sexta-feira, 6 de julho de 2007

Veneno para formiga pode ter matado pássaros



Isis Mastromano Correia (Diário do Grande ABC)

A morte de pássaros no Parque Central, em Santo André, nos últimos dias, levantou a desconfiança dos freqüentadores do espaço verde de que um veneno utilizado para exterminar formigas e cupins possa tê-los envenenado. Desde 15 de maio, o Depav (Departamento de Parques e Áreas Verdes) está detetizando a área. "Muitas aves comem os insetos. Suspeitamos que possam ter se contaminado ao procurar alimento", acredita a aposentada Claudete Sarapu, da ONG Amigos do Parque Central.
A organização aponta como agravante a dedetização ter sido feita em tocas próximas aos lagos e também a ninhos de corujas-buraqueiras – espécie que não se aloja em árvores e, sim, em orifícios no solo, próximos aos formigueiros e cupinzeiros.
O presidente da Amigos do Parque Central, José Carlos Vieira, conta que, depois que o veneno foi passado, foram flagradas três espécies de aves mortas – sábia, anu e outra não identificada. "Estavam com o corpo todo seco", descreve.
De acordo com o gerente de manutenção de Áreas Verdes, Sérgio Paulo Marques, a dedetização foi feita a pedido dos usuários do parque. "O pessoal sentava no gramado e era atacado pelas formigas", explica. "O cupim ataca a vegetação e estava se multiplicando muito", completa.
No entanto, a coordenadora do Núcleo da Agência Ambiental da Universidade Metodista, Waverly Neuberger, alerta sobre as "incômodas" picadas dos insetos. "Elas fazem parte da experiência de se visitar uma área verde. Me assusta as pessoas quererem encontrar num parque um ambiente estéril", diz.
A engenheira agrônoma do Depav, Silvia Maria Benetti, diz que o inseticida utilizado perde o efeito depois de sete dias. As últimas aplicações foram feitas na semana passada. "O inseticida poderia intoxicar uma ave, mas não levar à morte", considera. "Para termos certeza, os pássaros deveriam ter sido analisados."
A ONG levará amostras de solo envenenado para serem verificadas em um instituto especializado.
Caçada - Falta de sossego também para os patos do Parque Central. E não se trata de nenhum tipo de veneno e, sim, de gente disposta à caçá-los. "Algumas pessoas vêm até com estilingue", diz a técnica em nutrição Cristina Gamba, membro da ONG Amigos do Parque Central. "Uma vez ofereceram dinheiro para um homem comprar um frango e deixar o pato de lado, mas ele respondeu que o problema não era dinheiro, ele queria mesmo era comer o bichinho!", relata.
O gerente de manutenção de Áreas Verdes disse não ter registrada nenhuma reclamação sobre a caçada e que suspeitos devem ser acusados pelos usuários, na guarita, na entrada do parque.

2 comentários:

Amigos do Parque Central disse...

Com relação ao que foi dito pelo pessoal do DEPAV na reportagem, acho que temos que exigir um livro de ocorrências para que possamos registrá-las. Eu reclamo naquela guarita quase todos os dias, no entanto, eles dizem que não há reclamações. Já fiz o pedido, informalmente, desse livro ao comando da polícia civil naquela reunião do plenário, mas não adiantou.



Com relação aos animais que encontrarmos mortos, temos que embalá-los em plástico e colocar em freezer ou encaminhar direto para o laboratório ( Adolpho Lutz ou Instituto Biológico).



Bom fim de semana !!!

Texto de Mauro

francisco disse...

Árvore faz muita sujeira
por Duilio Ferronato

A rua fica forrada de flores. Alguns vizinhos reclamam da sujeira, outros páram para elogiar. O ipê branco derruba todas as folhas em junho, para florir no começo de agosto.
O roxo está florindo agora e o amarelo, que é a celebridade entre os ipês, vai florir daqui a alguns dias.
Lá nas florestas os ipês andaram correndo sério risco de desaparecer. Tudo por causa de uma moda de madeira clara na decoração. Mas agora, para a sorte dos ipês, a moda é madeira escura. Coitadas das imbuias.
Na cidade, não crescem muito, mas alguns alcançam mais de dez metros. Principalmente os roxos, que são mais altos e mais grossos. Os amarelos são os mais exibidos, apesar de não serem muito grandes. Mas é o roxo que faz questão de florir bastante para deixar o chão todo aveludado.
O ipê branco choramingou que ainda não conseguiu entender por que a maioria das casas não têm mais árvores na frente nem nos quintais.
Os antigos abacateiros, jabuticabeiras e bananeiras que havia em quase todos os quintais desapareceram. Sem mais nem menos, os quintais viraram estacionamentos. Ou prédios.
Antigamente, as pessoas gostavam de se sentar debaixo das árvores para conversar e descansar. Hoje, elas ainda disputam a sombra, mas só para poder estacionar os carros. E, quando chegam para pegar o carro de volta, ainda reclamam se algum passarinho fez um cocozinho no vidro.
O ipê branco é muito amigo dos beija-flores, mas esses minúsculos passarinhos são muito briguentos e não gostam de ter outros pássaros por perto quando o ipê está florido. O sabiá e o bem-te-vi são grandes e não dão muita trela para o beija-flor. O nanico deixa passar, porque sabe que esses grandões não estão atrás das flores, mas dos insetos.
Seria muito bom se os pássaros fizessem ninhos nos galhos dos ipês, mas isso nunca acontece porque os ratos estão sempre de olho nas sementes, que aparecem justamente na época da reprodução dos pássaros. E os ratos também adoram um bom ovinho.
O ipê amarelo não se conformou quando o velho jacarandá disse que na cidade tem mais ratos do que pássaros. Como é que pode um negócio desses ? Por onde andam os gaviões e as corujas, caçadores de roedores ?
O ipê roxo ficou muito triste quando os homens da prefeitura vieram e podaram seus galhos uns dias antes da florada. Esses homens ainda não entenderam que a época da poda do ipê é diferente da maioria das árvores. Nunca deve ser podado em junho. Mas parece que a prefeitura e a empresa que gerencia os fios elétricos e de telefone não se importam muito com isso. Cortam sem dó.
Algumas velhinhas da vizinhança ainda defendem as árvores e os pássaros, mas a maioria prefere uma calçada com cimento porque dá menos trabalho. Mas que trabalho poderia dar apenas umas varridinhas nas folhas caídas de vez em quando?
Os ipês ainda não entenderam aonde as pessoas querem chegar. Como é possível viver sem as árvores? Não deveria haver pelo menos três árvores por pessoa?
O ipê branco na frente da minha casa fala sem parar.
duilio@folhasp.com.br