- Bem estar físico e mental das pessoas
- Equilíbrio ecológico (sustenta flora e fauna, e diminui vetores de doenças)
- Valorização de propriedades
- Elemento visível para valorização da natureza nas novas gerações.
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).
Que árvores ajudam mais a cidade?

As arvores de grande porte. Estudos comprovam que uma árvore de grande porte tem a capacidade de esfriar o ar equivalente a quatro aparelhos de ar-condicionado, ligados 24 horas por dia.
O impacto ambiental benéfico das árvores só ocorre quando a cidade possui uma arborização extensa, presente em todas as ruas, e, principalmente, constituída por grandes exemplares.
Mas para atingir este estado elas precisam entre 30 e 40 anos de crescimento. Portanto, é muito mais racional e econômico para cidade cuidar das árvores maduras e plenas já existentes, que, por exemplo, iniciar um re-plantio.
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).
Porque as árvores na minha cidade estão sendo cortadas?

Basicamente por dois motivos: desconhecimento do valor de uma árvore, e interesses econômicos.
O desaparecimento de árvores urbanas está ocorrendo em quase todas as cidades brasileiras. Todo dia se matam, envenenam e mutilam muito mais árvores, e em número crescente, que exemplares novos são plantados.
É comum ver que quando uma casa é posta a venda ou aluguel, as árvores da calçada são cortadas para permitir maior visibilidade da placa da imobiliária. O mesmo acontece após uma reforma pelo morador, e se busca impressionar os vizinhos.
Algumas concessionárias de distribuição de energia elétrica consideram a árvore parte do custo de sua empresa, e não um patrimônio da cidade e seus moradores. Redes elétricas antigas, de cabos elétricos nus, exigem podas deformadoras nas árvores que provocam, em poucos anos, a morte de milhares de exemplares.
Observe como está se tornando raro árvores nas calçadas onde passa a rede elétrica.
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).
Porque se aceita a morte de árvores urbanas?

O desrespeito sistemático e depredatório desta floresta do asfalto, transformando árvores em esculturas dantescas por poda brutal, ou apenas num remendo na calçada, acaba por provocar uma anestesia, nos insensibilizando para o arboricídio que acontece todos os dias em nossas calçadas.
Que morador iria impedir a poda brutal de sua árvore pela empresa elétrica local? Quem questionaria o arquiteto que projetou o portão da garagem justo onde há uma árvore na calçada? Quem investiria em matar o cupim, em vez de cortar uma grande árvore?
Perdemos o espaço público, do convívio com a vizinhança. Perdemos as ruas e nos isolamos em nossas casas de muros altos, ou "seguros" apartamentos.
As ruas se tornaram um lugar perigoso também para as árvores.
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).
Quem esta tomando o espaço das árvores nas nossas ruas?

Os interesses individuais e de mercado se apropriaram negativamente de nossas ruas, que hoje são palco para:
- Lojas derrubarem árvores históricas para estacionamento, ou para destacar a fachada
- Imobiliárias envenenarem e cortarem árvores para dar visibilidade aos imóveis
- Empreendimentos substituírem áreas verdes por construções e palmeiras
- Empresas com redes elétricas antigas, que, com o fim das árvores, evitarem o custo de modernização por redes ecológicas
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).
O que é a "arborização anã"?

Uma cidade apenas com arbustos e arvoretas nas suas calçadas, com aplicação de podas de rebaixamento ou corte das árvores cuja altura superar os 5 metros...
Este é o consenso que algumas empresas de distribuição elétrica, cegas ao bem estar dos demais, estão tentando criar nas cidades onde operam.
Nas cidades que a prefeitura e os moradores adotaram esta "nova técnica de arborização urbana" estão se registrando os maiores e definitivos estragos ao seu patrimônio verde.
Este consenso adotado deixa uma arborização insuficiente até para dar sombra a uma bicicleta, mas perfeita para garantir diminuição de custos em podas e crescimento dos lucros da empresa elétrica.
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).
Como posso identificar o grau de destruição do patrimônio verde em minha cidade?

O desaparecimento dos grandes exemplares, principal "inimigo" das redes elétricas convencionais, costuma ocorrer em três etapas. E, por mais assustador que possa parecer, isto acontece com a ajuda dos próprios moradores!
Procure identificar se o patrimônio verde esta em perigo, e qual seu estágio de destruição:
Estágio 1 - Quando, em uma rua com árvores grandes, elas estiverem apenas na calçada onde não há rede elétrica. Neste estágio as podas já provocaram a deformação ou morte das árvores mais valiosas
Estágio 2 - Quando os moradores do lado da rua com rede elétrica passaram a plantar apenas árvores baixas ou artificialmente arredondadas. Neste estágio estes moradores já desistiram dos grandes exemplares mutilados, e procuram evitar que as equipes de poda da empresa elétrica estraçalhem suas novas árvores.
Estágio 3 - Quando os moradores do lado da rua sem rede elétrica, "seguindo o consenso", também trocam suas árvores pelos característicos arbustos ou árvores podadas. Neste estágio a cidade assume a arborização urbana anã: as grandes árvores desaparecem e se multiplicam os serviços de poda estética (topiaria).
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).
Quais as conseqüências da perda do patrimônio verde?

Com o desaparecimento do amortecedor climático natural há:
- Aumento do calor, inclusive a noite
- Ar mais seco e conseqüente problemas respiratórios na população
- Piora da sensação térmica de frio no inverno, causado pela falta de proteção ao vento
- Maior exposição aos raios solares, causadores do câncer de pele
- Vendavais mais fortes, e conseqüente aumento de danos as propriedades
Os mais afetados pela perda da arborização serão os moradores economicamente distantes das soluções artificiais de conforto como ar condicionado, umidicadores de ar, técnicas construtivas favoráveis, quintais e jardins.
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).
É possível recuperar o patrimônio verde perdido?

Sim.
A cidade irá necessitar de recursos, resgatar ou criar um consenso pró-arborização, uma contínua reeducação de seus moradores, e pelo menos 30 anos de trabalho para recriar, em parte, a arborização perdida.
Este texto está sob copyright da ONG TudoVerde (http://www.tudoverde.org.br/vernoticia.php?id=116).
Cidades ignoram política ambiental

Descaso com arborização urbana é exemplo da falta de estratégia municipal.
Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081213/not_imp293187,0.php
Por Alexandre Rodrigues
Mais de 90% dos municípios do País sofreram impacto de alterações ambientais nos últimos dois anos. Mas sua estrutura para políticas de ambiente ainda não é compatível com a gravidade do diagnóstico. É o que informaram prefeitos e secretários das cidades ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou ontem a Pesquisa de Informações Municipais 2008.
Embora a proporção de cidades com conselhos municipais de ambiente tenha mais do que dobrado na última década - subindo de 21,4% para 47,6% entre 1999 e 2008 -, só 1.880 dos 2.650 órgãos consultivos criados para envolver cidadãos na formulação de políticas fizeram pelo menos uma reunião nos últimos 12 meses. Se for considerado o município com conselho ativo e recurso específico para o setor, só 18,7% se enquadram nesse item. Em pouco mais de 16% há secretaria exclusiva, e a área só conta com 0,8% do total do funcionalismo municipal do País. Apenas um quarto das cidades faz licenciamento de impacto ambiental local.
Queimadas e desmatamento são as duas maiores causas de alterações ambientais freqüentes nos municípios do País. Em 2002, o assoreamento de corpos d?água, que contribui com o transbordamento de rios nas enchentes, tinha sido o impacto mais citado pelos gestores. Esse porcentual permaneceu no patamar de 53% em 2008, mas a inclusão de queimadas e desmatamento na lista fez com que essas duas categorias assumissem a dianteira, com 54,2% e 53,5%, respectivamente. Os Estados do Norte e Nordeste apontaram, proporcionalmente, mais impactos ambientais do que os do Centro-Sul.
Em média, os municípios indicaram 4,4 ocorrências de alguma alteração ambiental impactante e freqüente em 2007 e 2008. Na Região Norte, o desmatamento foi assinalado por 71% das cidades; no Nordeste, por 65%. O mesmo se repete em relação às queimadas. Como conseqüência, queixas de poluição do ar, mais ligada no passado aos grandes pólos industriais, foram mais relatadas por prefeituras da Região Norte (36,3%) do que do Sudeste industrializado (19,2%). Ao condensar os impactos ambientais que os gestores consideraram ter afetado as condições de vida de seus habitantes, as regiões Norte e Nordeste tiveram, proporcionalmente, mais cidades atingidas (24% e 20%, respectivamente) do que Sul (9%) e Sudeste (11%).
A cidade de São Paulo listou dez problemas, entre eles poluição do ar e da água, contaminação do solo e degradação de áreas protegidas. No Estado, o assoreamento de rios, que favorece enchentes, foi apontado por 58,1% das cidades. Em segundo lugar, aparecem as queimadas (50,4%), ligadas ao corte de cana, e a poluição de cursos d?água (34,9%), cujo pior exemplo é o do Rio Tietê.
SISNAMA
De acordo com especialistas, os números mostram que é necessário fortalecer órgãos municipais de ambiente. \"Muitos falham em seus objetivos de preservação por não adotarem uma gestão plena, como a responsabilidade pelo licenciamento ambiental. Fica tudo na mão do órgão estadual. Nenhum centavo obtido com a multa de um posto de gasolina irregular, por exemplo, vai para o município\", diz Clarismino Luiz Pereira Jr., presidente da Associação Nacional de Órgãos Municipais do Meio Ambiente. Para Mario Mantovani, da SOS Mata Atlântica, é hora de fortalecer o Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), que unificaria os órgãos federal, estadual e municipal. \"Isso garantiria mais verba para resolver os problemas das cidades\", diz.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Descaso ambiental pelo poder público
Avanço imobiliário ameaça água no subsolo de São Paulo
Na rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, no Itaim Bibi (zona oeste de São Paulo), três prédios em construção, quase vizinhos, competem pela atenção de potenciais compradores. Na mesma via, ao menos dois edifícios ficaram prontos nos últimos anos; outro começará a ser construído em breve.
O local é um exemplo do "boom" imobiliário que atingiu a cidade há alguns anos e que trouxe, além de novas opções de residência, prejuízos ao ambiente, como o rebaixamento do nível do lençol freático.
A redução tem causado rachaduras em imóveis, afundado o asfalto de ruas, ajudado a secar lagos e, a longo prazo, pode afetar o nível dos rios da cidade.
De 1997 a 2007, 3.179 prédios residenciais e comerciais foram construídos em São Paulo, segundo a Sempla (Secretaria Municipal de Planejamento). O líder foi o Itaim Bibi (212), na zona oeste, onde, nos últimos dez anos, o lençol freático ficou 4 m mais baixo, diz Milton Golombek, diretor da Abeg (Associação Brasileira de Empresas de Projetos e Consultoria em Engenharia Geotécnica).
A diminuição também foi percebida por ele em Moema e na Vila Mariana (ambos na zona sul), segundo e terceiro colocados em lançamentos imobiliários nos últimos dez anos.
Para construir prédios em áreas onde o lençol freático está mais próximo da superfície, as construtoras precisam drenar a água. E muitos prédios continuam bombeando essa água para a rua, mesmo depois de o imóvel estar pronto, para evitar que o subsolo, onde ficam as garagens, inunde.
Reflexo na superfície - Se grande número de prédios faz isso numa mesma região, o lençol freático não tem tempo de voltar ao nível normal. O rebaixamento gera reacomodação do solo, que reflete na superfície e causa rachaduras e fissuras em imóveis, quando o solo é de qualidade ruim.
Alguns lagos também podem secar, já que não são realimentados pela água do lençol, como ocorreu no parque Água Branca (zona oeste), há seis anos.
Não há um estudo que mostre a quantidade de água do lençol que é bombeada pelos edifícios de São Paulo, segundo a Promotoria do Meio Ambiente, que pretende entrar com ação civil pública contra a prefeitura no início de 2009, para que esse bombeamento seja controlado.
Antes de começar a fundação das obras, no entanto, as construtoras têm que analisar a profundidade da água. Foi em uma dessas medições que Golombek, que também é diretor da Consultrix, empresa que projeta fundações para a maioria das construtoras do país, notou que na rua Tabapuã, no Itaim Bibi, o lençol estava mais profundo do que há dez anos, quando executou outra obra no local.
Mina - O fato também foi percebido por Ariston Santana Pereira, 58, zelador de um prédio na rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, três ruas distante da Tabapuã. "Faz dez anos que isso aqui não vaza. Era uma mina, tinha que bombear água de hora em hora", diz, referindo-se à água do lençol freático.
As possíveis conseqüências disso no edifício são um muro rachado e um pequeno afundamento na entrada da garagem, que já teve de ser reformada pelo mesmo motivo há um ano. O asfalto da frente do prédio também foi refeito há três meses e já está empoçando água em alguns pontos devido a buracos.
Casas interditadas - Um engenheiro de uma construção na Vila Mariana, que não quis se identificar, também afirmou que, em um intervalo de três anos e seis meses, o lençol da região baixou cerca de 1 m. A observação foi feita após medições para o início de obras. De 2005 até 2007, 54 edifícios foram construídos no bairro.
Nas ruas Tumiaru, Joinville e Curitiba e na travessa Ponder, em maio de 2007, casas apresentaram rachaduras e fissuras; algumas foram interditadas. Na época, três prédios de luxo estavam sendo construídos. Hoje, as casas passam por reformas, pagas pelas construtoras. (Fonte: Talita Bedinelli/ Folha Online)
Na rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, no Itaim Bibi (zona oeste de São Paulo), três prédios em construção, quase vizinhos, competem pela atenção de potenciais compradores. Na mesma via, ao menos dois edifícios ficaram prontos nos últimos anos; outro começará a ser construído em breve.
O local é um exemplo do "boom" imobiliário que atingiu a cidade há alguns anos e que trouxe, além de novas opções de residência, prejuízos ao ambiente, como o rebaixamento do nível do lençol freático.
A redução tem causado rachaduras em imóveis, afundado o asfalto de ruas, ajudado a secar lagos e, a longo prazo, pode afetar o nível dos rios da cidade.
De 1997 a 2007, 3.179 prédios residenciais e comerciais foram construídos em São Paulo, segundo a Sempla (Secretaria Municipal de Planejamento). O líder foi o Itaim Bibi (212), na zona oeste, onde, nos últimos dez anos, o lençol freático ficou 4 m mais baixo, diz Milton Golombek, diretor da Abeg (Associação Brasileira de Empresas de Projetos e Consultoria em Engenharia Geotécnica).
A diminuição também foi percebida por ele em Moema e na Vila Mariana (ambos na zona sul), segundo e terceiro colocados em lançamentos imobiliários nos últimos dez anos.
Para construir prédios em áreas onde o lençol freático está mais próximo da superfície, as construtoras precisam drenar a água. E muitos prédios continuam bombeando essa água para a rua, mesmo depois de o imóvel estar pronto, para evitar que o subsolo, onde ficam as garagens, inunde.
Reflexo na superfície - Se grande número de prédios faz isso numa mesma região, o lençol freático não tem tempo de voltar ao nível normal. O rebaixamento gera reacomodação do solo, que reflete na superfície e causa rachaduras e fissuras em imóveis, quando o solo é de qualidade ruim.
Alguns lagos também podem secar, já que não são realimentados pela água do lençol, como ocorreu no parque Água Branca (zona oeste), há seis anos.
Não há um estudo que mostre a quantidade de água do lençol que é bombeada pelos edifícios de São Paulo, segundo a Promotoria do Meio Ambiente, que pretende entrar com ação civil pública contra a prefeitura no início de 2009, para que esse bombeamento seja controlado.
Antes de começar a fundação das obras, no entanto, as construtoras têm que analisar a profundidade da água. Foi em uma dessas medições que Golombek, que também é diretor da Consultrix, empresa que projeta fundações para a maioria das construtoras do país, notou que na rua Tabapuã, no Itaim Bibi, o lençol estava mais profundo do que há dez anos, quando executou outra obra no local.
Mina - O fato também foi percebido por Ariston Santana Pereira, 58, zelador de um prédio na rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, três ruas distante da Tabapuã. "Faz dez anos que isso aqui não vaza. Era uma mina, tinha que bombear água de hora em hora", diz, referindo-se à água do lençol freático.
As possíveis conseqüências disso no edifício são um muro rachado e um pequeno afundamento na entrada da garagem, que já teve de ser reformada pelo mesmo motivo há um ano. O asfalto da frente do prédio também foi refeito há três meses e já está empoçando água em alguns pontos devido a buracos.
Casas interditadas - Um engenheiro de uma construção na Vila Mariana, que não quis se identificar, também afirmou que, em um intervalo de três anos e seis meses, o lençol da região baixou cerca de 1 m. A observação foi feita após medições para o início de obras. De 2005 até 2007, 54 edifícios foram construídos no bairro.
Nas ruas Tumiaru, Joinville e Curitiba e na travessa Ponder, em maio de 2007, casas apresentaram rachaduras e fissuras; algumas foram interditadas. Na época, três prédios de luxo estavam sendo construídos. Hoje, as casas passam por reformas, pagas pelas construtoras. (Fonte: Talita Bedinelli/ Folha Online)
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Flamboyanzinho
domingo, 28 de dezembro de 2008
Amazônia possui 10 mil plantas com potencial econômico
26/12/2008
São espécies com princípios ativos para uso medicinal, cosmético e controle de pragas.
Chico Araújo
Brasília, DF - Mais de 10 mil espécies de plantas da Amazônia são portadoras de princípios ativos para uso medicinal, cosmético e controle biológico de pragas. A região concentra também outras 300 espécies de frutas comestíveis e uma rica fauna silvestre. Ao todo, a Amazônia guarda em suas florestas, várzeas, cerrados e rios, um total de 33 mil espécies de plantas superiores. É o que aponta o Plano de Amazônia Sustentável (PAS), lançado este ano pelo governo federal. O plano faz um diagnóstico detalhado da realidade e potenciais econômicos amazônicos.
Ainda poucos significativos em termos macroeconômicos, os produtos florestais não-madeireiros, em especial as plantas medicinais, podem se tornar, se tiverem sua exploração incentivada corretamente, em atrativa e rentável atividade econômica para os povos da Amazônia. É o caso específico das ervas e plantas com aplicação nas áreas medicinais e de cosméticos.
“Esse segmento tem tudo para crescer e se tornar uma atividade lucrativa em vários estados da Amazônia desde que se profissionalize”, prevê o pesquisador Juan Revilla Cordenas, doutor em Ciências Biológicas. Cordenas atua na área de botânica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), órgão que é referência em estudo de produtos não-madeireiros.
O pesquisador avalia que o aproveitamento dos atuais produtos florestais não-madeireiros pode significar a geração de emprego e renda para o ribeirinho, o caboclo, e melhorar a qualidade de vida das pessoas que lidam diretamente com a coleta, armazenamento e venda das plantas medicinais, por exemplo.
Cordenas avalia, no entanto, que o extrativismo a ser praticado na Amazônia deve ser planejado. “Não é a descoberta de princípios ativos de remédios — o grande interesse da indústria — que vai ajudar”, avalia. Muitas vezes, diz ele, o caboclo da Amazônia repassa seu conhecimento sobre os poderes medicinais das plantas, os laboratórios descobrem poderosos medicamentos, mas não recebe royalties algum.
Plantas de grande potencial
Em Manaus, o Inpa emprega grande dos seus recursos à pesquisa e à descoberta do potencial das plantas da Amazônia. E o resultado é surpreendente. São cerca de 300 espécies nativas da Amazônia ou nela introduzidas já catalogadas pelo instituto e com potencial para as áreas medicinal, fitoterápica, aromática e de cosméticos. “O que falta é operacionalizar a produção local de medicamentos e cosméticos com a utilização de plantas amazônicas”, diz ele.
O pesquisador Juan Cordenas é autor do livro “Plantas da Amazônia — Oportunidades Econômicas e Sustentáveis”, editado pelo Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas, em parceria com o Inpa. O livro cataloga as potencialidades comerciais de 72 espécies de plantas da Amazônia, nativas e introduzidas, que têm aplicação garantida nas áreas medicinal e de cosméticos.
Já o PAS indica uma grande variedade de produtos florestais para a alimentação. São espécies que podem ser usadas tanto no consumo próprio quanto em escala comercial. A lista inclui açaí, araçá, araticum, babaçu, bacaba, bacuri, biribá, buriti, buritirana, cacau, caju, camu-camu, cupuaçu, graviola, jambo, jenipapo, mamorana, mangaba, murici, pequi, pitanga, pupunha, sapota, taperebá, umbu e uxi.
Atualmente, alguns produtos florestais da Amazônia são comercializados em mercados nacionais: o açaí, o guaraná, as frutas tropicais — em forma de polpas, doces e sorvetes —, o palmito (pupunha e açaí), diversos fitoterápicos e fitocosméticos, o couro vegetal, o artesanato de capim dourado e o artesanato indígena.
Além desses, existem outros produtos não-madeireiros com grande valor de exportação: castanha do Brasil, jarina (o marfim vegetal), a rutila e jaborandi (princípios ativos), pau-rosa (essência de perfume), e resinas e óleos.
Para o governo, esses produtos podem alcançar nichos significativos em nível nacional. “Estes nichos podem garantir escala suficiente para prover meios de vida sustentáveis com a diversidade socioambiental amazônica”, destaca o Plano Amazônia Sustentável, quando avalia o potencial dos produtos não-madeireiros da Amazônia.
Fonte: Amazonia.org.br / Agência Amazônia.
São espécies com princípios ativos para uso medicinal, cosmético e controle de pragas.
Chico Araújo
Brasília, DF - Mais de 10 mil espécies de plantas da Amazônia são portadoras de princípios ativos para uso medicinal, cosmético e controle biológico de pragas. A região concentra também outras 300 espécies de frutas comestíveis e uma rica fauna silvestre. Ao todo, a Amazônia guarda em suas florestas, várzeas, cerrados e rios, um total de 33 mil espécies de plantas superiores. É o que aponta o Plano de Amazônia Sustentável (PAS), lançado este ano pelo governo federal. O plano faz um diagnóstico detalhado da realidade e potenciais econômicos amazônicos.
Ainda poucos significativos em termos macroeconômicos, os produtos florestais não-madeireiros, em especial as plantas medicinais, podem se tornar, se tiverem sua exploração incentivada corretamente, em atrativa e rentável atividade econômica para os povos da Amazônia. É o caso específico das ervas e plantas com aplicação nas áreas medicinais e de cosméticos.
“Esse segmento tem tudo para crescer e se tornar uma atividade lucrativa em vários estados da Amazônia desde que se profissionalize”, prevê o pesquisador Juan Revilla Cordenas, doutor em Ciências Biológicas. Cordenas atua na área de botânica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), órgão que é referência em estudo de produtos não-madeireiros.
O pesquisador avalia que o aproveitamento dos atuais produtos florestais não-madeireiros pode significar a geração de emprego e renda para o ribeirinho, o caboclo, e melhorar a qualidade de vida das pessoas que lidam diretamente com a coleta, armazenamento e venda das plantas medicinais, por exemplo.
Cordenas avalia, no entanto, que o extrativismo a ser praticado na Amazônia deve ser planejado. “Não é a descoberta de princípios ativos de remédios — o grande interesse da indústria — que vai ajudar”, avalia. Muitas vezes, diz ele, o caboclo da Amazônia repassa seu conhecimento sobre os poderes medicinais das plantas, os laboratórios descobrem poderosos medicamentos, mas não recebe royalties algum.
Plantas de grande potencial
Em Manaus, o Inpa emprega grande dos seus recursos à pesquisa e à descoberta do potencial das plantas da Amazônia. E o resultado é surpreendente. São cerca de 300 espécies nativas da Amazônia ou nela introduzidas já catalogadas pelo instituto e com potencial para as áreas medicinal, fitoterápica, aromática e de cosméticos. “O que falta é operacionalizar a produção local de medicamentos e cosméticos com a utilização de plantas amazônicas”, diz ele.
O pesquisador Juan Cordenas é autor do livro “Plantas da Amazônia — Oportunidades Econômicas e Sustentáveis”, editado pelo Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas, em parceria com o Inpa. O livro cataloga as potencialidades comerciais de 72 espécies de plantas da Amazônia, nativas e introduzidas, que têm aplicação garantida nas áreas medicinal e de cosméticos.
Já o PAS indica uma grande variedade de produtos florestais para a alimentação. São espécies que podem ser usadas tanto no consumo próprio quanto em escala comercial. A lista inclui açaí, araçá, araticum, babaçu, bacaba, bacuri, biribá, buriti, buritirana, cacau, caju, camu-camu, cupuaçu, graviola, jambo, jenipapo, mamorana, mangaba, murici, pequi, pitanga, pupunha, sapota, taperebá, umbu e uxi.
Atualmente, alguns produtos florestais da Amazônia são comercializados em mercados nacionais: o açaí, o guaraná, as frutas tropicais — em forma de polpas, doces e sorvetes —, o palmito (pupunha e açaí), diversos fitoterápicos e fitocosméticos, o couro vegetal, o artesanato de capim dourado e o artesanato indígena.
Além desses, existem outros produtos não-madeireiros com grande valor de exportação: castanha do Brasil, jarina (o marfim vegetal), a rutila e jaborandi (princípios ativos), pau-rosa (essência de perfume), e resinas e óleos.
Para o governo, esses produtos podem alcançar nichos significativos em nível nacional. “Estes nichos podem garantir escala suficiente para prover meios de vida sustentáveis com a diversidade socioambiental amazônica”, destaca o Plano Amazônia Sustentável, quando avalia o potencial dos produtos não-madeireiros da Amazônia.
Fonte: Amazonia.org.br / Agência Amazônia.
sábado, 27 de dezembro de 2008
Única Guarda Ambiental da Região acaba em 2009

Grupamento ambiental de Santo André tem base no Parque do Pedroso. Foto: Antonio Ledes
Ribeirão Pires era a única que ainda possuía guarda específica para fiscalizar meio ambiente
A única Guarda Municipal Ambiental do ABCD será extinta no próximo ano. Os vereadores de Ribeirão Pires aprovaram, em um pacotão de última hora no começo do mês, a incorporação dos nove guardas ambientais da cidade ao efetivo dos 118 GCMs (Guardas Civis Municipais).
De acordo com a Prefeitura, a extinção da guarda ambiental foi necessária para equiparação dos salários com os civis. Os nove integrantes do efetivo ambiental recebiam R$100 a mais e precisavam ter o o 2º Grau completo para se candidatar no cargo. Além de ganhar menos, os GCMs precisavam ter apenas até o 1ºGrau. A partir de agora, parte dos GCMs será destacada para um grupamento ambiental que fará o trabalho de fiscalizar as áreas de proteção de manancial.
Apesar de não ter uma guarda específica intitulada ambiental, os outros municípios afirmam disponibilizar parte dos GCMs para a função de fiscalizar as áreas de preservação ambiental. Na prática, a função de fiscalizar florestas e áreas de preservação de manancial é da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo. Mas, a Lei Específica da Billings, que chegou em setembro na Assembléia Legislativa e deve ser votada no começo de 2009, já prevê um sistema cooperado entre Estado e municípios para a fiscalização ambiental.
Em Mauá, a participação da GCM é praticamente inexistente. São apenas dois, dos 210 GCMs, para dar apoio à fiscalização ambiental. Diadema conta com oito agentes fiscalizadores, mas que não pertencem ao quadro da GCM. São funcionários da Secretaria de Meio Ambiente que, além de cuidar de denúncias, são sobrecarregados com tarefas, como poda de árvores.
São Bernardo e Rio Grande da Serra não responderam à solicitação da reportagem sobre a fiscalização ambiental municipal. No site da Prefeitura de São Bernardo, a informação é de que o trabalho é feito por integrantes da GCM treinados especificamente para a preservação ambiental. O texto não informa o número de integrantes desviados para a função, mas esclarece que são disponibilizados equipamentos especiais como barcos e viaturas.
Santo André é o município melhor equipado para a fiscalização ambiental, com 60 guardas para o setor, além de outros 22 fiscais do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André).
Apesar de não ter poder para efetuar prisões, por exemplo, o Semasa aplica multas para quem infligi leis ambientais, como derrubada de árvores sem autorização. “O trabalho é em conjunto com a polícia ambiental. Nós só podemos atuar administrativamente”, explicou a encarregada pelo Semasa do Parque do Pedroso, Daruska Cavalcante Cardim.
Mesmo tendo um dos maiores efetivos municipais para proteção ambiental, o inspetor do Grupamento Ambiental de Santo André (formado pelos GCMs), Allan Kardec de Salles, afirma que são necessários mais agentes para a proteção eficiente das áreas de manancial do município. “É insuficiente o número de guardas por conta do serviço. O Parque Andreense, por exemplo, é enorme. Precisamos de fiscalização dia e noite para impedir crimes ambientais na cidade”, explicou.
O grupamento de Santo André possui uma base fixa no Parque do Pedroso. A região de proteção ambiental era utilizada principalmente para descarte de carros roubados e corpos de pessoas assassinadas. Os casos diminuíram apenas com a devastação ambiental causada pelas obras do Trecho Sul do Rodoanel. “Com o fim de parte da mata, os locais ficaram mais expostos e os bandidos se afastaram”, explicou o inspetor.
Por: Vanessa Selicani
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Cidade campeã em desmate perde 76% de suas florestas para pecuária

22/12/2008
Local: São Paulo - SP
Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br
Mapeamento por radar apontou que o município de Uilanópolis (PA) é, dentre aqueles que figuram na lista dos 36 que mais desmatam a, aquele que perdeu a maior parte de sua floresta -76%- para dar espaço à pecuári a. As informações são do jornal Folha de São Paulo, que teve acesso a um levantamento produzido pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) que desfaz dúvidas levantadas no início do ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação às taxas oficiais de desmatamento.
Essas imagens são ainda mais precisas que as dos satélites comumente utilizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (INPE) para medir a devastação da florest a. Elas já ajudam o Ibama a localizar criadores de gado em áreas desmatadas ilegalmente e que sofreram embargo da atividade econômic a. A estimativa é que haja mais de 500 mil cabeças de gado em áreas desmatadas ilegalmente e que desrespeitaram o bloqueio de produção.
As tendências de desmatamento na Amazônia foram debatidas na semana passada em seminário realizado na capital federal. O Maranhão passou a integrar o grupo de estados que mais desmatam. Lá, a destruição está associada à produção de carvão vegetal. Os estados do Pará e Mato Grosso ainda lideram o ranking dos mais devastadores.
Os radares do Sipam rastrearam um território de cerca de 780 mil quilômetros quadrados entre os meses de março e outubro. Entre os 36 municípios da lista, sete já perderam mais da metade de suas florestas, embora a lei fixe o limite de desmatamento na região em 20% das propriedades. 19 das cidades da lista estão em Mato Grosso. O governador local, Blairo Maggi (PR), foi quem mais contestou os dados do Inpe quando o instituto apontou o aumento no ritmo do desmatamento na Amazôni a.
domingo, 21 de dezembro de 2008
Vinte anos sem Chico Mendes
A APC presta sua homenagem a este grande cidadão brasileiro, que deu sua vida defendendo a população pobre do ACRE e a Amazônia.
Pena que até agora vinte anos depois o governo brasileiro se omite e faz vistas grossas a destruição da maior floresta do mundo.
Há vinte anos era assassinado o grande líder ecologista Chico Mendes. Um mês antes ele estivera no Rio junto com os verdes na manifestação Salve a Amazônia.

Apagando simbolicamente o fogo das queimadas.
Conheci o Chico Mendes em Xapuri, em 1987. Estava organizado o PV no Acre e fui a Xapuri encontrá-lo. Foi uma amizade intensa, instantânea, e um pacto imediato de apoio nosso à luta dos seringueiros que, na nossa ótica, representava a junção das lutas sociais e ambientais. Voltando ao Rio passei a montar uma rede de apoio ao Chico Mendes que logo veio ao Rio e participou de um encontro dos verdes em Petrópolis. Nessa época apresentei o Chico a João Augusto Fortes e alguns outros empresários que começavam a se interessar pela causa verde. João já sonhava em ajudar os seringueiros a criar produtos de latex que pudessem ser comercializados e sustentar as reservas extrativistas.
Nessa época fiz uma entrevistas com o Chico para o JB que não quis publica-la. O editor de então dizia que tinha mais interesse nos garimperos do que nos seringueiros. Com raiva lhe respondi que possivelmente se interessaria por ele quanto fosse assassinado. Tinha uma constante preocupação com o Chico que estava ameaçado de morte por vários pecuaristas que tinha impedido de amoliar sua "fronteira de pasto" realizando "empates". Um deles, Darli Alves, parecia o mais perigoso. O mais preocupante é que parecia haver um ligação da Policia Federal, supostamente lá para protegê-lo, com os fazendeiros inclusive Darli. O Conselho Nacional de Serigneiros descobriu que ele tinha crimes de morte no Paraná, inclusive um mandado de prisão. A informação foi vazada para ele que foi se esconder e jurou de morte o Chico que considerava responsável pela revelação de seus antecedentes.
No Rio, logo depois das eleições de novembro de 88, organizamos um grande ato chamado Salve a Amazônia consistia numa maratona andando, correndo e pedalando do Jardim Botânico ao Monumento a Estácio de Sá, no Aterro do Flamengo e a colocação de um imenso pano de juta com os dizeres Salve a Amazônia. Foi uma manifestação notável da qual tenho muitas imagens até hoje. Vejo e revejo as cenas: Betinho, Lucélia Santos, John Neschling, Gabeira, Minc, Nei Matogrosso, Luise Cardoso. Há uma cena do Chico conversando comigo no meu velho Opala verde oliva quando nos dirigíamos ao bondinho do Pão de Açucar. Falavamos sobre seus problemas de segurança e ele admitindo o perigo que representava o tal Darli Alves. Eu tentando convencê-lo a ficar no Rio até que conseguissimos fundos para contratar um grupo de seguranças particulares pois, pelas histórias que ele contava, os policiais que o protegiam eram pouco confiáveis. A certa altura achei que o tinha convencido. Nossas amigas Rosa e Dora também faziam pressão nesse sentido. O Chico decidiu ficar no Rio. Depois por pressão da esposa que ficara sozinha --queríamos trazer a familia dele também-- ele decidiu passar o Natal em Xapuri.
Um mês depois foi assassinado. Tornou-se um mártir internacional da causa ecológica, um símbolo, uma bandeira de luta mas a perda foi irreparável. Era um ser humano extraordinário:generoso, sensível, divertido e um dos poucos quadros capazes de unificar em torno de uma causa comum setores díspares:serigueiros, índios, ecologistas, ambientalistas norte-americanos, PT, PV, etc...Não se encontrou mais um líder com as mesmas características. A causa da Amazônia tornou-se internacional com a repercussão de sua morte mas penso que teria feito muito mais, vivo. De qualquer jeito, aos que ficamos fica também a obrigação de não deixar que sua morte tenha sido em vão e isso hoje se expressa na luta para que o Brasil assuma metas de redução de queimadas e desmatamentos.
Passaram já vinte anos do assassinato de Chico Mendes e do escândalo internacional decorrente, nada é capaz de afastar essa horrenda sensação de que talvez ele tenha morrido em vão. A pecuária, as monoculturas, a extração de madeira predatória e os assentamentos e “colonização”, cinicamente apresentados como “reforma agrária” na região amazônica, vêm agravando o quadro sem tréguas. Os ganho econômico e os avanços sociais vinculados a esses tipos de atividade são efêmeros e perversos: a péssima qualidade do pasto, o baixo preço e o enorme desperdício da madeira extraída, as dificuldades para a exploração agrícola, os ganhos econômicos e sociais predatórios, de curtíssimo prazo, sem sustentabilidade, que vaticinam uma catástrofe de implicações planetárias, ainda no horizonte de vida de nossos filhos e netos. Isso sem falar do drama atual, das cidades infestadas de fumaça, dos aeroportos fechados, das culturas tradicionais destruídas, da biodiversidade exterminada.

No Salve a Amazônia: Nei Matogrosso, Sirkis e, à esquerda, Chico.
Até hoje a economia vem jogando constantemente contra a ecologia, na região amazônica. A única chance de reverter esse processo de devastação., de conseqüências planetárias é viabilizar um ciclo econômico sustentável de extrativismo não predatório, ecoturismo e exploração inteligente das imensas possibilidades vinculadas à biodiversidade Implementar o zoneamento ecológico e econômico da região e, sobretudo, estimular outras alternativas econômicas, inclusive nas cidades amazônicas. Existe, em tese, a possibilidade de exploração sustentável da madeira, como também da mineração, mas é preciso que se diga, alto e em bom tom, que ela é totalmente inviável no atual contexto político local, no presente estado de coisas institucional, psicossocial, cultural e técnico da região. Sem fiscalização eficaz, sem empresas minimamente responsáveis, sem instituições locais confiáveis, sem conscientização, sem organização social, num contexto totalmente dominado pelo coronelismo truculento e a corrupção, qualquer idéia de manejo sustentável, quer em áreas particulares, quer em concessões, no interior de florestas nacionais é empulhação e propaganda enganosa. Atualmente o IBAMA não tem, nem de longe, os meios e, muito raramente, a vontade política necessária para fazer frente à situação.
O que cabe neste momento, na Amazônia, é um bom “freio de arrumação”. Uma moratória por cinco anos da extração nas áreas consideradas críticas, a expulsão das madeireiras asiáticas e uma estratégia de repressão combinada com uma assistência direta do poder público aos socialmente atingidos, com a criação de um subsídio para o não-desmatamento. Podem ser criadas frentes de trabalho onde os atuais cortadores de árvores sejam remunerados para recuperar áreas degradadas. É necessário quantificar essa ação e definir as zonas prioritárias. Salvar a Amazônia, permitindo ganhar tempo para um futuro desenvolvimento sustentável, certamente não sairá mais caro do que salvar um punhado de bancos falidos. Recursos internacionais seriam mais facilmente captados e melhor gastos nesse contexto.
É dever constitucional do Presidente solicitar o concurso das Forças Armadas para deter a destruição desta parte ameaçada da Pátria que é o ecossistema amazônico, com conseqüências planetárias. O Brasil aparece como o quarto maior emissor de CO2 em função das queimadas.Das instituições nacionais apenas elas têm a capacidade operacional para monitorar e controlar uma região tão vasta. Esses operações devem abranger a proteção à fiscalização do IBAMA, reforçada por outros órgãos, a dissuasão à eventual resistência das máfias locais, a destruição, no próprio local, de todos equipamentos usados na devastação ilegal, a prisão dos responsáveis. O governo brasileiro precisa anunciar ao mundo, com vistas à conferencia de Copenhagen, no final de 2009, sua disposição de estabelecer objetivos de redução de suas emissões decorrentes da devastação das florestas e iniciar logo a execução do plano que anunciou em final de novembro. Há vinte anos da morte do herói Chico Mendes essa é a única homenagem digna que se lhe pode prestar.
Fonte: Alfredo Sirkis.
Pena que até agora vinte anos depois o governo brasileiro se omite e faz vistas grossas a destruição da maior floresta do mundo.
Há vinte anos era assassinado o grande líder ecologista Chico Mendes. Um mês antes ele estivera no Rio junto com os verdes na manifestação Salve a Amazônia.

Apagando simbolicamente o fogo das queimadas.
Conheci o Chico Mendes em Xapuri, em 1987. Estava organizado o PV no Acre e fui a Xapuri encontrá-lo. Foi uma amizade intensa, instantânea, e um pacto imediato de apoio nosso à luta dos seringueiros que, na nossa ótica, representava a junção das lutas sociais e ambientais. Voltando ao Rio passei a montar uma rede de apoio ao Chico Mendes que logo veio ao Rio e participou de um encontro dos verdes em Petrópolis. Nessa época apresentei o Chico a João Augusto Fortes e alguns outros empresários que começavam a se interessar pela causa verde. João já sonhava em ajudar os seringueiros a criar produtos de latex que pudessem ser comercializados e sustentar as reservas extrativistas.
Nessa época fiz uma entrevistas com o Chico para o JB que não quis publica-la. O editor de então dizia que tinha mais interesse nos garimperos do que nos seringueiros. Com raiva lhe respondi que possivelmente se interessaria por ele quanto fosse assassinado. Tinha uma constante preocupação com o Chico que estava ameaçado de morte por vários pecuaristas que tinha impedido de amoliar sua "fronteira de pasto" realizando "empates". Um deles, Darli Alves, parecia o mais perigoso. O mais preocupante é que parecia haver um ligação da Policia Federal, supostamente lá para protegê-lo, com os fazendeiros inclusive Darli. O Conselho Nacional de Serigneiros descobriu que ele tinha crimes de morte no Paraná, inclusive um mandado de prisão. A informação foi vazada para ele que foi se esconder e jurou de morte o Chico que considerava responsável pela revelação de seus antecedentes.
No Rio, logo depois das eleições de novembro de 88, organizamos um grande ato chamado Salve a Amazônia consistia numa maratona andando, correndo e pedalando do Jardim Botânico ao Monumento a Estácio de Sá, no Aterro do Flamengo e a colocação de um imenso pano de juta com os dizeres Salve a Amazônia. Foi uma manifestação notável da qual tenho muitas imagens até hoje. Vejo e revejo as cenas: Betinho, Lucélia Santos, John Neschling, Gabeira, Minc, Nei Matogrosso, Luise Cardoso. Há uma cena do Chico conversando comigo no meu velho Opala verde oliva quando nos dirigíamos ao bondinho do Pão de Açucar. Falavamos sobre seus problemas de segurança e ele admitindo o perigo que representava o tal Darli Alves. Eu tentando convencê-lo a ficar no Rio até que conseguissimos fundos para contratar um grupo de seguranças particulares pois, pelas histórias que ele contava, os policiais que o protegiam eram pouco confiáveis. A certa altura achei que o tinha convencido. Nossas amigas Rosa e Dora também faziam pressão nesse sentido. O Chico decidiu ficar no Rio. Depois por pressão da esposa que ficara sozinha --queríamos trazer a familia dele também-- ele decidiu passar o Natal em Xapuri.
Um mês depois foi assassinado. Tornou-se um mártir internacional da causa ecológica, um símbolo, uma bandeira de luta mas a perda foi irreparável. Era um ser humano extraordinário:generoso, sensível, divertido e um dos poucos quadros capazes de unificar em torno de uma causa comum setores díspares:serigueiros, índios, ecologistas, ambientalistas norte-americanos, PT, PV, etc...Não se encontrou mais um líder com as mesmas características. A causa da Amazônia tornou-se internacional com a repercussão de sua morte mas penso que teria feito muito mais, vivo. De qualquer jeito, aos que ficamos fica também a obrigação de não deixar que sua morte tenha sido em vão e isso hoje se expressa na luta para que o Brasil assuma metas de redução de queimadas e desmatamentos.
Passaram já vinte anos do assassinato de Chico Mendes e do escândalo internacional decorrente, nada é capaz de afastar essa horrenda sensação de que talvez ele tenha morrido em vão. A pecuária, as monoculturas, a extração de madeira predatória e os assentamentos e “colonização”, cinicamente apresentados como “reforma agrária” na região amazônica, vêm agravando o quadro sem tréguas. Os ganho econômico e os avanços sociais vinculados a esses tipos de atividade são efêmeros e perversos: a péssima qualidade do pasto, o baixo preço e o enorme desperdício da madeira extraída, as dificuldades para a exploração agrícola, os ganhos econômicos e sociais predatórios, de curtíssimo prazo, sem sustentabilidade, que vaticinam uma catástrofe de implicações planetárias, ainda no horizonte de vida de nossos filhos e netos. Isso sem falar do drama atual, das cidades infestadas de fumaça, dos aeroportos fechados, das culturas tradicionais destruídas, da biodiversidade exterminada.

No Salve a Amazônia: Nei Matogrosso, Sirkis e, à esquerda, Chico.
Até hoje a economia vem jogando constantemente contra a ecologia, na região amazônica. A única chance de reverter esse processo de devastação., de conseqüências planetárias é viabilizar um ciclo econômico sustentável de extrativismo não predatório, ecoturismo e exploração inteligente das imensas possibilidades vinculadas à biodiversidade Implementar o zoneamento ecológico e econômico da região e, sobretudo, estimular outras alternativas econômicas, inclusive nas cidades amazônicas. Existe, em tese, a possibilidade de exploração sustentável da madeira, como também da mineração, mas é preciso que se diga, alto e em bom tom, que ela é totalmente inviável no atual contexto político local, no presente estado de coisas institucional, psicossocial, cultural e técnico da região. Sem fiscalização eficaz, sem empresas minimamente responsáveis, sem instituições locais confiáveis, sem conscientização, sem organização social, num contexto totalmente dominado pelo coronelismo truculento e a corrupção, qualquer idéia de manejo sustentável, quer em áreas particulares, quer em concessões, no interior de florestas nacionais é empulhação e propaganda enganosa. Atualmente o IBAMA não tem, nem de longe, os meios e, muito raramente, a vontade política necessária para fazer frente à situação.
O que cabe neste momento, na Amazônia, é um bom “freio de arrumação”. Uma moratória por cinco anos da extração nas áreas consideradas críticas, a expulsão das madeireiras asiáticas e uma estratégia de repressão combinada com uma assistência direta do poder público aos socialmente atingidos, com a criação de um subsídio para o não-desmatamento. Podem ser criadas frentes de trabalho onde os atuais cortadores de árvores sejam remunerados para recuperar áreas degradadas. É necessário quantificar essa ação e definir as zonas prioritárias. Salvar a Amazônia, permitindo ganhar tempo para um futuro desenvolvimento sustentável, certamente não sairá mais caro do que salvar um punhado de bancos falidos. Recursos internacionais seriam mais facilmente captados e melhor gastos nesse contexto.
É dever constitucional do Presidente solicitar o concurso das Forças Armadas para deter a destruição desta parte ameaçada da Pátria que é o ecossistema amazônico, com conseqüências planetárias. O Brasil aparece como o quarto maior emissor de CO2 em função das queimadas.Das instituições nacionais apenas elas têm a capacidade operacional para monitorar e controlar uma região tão vasta. Esses operações devem abranger a proteção à fiscalização do IBAMA, reforçada por outros órgãos, a dissuasão à eventual resistência das máfias locais, a destruição, no próprio local, de todos equipamentos usados na devastação ilegal, a prisão dos responsáveis. O governo brasileiro precisa anunciar ao mundo, com vistas à conferencia de Copenhagen, no final de 2009, sua disposição de estabelecer objetivos de redução de suas emissões decorrentes da devastação das florestas e iniciar logo a execução do plano que anunciou em final de novembro. Há vinte anos da morte do herói Chico Mendes essa é a única homenagem digna que se lhe pode prestar.
Fonte: Alfredo Sirkis.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Cidades ignoram política ambiental
Mais de 90% registraram alteração no meio ambiente, mas só 18,7% têm conselho ativo e verba para o setor
Alexandre Rodrigues
Mais de 90% dos municípios do País sofreram impacto de alterações ambientais nos últimos dois anos. Mas sua estrutura para políticas de ambiente ainda não é compatível com a gravidade do diagnóstico. É o que informaram prefeitos e secretários das cidades ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou ontem a Pesquisa de Informações Municipais 2008.
Embora a proporção de cidades com conselhos municipais de ambiente tenha mais do que dobrado na última década - subindo de 21,4% para 47,6% entre 1999 e 2008 -, só 1.880 dos 2.650 órgãos consultivos criados para envolver cidadãos na formulação de políticas fizeram pelo menos uma reunião nos últimos 12 meses. Se for considerado o município com conselho ativo e recurso específico para o setor, só 18,7% se enquadram nesse item. Em pouco mais de 16% há secretaria exclusiva, e a área só conta com 0,8% do total do funcionalismo municipal do País. Apenas um quarto das cidades faz licenciamento de impacto ambiental local.
Queimadas e desmatamento são as duas maiores causas de alterações ambientais freqüentes nos municípios do País. Em 2002, o assoreamento de corpos d?água, que contribui com o transbordamento de rios nas enchentes, tinha sido o impacto mais citado pelos gestores. Esse porcentual permaneceu no patamar de 53% em 2008, mas a inclusão de queimadas e desmatamento na lista fez com que essas duas categorias assumissem a dianteira, com 54,2% e 53,5%, respectivamente. Os Estados do Norte e Nordeste apontaram, proporcionalmente, mais impactos ambientais do que os do Centro-Sul.
Em média, os municípios indicaram 4,4 ocorrências de alguma alteração ambiental impactante e freqüente em 2007 e 2008. Na Região Norte, o desmatamento foi assinalado por 71% das cidades; no Nordeste, por 65%. O mesmo se repete em relação às queimadas. Como conseqüência, queixas de poluição do ar, mais ligada no passado aos grandes pólos industriais, foram mais relatadas por prefeituras da Região Norte (36,3%) do que do Sudeste industrializado (19,2%). Ao condensar os impactos ambientais que os gestores consideraram ter afetado as condições de vida de seus habitantes, as regiões Norte e Nordeste tiveram, proporcionalmente, mais cidades atingidas (24% e 20%, respectivamente) do que Sul (9%) e Sudeste (11%).
A cidade de São Paulo listou dez problemas, entre eles poluição do ar e da água, contaminação do solo e degradação de áreas protegidas. No Estado, o assoreamento de rios, que favorece enchentes, foi apontado por 58,1% das cidades. Em segundo lugar, aparecem as queimadas (50,4%), ligadas ao corte de cana, e a poluição de cursos d?água (34,9%), cujo pior exemplo é o do Rio Tietê.
SISNAMA
De acordo com especialistas, os números mostram que é necessário fortalecer órgãos municipais de ambiente. "Muitos falham em seus objetivos de preservação por não adotarem uma gestão plena, como a responsabilidade pelo licenciamento ambiental. Fica tudo na mão do órgão estadual. Nenhum centavo obtido com a multa de um posto de gasolina irregular, por exemplo, vai para o município", diz Clarismino Luiz Pereira Jr., presidente da Associação Nacional de Órgãos Municipais do Meio Ambiente. Para Mario Mantovani, da SOS Mata Atlântica, é hora de fortalecer o Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), que unificaria os órgãos federal, estadual e municipal. "Isso garantiria mais verba para resolver os problemas das cidades", diz.
Alexandre Rodrigues
Mais de 90% dos municípios do País sofreram impacto de alterações ambientais nos últimos dois anos. Mas sua estrutura para políticas de ambiente ainda não é compatível com a gravidade do diagnóstico. É o que informaram prefeitos e secretários das cidades ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou ontem a Pesquisa de Informações Municipais 2008.
Embora a proporção de cidades com conselhos municipais de ambiente tenha mais do que dobrado na última década - subindo de 21,4% para 47,6% entre 1999 e 2008 -, só 1.880 dos 2.650 órgãos consultivos criados para envolver cidadãos na formulação de políticas fizeram pelo menos uma reunião nos últimos 12 meses. Se for considerado o município com conselho ativo e recurso específico para o setor, só 18,7% se enquadram nesse item. Em pouco mais de 16% há secretaria exclusiva, e a área só conta com 0,8% do total do funcionalismo municipal do País. Apenas um quarto das cidades faz licenciamento de impacto ambiental local.
Queimadas e desmatamento são as duas maiores causas de alterações ambientais freqüentes nos municípios do País. Em 2002, o assoreamento de corpos d?água, que contribui com o transbordamento de rios nas enchentes, tinha sido o impacto mais citado pelos gestores. Esse porcentual permaneceu no patamar de 53% em 2008, mas a inclusão de queimadas e desmatamento na lista fez com que essas duas categorias assumissem a dianteira, com 54,2% e 53,5%, respectivamente. Os Estados do Norte e Nordeste apontaram, proporcionalmente, mais impactos ambientais do que os do Centro-Sul.
Em média, os municípios indicaram 4,4 ocorrências de alguma alteração ambiental impactante e freqüente em 2007 e 2008. Na Região Norte, o desmatamento foi assinalado por 71% das cidades; no Nordeste, por 65%. O mesmo se repete em relação às queimadas. Como conseqüência, queixas de poluição do ar, mais ligada no passado aos grandes pólos industriais, foram mais relatadas por prefeituras da Região Norte (36,3%) do que do Sudeste industrializado (19,2%). Ao condensar os impactos ambientais que os gestores consideraram ter afetado as condições de vida de seus habitantes, as regiões Norte e Nordeste tiveram, proporcionalmente, mais cidades atingidas (24% e 20%, respectivamente) do que Sul (9%) e Sudeste (11%).
A cidade de São Paulo listou dez problemas, entre eles poluição do ar e da água, contaminação do solo e degradação de áreas protegidas. No Estado, o assoreamento de rios, que favorece enchentes, foi apontado por 58,1% das cidades. Em segundo lugar, aparecem as queimadas (50,4%), ligadas ao corte de cana, e a poluição de cursos d?água (34,9%), cujo pior exemplo é o do Rio Tietê.
SISNAMA
De acordo com especialistas, os números mostram que é necessário fortalecer órgãos municipais de ambiente. "Muitos falham em seus objetivos de preservação por não adotarem uma gestão plena, como a responsabilidade pelo licenciamento ambiental. Fica tudo na mão do órgão estadual. Nenhum centavo obtido com a multa de um posto de gasolina irregular, por exemplo, vai para o município", diz Clarismino Luiz Pereira Jr., presidente da Associação Nacional de Órgãos Municipais do Meio Ambiente. Para Mario Mantovani, da SOS Mata Atlântica, é hora de fortalecer o Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), que unificaria os órgãos federal, estadual e municipal. "Isso garantiria mais verba para resolver os problemas das cidades", diz.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
O ano da estupidez: ficção que poderá tornar-se realidade?
Por Juliana Radler, especial para a Envolverde/Rebia
Estamos em 2055. O Ártico não é mais uma paisagem repleta de brancas geleiras. Transformou-se num longo oceano de ondas e marés. No meio desse oceano ergue-se uma enorme torre futurista onde o único habitante é um homem guardião dos resquícios de nossa civilização, interpretado pelo grande ator inglês Pete Postlethwaite (Jurassic Park, Em nome do pai, Alien, O Jardineiro Fiel, entre outros). O filme "The Age of Stupid" (O ano da estupidez), um misto de documentário com ficção, teve sua premier durante a Conferência de Mudanças Climáticas da ONU, que ocorre em Poznan, na Polônia, até o dia 12 de dezembro.
Produção totalmente independente dirigida pela jovem britânica Franny Armstrong, o filme que levou quatro anos para ser finalizado, tem como meta ser visto por 250 milhões de pessoas até a próxima conferência do Clima que ocorrerá na Dinamarca no fim de 2009. Durante esse período, os realizadores em parceria com organizações não governamentais, institutos de pesquisa e pessoas ao redor do mundo engajadas na questão ambiental, esperam pressionar governos e sensibilizar a opinião pública para a necessidade de termos um compromisso eficaz na redução dos gases causadores do efeito estufa. "É a minha contribuição para a questão climática", ressaltou Armstrong.
Através da história de vida de seis personagens reais, Postlethwaite vai narrando a nossa incapacidade de mudar hábitos destrutivos, de adotar novas formas de energia limpas e renováveis e, sobretudo, de ir contra o consumismo e o poder das grandes corporações. A busca por lucros crescentes às custas da degradação ambiental e da exploração dos habitantes dos países mais pobres é mostrada, por exemplo, com o caso da Shell na Nigéria. Lafeya Malin é uma nigeriana que vivia da pesca em seu vilarejo até a chegada da Shell. Com a contaminação dos rios e a total destruição do meio ambiente local, Malin passa a atuar no mercado negro do diesel surgido justamente com a chegada da corporação. Sem cumprir seus compromissos de reduzir o impacto ambiental local e investir em projetos sociais junto às comunidades, a Shell deixou um rastro sujo, que custou a vida de centenas de nigerianos mortos no típico silêncio das mortes dos pobres do mundo.
Na outra ponta, o filme mostra também o desenvolvimento econômico das economias emergentes e como a sede de lucros também nos levou à catástrofe. O executivo indiano Jeh Wadia foi acompanhado pela equipe de Armstrong durante o período de aprovação de sua companhia aérea, a "Go Air", cujo objetivo é oferecer tarifas irrisórias para vôos domésticos na Índia. "Temos 50 milhões de indianos andando de trem diariamente na Índia. Queremos que uma parcela dessas pessoas passe a andar de avião", afirma Wadia no filme, ignorando o fato de que o setor de aviação é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa.
São, enfim, histórias de vida reais. Documentários vistos no futuro pelo guardião dos nossos vestígios, que, indignado, questiona-se: "Nós poderíamos ter salvado a nós mesmos, mas não o fizemos. É espantoso. Em que estado mental nos encontrávamos para estar diante da extinção e simplesmente dar de ombros, ignorar?"
Depois do documentário "Uma verdade inconveniente", de Al Gore, que sensibilizou milhares de pessoas para os riscos das mudanças climáticas, "O ano da estupidez" espera ser um sinal de alerta, uma sirene tocando alto em 2009 até a decisiva conferência do Clima de Copenhagem, onde serão traçadas as estratégias futuras para conter as mudanças climáticas. Esperamos não ser lembrados como os estúpidos e irracionais que na ânsia do consumo e da riqueza não fomos capazes de mudar, de nos tornarmos sustentáveis e preservamos a nossa própria espécie. Como coloca o filósofo alemão Hans Jonas, em seu imperativo ético relacionado à evolução da tecnociência: "Aja de tal maneira que os efeitos de tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma vida humana autêntica" ou formulado negativamente "não ponhas em perigo a continuidade indefinida da humanidade na Terra".
Mais informações sobre o filme em http://www.ageofstupid.net ou http://www.greenpeace.org/kyoto.
Estamos em 2055. O Ártico não é mais uma paisagem repleta de brancas geleiras. Transformou-se num longo oceano de ondas e marés. No meio desse oceano ergue-se uma enorme torre futurista onde o único habitante é um homem guardião dos resquícios de nossa civilização, interpretado pelo grande ator inglês Pete Postlethwaite (Jurassic Park, Em nome do pai, Alien, O Jardineiro Fiel, entre outros). O filme "The Age of Stupid" (O ano da estupidez), um misto de documentário com ficção, teve sua premier durante a Conferência de Mudanças Climáticas da ONU, que ocorre em Poznan, na Polônia, até o dia 12 de dezembro.
Produção totalmente independente dirigida pela jovem britânica Franny Armstrong, o filme que levou quatro anos para ser finalizado, tem como meta ser visto por 250 milhões de pessoas até a próxima conferência do Clima que ocorrerá na Dinamarca no fim de 2009. Durante esse período, os realizadores em parceria com organizações não governamentais, institutos de pesquisa e pessoas ao redor do mundo engajadas na questão ambiental, esperam pressionar governos e sensibilizar a opinião pública para a necessidade de termos um compromisso eficaz na redução dos gases causadores do efeito estufa. "É a minha contribuição para a questão climática", ressaltou Armstrong.
Através da história de vida de seis personagens reais, Postlethwaite vai narrando a nossa incapacidade de mudar hábitos destrutivos, de adotar novas formas de energia limpas e renováveis e, sobretudo, de ir contra o consumismo e o poder das grandes corporações. A busca por lucros crescentes às custas da degradação ambiental e da exploração dos habitantes dos países mais pobres é mostrada, por exemplo, com o caso da Shell na Nigéria. Lafeya Malin é uma nigeriana que vivia da pesca em seu vilarejo até a chegada da Shell. Com a contaminação dos rios e a total destruição do meio ambiente local, Malin passa a atuar no mercado negro do diesel surgido justamente com a chegada da corporação. Sem cumprir seus compromissos de reduzir o impacto ambiental local e investir em projetos sociais junto às comunidades, a Shell deixou um rastro sujo, que custou a vida de centenas de nigerianos mortos no típico silêncio das mortes dos pobres do mundo.
Na outra ponta, o filme mostra também o desenvolvimento econômico das economias emergentes e como a sede de lucros também nos levou à catástrofe. O executivo indiano Jeh Wadia foi acompanhado pela equipe de Armstrong durante o período de aprovação de sua companhia aérea, a "Go Air", cujo objetivo é oferecer tarifas irrisórias para vôos domésticos na Índia. "Temos 50 milhões de indianos andando de trem diariamente na Índia. Queremos que uma parcela dessas pessoas passe a andar de avião", afirma Wadia no filme, ignorando o fato de que o setor de aviação é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa.
São, enfim, histórias de vida reais. Documentários vistos no futuro pelo guardião dos nossos vestígios, que, indignado, questiona-se: "Nós poderíamos ter salvado a nós mesmos, mas não o fizemos. É espantoso. Em que estado mental nos encontrávamos para estar diante da extinção e simplesmente dar de ombros, ignorar?"
Depois do documentário "Uma verdade inconveniente", de Al Gore, que sensibilizou milhares de pessoas para os riscos das mudanças climáticas, "O ano da estupidez" espera ser um sinal de alerta, uma sirene tocando alto em 2009 até a decisiva conferência do Clima de Copenhagem, onde serão traçadas as estratégias futuras para conter as mudanças climáticas. Esperamos não ser lembrados como os estúpidos e irracionais que na ânsia do consumo e da riqueza não fomos capazes de mudar, de nos tornarmos sustentáveis e preservamos a nossa própria espécie. Como coloca o filósofo alemão Hans Jonas, em seu imperativo ético relacionado à evolução da tecnociência: "Aja de tal maneira que os efeitos de tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma vida humana autêntica" ou formulado negativamente "não ponhas em perigo a continuidade indefinida da humanidade na Terra".
Mais informações sobre o filme em http://www.ageofstupid.net ou http://www.greenpeace.org/kyoto.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Ninho abandonado após poda mutilante na Av.Portugal-Santo André




Gostaria de falar sobre coisas boas, avanços ecológicos, sensibilização ambiental, melhora na política, na saúde, no respeito com o ser humano. Mas está difícil.Se o ser humano não mudar urgente a forma de pensar e agir, a natureza vai cobrar o preço da degradação. Isso é claro e certo!
Precisamos assumir responsabilidades, discutir soluções e deixar de lavar as mãos ("eu não quero nem saber")! Conclamamos as pessoas, inconformadas com essa situação a ajudar nessa batalha! Não é preciso fazer muito, mas é necessário fazer alguma coisa.
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