segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Flamboyanzinho


Muda de Flamboyant Anão doada pelo Sr.Mario Passos, foi plantada a menos de um mês pela APC e já está com flores.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Amazônia possui 10 mil plantas com potencial econômico

26/12/2008

São espécies com princípios ativos para uso medicinal, cosmético e controle de pragas.

Chico Araújo

Brasília, DF - Mais de 10 mil espécies de plantas da Amazônia são portadoras de princípios ativos para uso medicinal, cosmético e controle biológico de pragas. A região concentra também outras 300 espécies de frutas comestíveis e uma rica fauna silvestre. Ao todo, a Amazônia guarda em suas florestas, várzeas, cerrados e rios, um total de 33 mil espécies de plantas superiores. É o que aponta o Plano de Amazônia Sustentável (PAS), lançado este ano pelo governo federal. O plano faz um diagnóstico detalhado da realidade e potenciais econômicos amazônicos.
Ainda poucos significativos em termos macroeconômicos, os produtos florestais não-madeireiros, em especial as plantas medicinais, podem se tornar, se tiverem sua exploração incentivada corretamente, em atrativa e rentável atividade econômica para os povos da Amazônia. É o caso específico das ervas e plantas com aplicação nas áreas medicinais e de cosméticos.
“Esse segmento tem tudo para crescer e se tornar uma atividade lucrativa em vários estados da Amazônia desde que se profissionalize”, prevê o pesquisador Juan Revilla Cordenas, doutor em Ciências Biológicas. Cordenas atua na área de botânica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), órgão que é referência em estudo de produtos não-madeireiros.
O pesquisador avalia que o aproveitamento dos atuais produtos florestais não-madeireiros pode significar a geração de emprego e renda para o ribeirinho, o caboclo, e melhorar a qualidade de vida das pessoas que lidam diretamente com a coleta, armazenamento e venda das plantas medicinais, por exemplo.
Cordenas avalia, no entanto, que o extrativismo a ser praticado na Amazônia deve ser planejado. “Não é a descoberta de princípios ativos de remédios — o grande interesse da indústria — que vai ajudar”, avalia. Muitas vezes, diz ele, o caboclo da Amazônia repassa seu conhecimento sobre os poderes medicinais das plantas, os laboratórios descobrem poderosos medicamentos, mas não recebe royalties algum.

Plantas de grande potencial
Em Manaus, o Inpa emprega grande dos seus recursos à pesquisa e à descoberta do potencial das plantas da Amazônia. E o resultado é surpreendente. São cerca de 300 espécies nativas da Amazônia ou nela introduzidas já catalogadas pelo instituto e com potencial para as áreas medicinal, fitoterápica, aromática e de cosméticos. “O que falta é operacionalizar a produção local de medicamentos e cosméticos com a utilização de plantas amazônicas”, diz ele.
O pesquisador Juan Cordenas é autor do livro “Plantas da Amazônia — Oportunidades Econômicas e Sustentáveis”, editado pelo Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas, em parceria com o Inpa. O livro cataloga as potencialidades comerciais de 72 espécies de plantas da Amazônia, nativas e introduzidas, que têm aplicação garantida nas áreas medicinal e de cosméticos.
Já o PAS indica uma grande variedade de produtos florestais para a alimentação. São espécies que podem ser usadas tanto no consumo próprio quanto em escala comercial. A lista inclui açaí, araçá, araticum, babaçu, bacaba, bacuri, biribá, buriti, buritirana, cacau, caju, camu-camu, cupuaçu, graviola, jambo, jenipapo, mamorana, mangaba, murici, pequi, pitanga, pupunha, sapota, taperebá, umbu e uxi.
Atualmente, alguns produtos florestais da Amazônia são comercializados em mercados nacionais: o açaí, o guaraná, as frutas tropicais — em forma de polpas, doces e sorvetes —, o palmito (pupunha e açaí), diversos fitoterápicos e fitocosméticos, o couro vegetal, o artesanato de capim dourado e o artesanato indígena.
Além desses, existem outros produtos não-madeireiros com grande valor de exportação: castanha do Brasil, jarina (o marfim vegetal), a rutila e jaborandi (princípios ativos), pau-rosa (essência de perfume), e resinas e óleos.
Para o governo, esses produtos podem alcançar nichos significativos em nível nacional. “Estes nichos podem garantir escala suficiente para prover meios de vida sustentáveis com a diversidade socioambiental amazônica”, destaca o Plano Amazônia Sustentável, quando avalia o potencial dos produtos não-madeireiros da Amazônia.

Fonte: Amazonia.org.br / Agência Amazônia.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Única Guarda Ambiental da Região acaba em 2009


Grupamento ambiental de Santo André tem base no Parque do Pedroso. Foto: Antonio Ledes
Ribeirão Pires era a única que ainda possuía guarda específica para fiscalizar meio ambiente
A única Guarda Municipal Ambiental do ABCD será extinta no próximo ano. Os vereadores de Ribeirão Pires aprovaram, em um pacotão de última hora no começo do mês, a incorporação dos nove guardas ambientais da cidade ao efetivo dos 118 GCMs (Guardas Civis Municipais).
De acordo com a Prefeitura, a extinção da guarda ambiental foi necessária para equiparação dos salários com os civis. Os nove integrantes do efetivo ambiental recebiam R$100 a mais e precisavam ter o o 2º Grau completo para se candidatar no cargo. Além de ganhar menos, os GCMs precisavam ter apenas até o 1ºGrau. A partir de agora, parte dos GCMs será destacada para um grupamento ambiental que fará o trabalho de fiscalizar as áreas de proteção de manancial.
Apesar de não ter uma guarda específica intitulada ambiental, os outros municípios afirmam disponibilizar parte dos GCMs para a função de fiscalizar as áreas de preservação ambiental. Na prática, a função de fiscalizar florestas e áreas de preservação de manancial é da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo. Mas, a Lei Específica da Billings, que chegou em setembro na Assembléia Legislativa e deve ser votada no começo de 2009, já prevê um sistema cooperado entre Estado e municípios para a fiscalização ambiental.
Em Mauá, a participação da GCM é praticamente inexistente. São apenas dois, dos 210 GCMs, para dar apoio à fiscalização ambiental. Diadema conta com oito agentes fiscalizadores, mas que não pertencem ao quadro da GCM. São funcionários da Secretaria de Meio Ambiente que, além de cuidar de denúncias, são sobrecarregados com tarefas, como poda de árvores.
São Bernardo e Rio Grande da Serra não responderam à solicitação da reportagem sobre a fiscalização ambiental municipal. No site da Prefeitura de São Bernardo, a informação é de que o trabalho é feito por integrantes da GCM treinados especificamente para a preservação ambiental. O texto não informa o número de integrantes desviados para a função, mas esclarece que são disponibilizados equipamentos especiais como barcos e viaturas.
Santo André é o município melhor equipado para a fiscalização ambiental, com 60 guardas para o setor, além de outros 22 fiscais do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André).
Apesar de não ter poder para efetuar prisões, por exemplo, o Semasa aplica multas para quem infligi leis ambientais, como derrubada de árvores sem autorização. “O trabalho é em conjunto com a polícia ambiental. Nós só podemos atuar administrativamente”, explicou a encarregada pelo Semasa do Parque do Pedroso, Daruska Cavalcante Cardim.
Mesmo tendo um dos maiores efetivos municipais para proteção ambiental, o inspetor do Grupamento Ambiental de Santo André (formado pelos GCMs), Allan Kardec de Salles, afirma que são necessários mais agentes para a proteção eficiente das áreas de manancial do município. “É insuficiente o número de guardas por conta do serviço. O Parque Andreense, por exemplo, é enorme. Precisamos de fiscalização dia e noite para impedir crimes ambientais na cidade”, explicou.
O grupamento de Santo André possui uma base fixa no Parque do Pedroso. A região de proteção ambiental era utilizada principalmente para descarte de carros roubados e corpos de pessoas assassinadas. Os casos diminuíram apenas com a devastação ambiental causada pelas obras do Trecho Sul do Rodoanel. “Com o fim de parte da mata, os locais ficaram mais expostos e os bandidos se afastaram”, explicou o inspetor.
Por: Vanessa Selicani

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Desejamos um Feliz Natal e um próspero Ano Novo, que Deus proporcione muito amor, saúde, paz e felicidades. Estes são os sinceros votos da APC

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Cidade campeã em desmate perde 76% de suas florestas para pecuária


22/12/2008
Local: São Paulo - SP
Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br

Mapeamento por radar apontou que o município de Uilanópolis (PA) é, dentre aqueles que figuram na lista dos 36 que mais desmatam a, aquele que perdeu a maior parte de sua floresta -76%- para dar espaço à pecuári a. As informações são do jornal Folha de São Paulo, que teve acesso a um levantamento produzido pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) que desfaz dúvidas levantadas no início do ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação às taxas oficiais de desmatamento.
Essas imagens são ainda mais precisas que as dos satélites comumente utilizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (INPE) para medir a devastação da florest a. Elas já ajudam o Ibama a localizar criadores de gado em áreas desmatadas ilegalmente e que sofreram embargo da atividade econômic a. A estimativa é que haja mais de 500 mil cabeças de gado em áreas desmatadas ilegalmente e que desrespeitaram o bloqueio de produção.
As tendências de desmatamento na Amazônia foram debatidas na semana passada em seminário realizado na capital federal. O Maranhão passou a integrar o grupo de estados que mais desmatam. Lá, a destruição está associada à produção de carvão vegetal. Os estados do Pará e Mato Grosso ainda lideram o ranking dos mais devastadores.
Os radares do Sipam rastrearam um território de cerca de 780 mil quilômetros quadrados entre os meses de março e outubro. Entre os 36 municípios da lista, sete já perderam mais da metade de suas florestas, embora a lei fixe o limite de desmatamento na região em 20% das propriedades. 19 das cidades da lista estão em Mato Grosso. O governador local, Blairo Maggi (PR), foi quem mais contestou os dados do Inpe quando o instituto apontou o aumento no ritmo do desmatamento na Amazôni a.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Vinte anos sem Chico Mendes

A APC presta sua homenagem a este grande cidadão brasileiro, que deu sua vida defendendo a população pobre do ACRE e a Amazônia.
Pena que até agora vinte anos depois o governo brasileiro se omite e faz vistas grossas a destruição da maior floresta do mundo.

Há vinte anos era assassinado o grande líder ecologista Chico Mendes. Um mês antes ele estivera no Rio junto com os verdes na manifestação Salve a Amazônia.

Apagando simbolicamente o fogo das queimadas.

Conheci o Chico Mendes em Xapuri, em 1987. Estava organizado o PV no Acre e fui a Xapuri encontrá-lo. Foi uma amizade intensa, instantânea, e um pacto imediato de apoio nosso à luta dos seringueiros que, na nossa ótica, representava a junção das lutas sociais e ambientais. Voltando ao Rio passei a montar uma rede de apoio ao Chico Mendes que logo veio ao Rio e participou de um encontro dos verdes em Petrópolis. Nessa época apresentei o Chico a João Augusto Fortes e alguns outros empresários que começavam a se interessar pela causa verde. João já sonhava em ajudar os seringueiros a criar produtos de latex que pudessem ser comercializados e sustentar as reservas extrativistas.
Nessa época fiz uma entrevistas com o Chico para o JB que não quis publica-la. O editor de então dizia que tinha mais interesse nos garimperos do que nos seringueiros. Com raiva lhe respondi que possivelmente se interessaria por ele quanto fosse assassinado. Tinha uma constante preocupação com o Chico que estava ameaçado de morte por vários pecuaristas que tinha impedido de amoliar sua "fronteira de pasto" realizando "empates". Um deles, Darli Alves, parecia o mais perigoso. O mais preocupante é que parecia haver um ligação da Policia Federal, supostamente lá para protegê-lo, com os fazendeiros inclusive Darli. O Conselho Nacional de Serigneiros descobriu que ele tinha crimes de morte no Paraná, inclusive um mandado de prisão. A informação foi vazada para ele que foi se esconder e jurou de morte o Chico que considerava responsável pela revelação de seus antecedentes.
No Rio, logo depois das eleições de novembro de 88, organizamos um grande ato chamado Salve a Amazônia consistia numa maratona andando, correndo e pedalando do Jardim Botânico ao Monumento a Estácio de Sá, no Aterro do Flamengo e a colocação de um imenso pano de juta com os dizeres Salve a Amazônia. Foi uma manifestação notável da qual tenho muitas imagens até hoje. Vejo e revejo as cenas: Betinho, Lucélia Santos, John Neschling, Gabeira, Minc, Nei Matogrosso, Luise Cardoso. Há uma cena do Chico conversando comigo no meu velho Opala verde oliva quando nos dirigíamos ao bondinho do Pão de Açucar. Falavamos sobre seus problemas de segurança e ele admitindo o perigo que representava o tal Darli Alves. Eu tentando convencê-lo a ficar no Rio até que conseguissimos fundos para contratar um grupo de seguranças particulares pois, pelas histórias que ele contava, os policiais que o protegiam eram pouco confiáveis. A certa altura achei que o tinha convencido. Nossas amigas Rosa e Dora também faziam pressão nesse sentido. O Chico decidiu ficar no Rio. Depois por pressão da esposa que ficara sozinha --queríamos trazer a familia dele também-- ele decidiu passar o Natal em Xapuri.
Um mês depois foi assassinado. Tornou-se um mártir internacional da causa ecológica, um símbolo, uma bandeira de luta mas a perda foi irreparável. Era um ser humano extraordinário:generoso, sensível, divertido e um dos poucos quadros capazes de unificar em torno de uma causa comum setores díspares:serigueiros, índios, ecologistas, ambientalistas norte-americanos, PT, PV, etc...Não se encontrou mais um líder com as mesmas características. A causa da Amazônia tornou-se internacional com a repercussão de sua morte mas penso que teria feito muito mais, vivo. De qualquer jeito, aos que ficamos fica também a obrigação de não deixar que sua morte tenha sido em vão e isso hoje se expressa na luta para que o Brasil assuma metas de redução de queimadas e desmatamentos.
Passaram já vinte anos do assassinato de Chico Mendes e do escândalo internacional decorrente, nada é capaz de afastar essa horrenda sensação de que talvez ele tenha morrido em vão. A pecuária, as monoculturas, a extração de madeira predatória e os assentamentos e “colonização”, cinicamente apresentados como “reforma agrária” na região amazônica, vêm agravando o quadro sem tréguas. Os ganho econômico e os avanços sociais vinculados a esses tipos de atividade são efêmeros e perversos: a péssima qualidade do pasto, o baixo preço e o enorme desperdício da madeira extraída, as dificuldades para a exploração agrícola, os ganhos econômicos e sociais predatórios, de curtíssimo prazo, sem sustentabilidade, que vaticinam uma catástrofe de implicações planetárias, ainda no horizonte de vida de nossos filhos e netos. Isso sem falar do drama atual, das cidades infestadas de fumaça, dos aeroportos fechados, das culturas tradicionais destruídas, da biodiversidade exterminada.

No Salve a Amazônia: Nei Matogrosso, Sirkis e, à esquerda, Chico.

Até hoje a economia vem jogando constantemente contra a ecologia, na região amazônica. A única chance de reverter esse processo de devastação., de conseqüências planetárias é viabilizar um ciclo econômico sustentável de extrativismo não predatório, ecoturismo e exploração inteligente das imensas possibilidades vinculadas à biodiversidade Implementar o zoneamento ecológico e econômico da região e, sobretudo, estimular outras alternativas econômicas, inclusive nas cidades amazônicas. Existe, em tese, a possibilidade de exploração sustentável da madeira, como também da mineração, mas é preciso que se diga, alto e em bom tom, que ela é totalmente inviável no atual contexto político local, no presente estado de coisas institucional, psicossocial, cultural e técnico da região. Sem fiscalização eficaz, sem empresas minimamente responsáveis, sem instituições locais confiáveis, sem conscientização, sem organização social, num contexto totalmente dominado pelo coronelismo truculento e a corrupção, qualquer idéia de manejo sustentável, quer em áreas particulares, quer em concessões, no interior de florestas nacionais é empulhação e propaganda enganosa. Atualmente o IBAMA não tem, nem de longe, os meios e, muito raramente, a vontade política necessária para fazer frente à situação.
O que cabe neste momento, na Amazônia, é um bom “freio de arrumação”. Uma moratória por cinco anos da extração nas áreas consideradas críticas, a expulsão das madeireiras asiáticas e uma estratégia de repressão combinada com uma assistência direta do poder público aos socialmente atingidos, com a criação de um subsídio para o não-desmatamento. Podem ser criadas frentes de trabalho onde os atuais cortadores de árvores sejam remunerados para recuperar áreas degradadas. É necessário quantificar essa ação e definir as zonas prioritárias. Salvar a Amazônia, permitindo ganhar tempo para um futuro desenvolvimento sustentável, certamente não sairá mais caro do que salvar um punhado de bancos falidos. Recursos internacionais seriam mais facilmente captados e melhor gastos nesse contexto.
É dever constitucional do Presidente solicitar o concurso das Forças Armadas para deter a destruição desta parte ameaçada da Pátria que é o ecossistema amazônico, com conseqüências planetárias. O Brasil aparece como o quarto maior emissor de CO2 em função das queimadas.Das instituições nacionais apenas elas têm a capacidade operacional para monitorar e controlar uma região tão vasta. Esses operações devem abranger a proteção à fiscalização do IBAMA, reforçada por outros órgãos, a dissuasão à eventual resistência das máfias locais, a destruição, no próprio local, de todos equipamentos usados na devastação ilegal, a prisão dos responsáveis. O governo brasileiro precisa anunciar ao mundo, com vistas à conferencia de Copenhagen, no final de 2009, sua disposição de estabelecer objetivos de redução de suas emissões decorrentes da devastação das florestas e iniciar logo a execução do plano que anunciou em final de novembro. Há vinte anos da morte do herói Chico Mendes essa é a única homenagem digna que se lhe pode prestar.

Fonte: Alfredo Sirkis.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Cidades ignoram política ambiental

Mais de 90% registraram alteração no meio ambiente, mas só 18,7% têm conselho ativo e verba para o setor

Alexandre Rodrigues

Mais de 90% dos municípios do País sofreram impacto de alterações ambientais nos últimos dois anos. Mas sua estrutura para políticas de ambiente ainda não é compatível com a gravidade do diagnóstico. É o que informaram prefeitos e secretários das cidades ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou ontem a Pesquisa de Informações Municipais 2008.
Embora a proporção de cidades com conselhos municipais de ambiente tenha mais do que dobrado na última década - subindo de 21,4% para 47,6% entre 1999 e 2008 -, só 1.880 dos 2.650 órgãos consultivos criados para envolver cidadãos na formulação de políticas fizeram pelo menos uma reunião nos últimos 12 meses. Se for considerado o município com conselho ativo e recurso específico para o setor, só 18,7% se enquadram nesse item. Em pouco mais de 16% há secretaria exclusiva, e a área só conta com 0,8% do total do funcionalismo municipal do País. Apenas um quarto das cidades faz licenciamento de impacto ambiental local.
Queimadas e desmatamento são as duas maiores causas de alterações ambientais freqüentes nos municípios do País. Em 2002, o assoreamento de corpos d?água, que contribui com o transbordamento de rios nas enchentes, tinha sido o impacto mais citado pelos gestores. Esse porcentual permaneceu no patamar de 53% em 2008, mas a inclusão de queimadas e desmatamento na lista fez com que essas duas categorias assumissem a dianteira, com 54,2% e 53,5%, respectivamente. Os Estados do Norte e Nordeste apontaram, proporcionalmente, mais impactos ambientais do que os do Centro-Sul.
Em média, os municípios indicaram 4,4 ocorrências de alguma alteração ambiental impactante e freqüente em 2007 e 2008. Na Região Norte, o desmatamento foi assinalado por 71% das cidades; no Nordeste, por 65%. O mesmo se repete em relação às queimadas. Como conseqüência, queixas de poluição do ar, mais ligada no passado aos grandes pólos industriais, foram mais relatadas por prefeituras da Região Norte (36,3%) do que do Sudeste industrializado (19,2%). Ao condensar os impactos ambientais que os gestores consideraram ter afetado as condições de vida de seus habitantes, as regiões Norte e Nordeste tiveram, proporcionalmente, mais cidades atingidas (24% e 20%, respectivamente) do que Sul (9%) e Sudeste (11%).
A cidade de São Paulo listou dez problemas, entre eles poluição do ar e da água, contaminação do solo e degradação de áreas protegidas. No Estado, o assoreamento de rios, que favorece enchentes, foi apontado por 58,1% das cidades. Em segundo lugar, aparecem as queimadas (50,4%), ligadas ao corte de cana, e a poluição de cursos d?água (34,9%), cujo pior exemplo é o do Rio Tietê.

SISNAMA

De acordo com especialistas, os números mostram que é necessário fortalecer órgãos municipais de ambiente. "Muitos falham em seus objetivos de preservação por não adotarem uma gestão plena, como a responsabilidade pelo licenciamento ambiental. Fica tudo na mão do órgão estadual. Nenhum centavo obtido com a multa de um posto de gasolina irregular, por exemplo, vai para o município", diz Clarismino Luiz Pereira Jr., presidente da Associação Nacional de Órgãos Municipais do Meio Ambiente. Para Mario Mantovani, da SOS Mata Atlântica, é hora de fortalecer o Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), que unificaria os órgãos federal, estadual e municipal. "Isso garantiria mais verba para resolver os problemas das cidades", diz.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O ano da estupidez: ficção que poderá tornar-se realidade?

Por Juliana Radler, especial para a Envolverde/Rebia

Estamos em 2055. O Ártico não é mais uma paisagem repleta de brancas geleiras. Transformou-se num longo oceano de ondas e marés. No meio desse oceano ergue-se uma enorme torre futurista onde o único habitante é um homem guardião dos resquícios de nossa civilização, interpretado pelo grande ator inglês Pete Postlethwaite (Jurassic Park, Em nome do pai, Alien, O Jardineiro Fiel, entre outros). O filme "The Age of Stupid" (O ano da estupidez), um misto de documentário com ficção, teve sua premier durante a Conferência de Mudanças Climáticas da ONU, que ocorre em Poznan, na Polônia, até o dia 12 de dezembro.
Produção totalmente independente dirigida pela jovem britânica Franny Armstrong, o filme que levou quatro anos para ser finalizado, tem como meta ser visto por 250 milhões de pessoas até a próxima conferência do Clima que ocorrerá na Dinamarca no fim de 2009. Durante esse período, os realizadores em parceria com organizações não governamentais, institutos de pesquisa e pessoas ao redor do mundo engajadas na questão ambiental, esperam pressionar governos e sensibilizar a opinião pública para a necessidade de termos um compromisso eficaz na redução dos gases causadores do efeito estufa. "É a minha contribuição para a questão climática", ressaltou Armstrong.
Através da história de vida de seis personagens reais, Postlethwaite vai narrando a nossa incapacidade de mudar hábitos destrutivos, de adotar novas formas de energia limpas e renováveis e, sobretudo, de ir contra o consumismo e o poder das grandes corporações. A busca por lucros crescentes às custas da degradação ambiental e da exploração dos habitantes dos países mais pobres é mostrada, por exemplo, com o caso da Shell na Nigéria. Lafeya Malin é uma nigeriana que vivia da pesca em seu vilarejo até a chegada da Shell. Com a contaminação dos rios e a total destruição do meio ambiente local, Malin passa a atuar no mercado negro do diesel surgido justamente com a chegada da corporação. Sem cumprir seus compromissos de reduzir o impacto ambiental local e investir em projetos sociais junto às comunidades, a Shell deixou um rastro sujo, que custou a vida de centenas de nigerianos mortos no típico silêncio das mortes dos pobres do mundo.
Na outra ponta, o filme mostra também o desenvolvimento econômico das economias emergentes e como a sede de lucros também nos levou à catástrofe. O executivo indiano Jeh Wadia foi acompanhado pela equipe de Armstrong durante o período de aprovação de sua companhia aérea, a "Go Air", cujo objetivo é oferecer tarifas irrisórias para vôos domésticos na Índia. "Temos 50 milhões de indianos andando de trem diariamente na Índia. Queremos que uma parcela dessas pessoas passe a andar de avião", afirma Wadia no filme, ignorando o fato de que o setor de aviação é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa.
São, enfim, histórias de vida reais. Documentários vistos no futuro pelo guardião dos nossos vestígios, que, indignado, questiona-se: "Nós poderíamos ter salvado a nós mesmos, mas não o fizemos. É espantoso. Em que estado mental nos encontrávamos para estar diante da extinção e simplesmente dar de ombros, ignorar?"
Depois do documentário "Uma verdade inconveniente", de Al Gore, que sensibilizou milhares de pessoas para os riscos das mudanças climáticas, "O ano da estupidez" espera ser um sinal de alerta, uma sirene tocando alto em 2009 até a decisiva conferência do Clima de Copenhagem, onde serão traçadas as estratégias futuras para conter as mudanças climáticas. Esperamos não ser lembrados como os estúpidos e irracionais que na ânsia do consumo e da riqueza não fomos capazes de mudar, de nos tornarmos sustentáveis e preservamos a nossa própria espécie. Como coloca o filósofo alemão Hans Jonas, em seu imperativo ético relacionado à evolução da tecnociência: "Aja de tal maneira que os efeitos de tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma vida humana autêntica" ou formulado negativamente "não ponhas em perigo a continuidade indefinida da humanidade na Terra".

Mais informações sobre o filme em http://www.ageofstupid.net ou http://www.greenpeace.org/kyoto.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008


Clique na imagem para ler o texto.

Ninho abandonado após poda mutilante na Av.Portugal-Santo André





Gostaria de falar sobre coisas boas, avanços ecológicos, sensibilização ambiental, melhora na política, na saúde, no respeito com o ser humano. Mas está difícil.Se o ser humano não mudar urgente a forma de pensar e agir, a natureza vai cobrar o preço da degradação. Isso é claro e certo!
Precisamos assumir responsabilidades, discutir soluções e deixar de lavar as mãos ("eu não quero nem saber")! Conclamamos as pessoas, inconformadas com essa situação a ajudar nessa batalha! Não é preciso fazer muito, mas é necessário fazer alguma coisa.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Uma reflexão sobre a Tragédia em Santa Catarina


Autor: Professores de Universidades Catarinenses. Publicado em 29/11/2008.

As imagens de morros caindo, de desespero e morte, de casas, animais e automóveis sendo tragados por lama e água, vivenciadas por centenas de milhares de pessoas no Vale do Itajaí e Litoral Norte Catarinense nos últimos dias, são distintas, e muito mais graves, das experiências de enchentes que temos na memória, de 1983 e 1984.
Por que tudo aconteceu de forma tão diferente e tão trágica? Será que a culpa foi só da chuva, como citam as manchetes? Nossa intenção não é apontar culpados, mas mencionar alguns fatos para reflexão, para tentar encaminhar soluções mais sábias e duradouras, e evitar mais e maiores problemas futuros.
Houve muita chuva sim. No médio vale do Itajaí ocorreu mais que o dobro da quantidade de chuva que causou a enchente de agosto de 1984. Aquela enchente foi causada por 200 mm de chuva em todo o Vale do Itajaí. Agora, em dois dias foram registrados 500 mm de precipitação, ou seja, 500 litros por metro quadrado, mas somente no Médio Vale e no Litoral.
a quantidade de chuva de fato impressiona. Segundo especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a floresta amazônica é a principal fonte de precipitações de grande parte do continente e tudo o que acontecer com ela modificará de maneira decisiva o clima no Sul e no norte da América do Sul. Assim, as inundações de Santa Catarina e a seca na Argentina seriam atribuídas à fumaça dos incêndios florestais, que altera drasticamente o mecanismo de aproveitamento do vapor d'água da floresta amazônica. Outros especialistas discordam dessa hipótese e afirmam que houve um sistema atmosférico perfeitamente possível no Litoral Catarinense.
De todos os desastres naturais, as enchentes são os mais previsíveis, e por isso mais fáceis de lidar. Os deslizamentos e as enxurradas não. Esses são praticamente imprevisíveis, e é aí que reside o real problema dessa catástrofe.
É preciso compreender que chuvas intensas são parte do clima subtropical em que vivemos. E é por causa desse clima que surgiu a mata atlântica. Ela não é apenas decoração das paisagens catarinenses, tanto como as matas ciliares não existem apenas para enfeitar as margens de rios. A cobertura florestal natural das encostas, dos topos de morros, das margens de rios e córregos existe para proteger o solo da erosão provocada por chuvas, permite a alimentação dos lençóis d´água e a manutenção de nascentes e rios, e evita que a água da chuva provoque inundações rápidas (enxurradas).
A construção de habitações e estradas sem respeitar a distância de segurança dos cursos d’água acaba se voltando contra essas construções como um bumerangue, levando consigo outras infra-estruturas, como foi o caso do gasoduto. Esse é um dos componentes da tragédia.
Já os deslizamentos, ou movimentos de massa, são fenômenos da dinâmica natural da Terra. Mas não é o desmatamento que os causa. A chuva em excesso acaba com as propriedades que dão resistência aos solos e mantos de alteração para permanecerem nas encostas. O grande problema de ocupar encostas é fazer cortes e morar embaixo ou acima deles. Há certas encostas que não podem ser ocupadas por moradias, principalmente as do vale do Itajaí, onde o manto de intemperismo, pouco resistente, se apresenta muito profundo e com vários planos de possíveis rupturas (deslizamento), além da grande inclinação das encostas. E é aí que começa a explicação de outra parte da tragédia que estamos vivendo.
A ocupação dos solos nas cidades não tem sido feita levando em conta que estão assentadas sobre uma rocha antiga, degradada pelas intempéries, e cuja capacidade de suporte é baixa. Através dos cortes aumenta a instabilidade. As fortes chuvas acabaram com a resistência e assim o material deslizou.
A ocupação do solo é ordenada por leis municipais, os planos diretores urbanos. Esses planos diretores definem como as cidades crescem, que áreas vão ocupar e como se dá essa ocupação. Por falta de conhecimento ecológico dos poderes executivo, judiciário e legislativo (ou por não leva-lo em consideração), o código florestal tem sido desrespeitado pelos planos diretores em praticamente todo o Vale do Itajaí, e também no litoral catarinense, sob a alegação de que o município é soberano para decidir, ou supondo que a mata é um enfeite desnecessário. Da mesma forma, as encostas têm sido ocupadas, cortadas e recortadas, à revelia das leis da Natureza.
Trata-se de uma falta de compreensão que está alicerçada na idéia, ousada e insensata, de que os terrenos devem ser remodelados para atender aos nossos projetos, em vez de adequarmos nossos projetos aos terrenos reais e sua dinâmica natural nos quais irão se assentar.
A postura não é diferente nas áreas rurais, onde a fiscalização ambiental não tem sido eficiente no controle de desmatamentos e intensidade de cultivos em locais impróprios, como mostram as denúncias frequentes veiculadas nas redes que conectam ambientalistas e gestores ambientais de toda região. A irresponsabilidade se estende, portanto, para toda a sociedade.
Deslizamentos, erosão pela chuva e ação dos rios apresentam fatores condicionantes diferentes, mas todos fazem parte da dinâmica natural. A morfologia natural do terreno é uma conquista da natureza, que vai lapidando e moldando a paisagem na busca de um equilíbrio dinâmico. Erode aqui, deposita ali e assim vai
conquistando, ao longo de milhões de anos, uma estabilidade dinâmica. O que se deve fazer é conhecer sua forma de ação e procurar os cenários da paisagem onde sua atuação seja menos intensa ou não ocorra.
As alterações desse modelado pelo homem foram as principais causas dos movimentos de massa que ocorreram em toda a região. Portanto, precisamos evoluir muito na forma de gestão urbana e rural e encontrar mecanismos e instrumentos que permitam a convivência entre cidade, agricultura, rios e encostas.
Por isso tudo, essa catástrofe é um apelo à inteligência e à sabedoria dos novos ou reeleitos gestores municipais e ao governo estadual, que têm o desafio de conduzir seus municípios e toda Santa Catarina a uma crescente robustez aos fenômenos climáticos adversos. Não adianta reconstruir o que foi destruído, sem considerar o equívoco do paradigma que está por trás desse modelo de ocupação. É necessário pensar soluções sustentáveis. O desafio é reduzir a vulnerabilidade.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Desmatamento da Mata Atlântica pode ter contribuído para tragédia em SC



O desmatamento da Mata Atlântica pode ter contribuído para a tragédia causada pelas chuvas em Santa Catarina. É o que avalia o professor do departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina, Lino Brangança Peres.
"As árvores foram substituídas por casas e vegetação rasteira, o que contribuiu para a erosão. Esses deslizamentos aconteceriam mais cedo ou mais tarde, as fortes chuvas desses dois meses apenas aceleraram esse processo", explica.
A floresta cobria uma área de aproximadamente 1,29 milhão de quilômetros quadrados, em 17 estados brasileiros, incluindo Santa Catarina. O bioma ocupava cerca de 15% do território nacional. Atualmente, apenas 7% desse total permanece intacto.
O desmatamento da Mata Atlântica está diretamente ligado à expansão das cidades brasileiras. E, na opinião do professor, a ocupação desordenada dos municípios pode ser outro fator para a catástrofe no Vale do Itajaí.
"Choveu muito acima da média, mas isso é apenas parte do problema. O modelo de ocupação irregular das cidades do Vale do Itajaí contribuiu para que isso acontecesse. E tudo com a conivência do poder público", explica o professor.
Segundo Peres, as primeiras residências na região surgiram durante o século 19, época da imigração de europeus para o Brasil, próximas aos rios. No século 20, as pessoas passaram a ocupar os morros e as encostas. "O planejamento municipal começou muito tarde no Brasil, na década de 70, quando as cidades já tinham crescido", conta.
A solução, na avaliação do urbanista, é o governo realocar a população dos morros e encostas para outros locais mais seguros. "O problema é que boa parte das áreas adequadas já foram ocupadas", ressalta.
(Fonte: Antonio Trindade / Rádio Nacional)

sábado, 29 de novembro de 2008

Santo André perde mais um Patrimônio Histórico e Ambiental

Torna-se cada vez mais necessária a pressão da sociedade no sentido de preservar o patrimônio histórico e ambiental, pois nossos governos se omitem e o poder econômico nunca irá respeitá-los.

Bairro Campestre perde área verde

Daniel Trielli
Do Diário do Grande ABC
As 280 plantas - desde arbustos a palmeiras de 11 metros - que durante décadas ocuparam o imóvel do número 3.003 da Avenida Dom Pedro 2º, em Santo André, estão sendo removidas. No lugar onde havia uma chácara de 10,9 mil metros quadrados - uma das únicas áreas verdes de relevância naquela parte do bairro - será construído um condomínio residencial com três torres e 276 apartamentos e as construtoras do condomínio Novo Jardim, MAC e Cyrela, obtiveram autorização do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) para remover todas as plantas.
No entanto, a Prefeitura de Santo André conseguiu salvar 95 dos espécimes, que serão usados no projeto paisagístico da cidade. Equipes do Depav (Departamento de Parques e Áreas Verdes) estão desde a semana passada podando e removendo árvores do local e levando-as para dois pontos: a obra de prolongamento da Avenida Lauro Gomes, perto da Avenida Afonsina e a canalização do Córrego Taióca, no Jardim Milena.
O diretor do Depav, Vitor Mazzeti Filho, disse que qualquer morador que tiver autorização para remover vegetação na cidade pode doar a planta à Prefeitura. "Se o munícipe ligar para nós e apresentar a autorização para retirar, vamos até a área avaliar se as plantas são de interesse. Se for, resgatamos e usamos no paisagismo da cidade", explica.
"Quando a construtora recebeu a autorização para tocar o empreendimento, o próprio pessoal do Semasa indicou o serviço de doação", conta Mazzeti. Depois das empresas entrarem, no último dia 6, com a solicitação de doação, técnicos do Depav visitaram o terreno e analisaram as plantas. "Das 280, tivemos interesse por 95. Tem muitas árvores adultas, muitas palmeiras." A remoção das plantas que serão utilizadas pelo Depav deve durar até o meio da semana.
DESTINO INCERTO
Quanto às outras 185 plantas, cabe às construtoras decidir o que será feito - transplante para outros locais por conta própria ou destruição. "Esse remanescente são plantas de menor porte, um arbusto ou uma dracena, sem muito valor paisagístico para nós, com 1,80 metro de altura", diz Mazzeti.
O diretor do Depav explica que caso as empresas decidam por eliminar o restante da vegetação no local, farão isso com recursos próprios, sem o apoio da Prefeitura. E também lembrou que o Semasa exige a preservação de 36 árvores de uma determinada faixa do terreno, consideradas relevantes para a área.
acordo informal não previa derrubada
A remoção completa das árvores da chácara na Avenida Dom Pedro 2º, embora perfeitamente legal e dentro dos padrões do Semasa, quebra um acordo informal entre as construtoras e a ex-proprietária do terreno, Elizabeth Tognato.
Segundo revelou ao Diário, a ex-dona do imóvel havia concordado em vender a área para a MAC e para a Cyrela apenas se houvesse o compromisso de que o bosque que seu pai, Oliver, começou a criar há seis décadas não fosse derrubado. "Espero que seja conservada a magia desse jardim", declarou Elizabeth em setembro.
Contatadas pelo Diário, as construtoras não confirmam nem se pronunciam sobre o acordo, mas informam que a remoção da vegetação no local está "seguindo todos os processos legais necessários" e que, conforme o Semasa exigiu, vão ser plantadas 190 novas mudas no terreno.
Ao ser informada da remoção da vegetação, Elizabeth Tognato disse que não sabia o que estava acontecendo. "Eu não sei como está e não tenho informação nenhuma do que está acontecendo com o terreno. Não posso nem emitir nenhuma opinião", disse Elizabeth.
HISTÓRICO
A chácara da família Tognato foi criada na década de 1940. A casa principal, derrubada em setembro, foi construída entre 1945 e 1946 por Oliver Tognato, fundador e ex-presidente da CTBC (Companhia Telefônica da Borda do Campo), ex-presidente da Fiação e Tecelagem Tognato e ex-secretário de Obras da Prefeitura de Santo André. Oliver mudou-se para a chácara com a mulher Marina e as filhas Suzana e Elizabeth em 1948.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Grande ABC fica para trás em ranking do meio ambiente

William Cardoso
Do Diário do Grande ABC

O Grande ABC teve participação pífia no ranking do programa Município Verde da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, divulgado ontem. Na região, apenas São Caetano e Ribeirão Pires participaram do projeto que mede o grau de comprometimento da administração pública com questões ambientais. Mesmo assim, ficaram muito distantes da primeira colocada, Santa Fé do Sul.
Numa escala de zero a 100, São Caetano recebeu nota 62,79, e ficou em 105º entre 332 municípios participantes. A poluição do ar e a falta de projetos habitacionais sustentáveis atrapalharam o desempenho. O diretor de Meio Ambiente, Osvaldo Ceoldo, explica que, de fato, falta um projeto oficial de Habitação sustentável. Sobre a poluição do ar, disse que aguarda a aplicação do programa de inspeção veicular estadual para solucioná-lo. "No ano que vem, será preciso trabalhar não só para melhorar a nota, como também para mantê-la", disse.
O secretário de Meio Ambiente de Ribeirão Pires, Pedro do Carmo, espera aprimorar programas já existentes para melhorar a colocação. A cidade ficou em 228º, com 40,06. "Recebemos o resultado com tranqüilidade. Estamos em fase de implementação de projetos."
O secretário estadual Xico Graziano minimizou as baixas notas do Grande ABC e descartou falta de empenho dos municípios que estão fora do ranking por não entregar projetos, como é o caso das demais cidades da região. Mauá chegou a colocar outdoor divulgando a participação, que não se concretizou.
A secretaria estadual pretende mudar a metodologia em 2009 para tornar "competitivas" as cidades populosas. "São dramas ambientais distintos dos municípios do Interior", disse Graziano. Uma boa colocação no ranking pode facilitar o acesso a verbas para programas.
LEI
Sobre a Lei Específica da Billings, o secretário não vê problema no adiamento da votação para o ano que vem. "Não fará diferença. O importante é que seja aprovada, regulamentada e aplicada."
A deputada estadual Vanessa Damo (PV) esteve no evento e apontou tratamento de esgoto e poluição do ar como os principais problemas do Grande ABC. Com relação à Lei da Billings, propôs uma ação em bloco na Assembléia

terça-feira, 25 de novembro de 2008

PARA SER É PRECISO FAZER
Toda a intenção que não se manifeste por atos é uma intenção vã. E a palavra que exprime é uma palavra ociosa.
É a ação que prova a vida. E é a ação o que prova e demonstra a vontade.
Por isto esta escrito nos livros simbólicos e sagrados que os homens serão julgados não conforme seus pensamentos e idéias, mas segundo suas obras.
Para ser é preciso fazer.

Eliphas Levi

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

APC contribui com o reflorestamento do Parque Central

No último domingo dia 23/11/08 a APC realizou mais um plantio de mudas no Parque Central, contribuindo ativamente no seu reflorestamento.Com mais este plantio a Associação já plantou cerca de 1.000 mudas no Parque.

BRASIL: Qual o princípio da nossa mudança?

Somos seres humanos considerados racionais porque pensamos.
Agimos de forma tão egocêntrica que acabamos esquecendo as questões
ambientais. Que racionalidade é essa? Talvez seja por isso que o mundo
esteja cada vez mais degradado. Não estamos pensando no próximo, nem
no meio ambiente. Sendo assim não pensamos em nós mesmos.
A terra é nossa fonte de vida, é nela que nós moramos,
plantamos e colhemos; e como tudo que se planta se colhe, temos que
plantar bons frutos agora, para que as atuais e futuras gerações
possam usufruir de tudo que ela nos oferece. Ela é um dos motivos da
existência humana, é óbvio falar que precisa ser preservada, mas por
incrível que pareça, este óbvio não é seguido. Não podemos compreender
em que transformamos o mundo. Nós jovens, chegamos ao ponto de dizer
que é necessário ser irracional para alcançarmos a racionalidade.
Alcançamos um patamar de inversão de valores altíssimo.
A Constituição Federal brasileira traz no seu artigo 225, que
"todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem
de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se
ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo para as
presentes e futuras gerações". Este belíssimo texto não sai da teoria.
Não queremos teorias, queremos PRÁTICA! Queremos que isso saia do
papel, que vire realidade! É triste ver uma criança chorar ao contar
que bebe água poluída, por falta de opção. Pergunto-lhes: é esse o
Brasil que vocês querem para seus filhos e netos? Nos perguntamos se
as gerações passadas, tinham tantas preocupações e inseguranças em
relação ao meio ambiente... Se escutavam que sua cidade podia ser
coberta pelo aumento do nível dos oceanos; que teriam uma maior
probabilidade de desenvolver câncer de pele; que poderiam ter uma
intoxicação ao consumir uma água poluída; que seus filhos não teriam a
oportunidade de ver e presenciar a diversidade da fauna e da flora.
Temos como objetivo melhorar a qualidade do ar que respiramos
e ajudar a preservar o nosso meio ambiente, por meio de nossas
atitudes sempre pensando primeiro em nossa comunidade. Nós, a
sociedade, temos que nos responsabilizar em conscientizar a todos(as),
sobre o acúmulo do lixo e principalmente sobre os destinos inadequados
do mesmo, realizando atividade com as escolas e comunidades. E
envolvendo principalmente o poder público na implementação de uma
política pública de coleta seletiva e destinação adequada dos resíduos
sólidos.
Iremos dialogar com a população com a finalidade de assumir
nossas responsabilidades em relação à preservação da fauna e flora.
Para isso realizaremos ações com a comunidade para amenizar as
queimadas, o desmatamento, a desertificação e o tráfico de animais.
Cada um de nós precisa ter o compromisso de diminuir o consumo
de energia elétrica por meio de atos básicos, como: não deixar a luz
acesa sem necessidade, estimular a criação de projetos para o uso de
energias renováveis nos municípios e utilizar racionalmente os eletro
domésticos.
A água é o elemento de maior importância para o ciclo da vida.
Atualmente ela está sendo o principal alvo da poluição. O ser humano é
o causador desse problema e também a própria vítima. Os fatores que
contribuem para a escassez da água potável são: a poluição dos rios, a
falta de saneamento básico, contaminação, desertificação, dentre
outros.
Para minimizar esses problemas devemos buscar parcerias com órgãos
públicos e instituições não governamentais, para construir ações de
revitalização dos rios e de recuperação das nascentes. É necessário
realizar palestras socioambientais que conscientizem e mobilizem a
população para a preservação das regiões afetadas e dos biomas como um
todo.
Temos que entender que não adianta apenas reclamar, temos que
fazer a nossa parte. Devemos parar de criticar as atitudes humanas sem
nos incluirmos nesta humanidade. Antes de culpar o outro por não agir
de forma sustentável, pare um instante e reflita: EU ESTOU FAZENDO A
MINHA PARTE? EU ASSUMO MEU PAPEL E MINHAS RESPONSABILIDADES NA
SOCIEDADE? Tudo parte de dentro para fora. Do micro pro macro, pois
não adianta você pensar no âmbito federal e na sua comunidade não
existir uma colaboração. Uma base bem estruturada surge primeiro
dentro da casa de cada um; e é de casa para o mundo. Um micro bem
estruturado reflete-se num macro também com uma boa estruturação. Nós
brasileiros devemos acreditar que podemos fazer a diferença para o
país, e sermos agentes construtores de um mundo melhor, não aceitando
tudo passivamente.
Diante do exposto, informamos que, para alcançarmos o nosso
objetivo é preciso que estejam de mãos dadas nesse processo, o
governo, a sociedade (famílias e escolas), e as empresas; sem essa
união esse tripé não se estabelecerá e conseqüentemente o elo não
estará formado. Propomos uma parceria, um processo reeducativo, um
novo projeto socioeconômico, político e ambiental. Para assim
chegarmos a uma conscientização maior, a um meio ambiente saudável e à
própria preservação humana.
Devemos direcionar o entendimento de empresários no sentido de
que a produção de produtos não deve continuar a visar apenas à
lucratividade, e alertar a sociedade que o consumo pelo consumo é
"campo minado". Esses fatores são imprescindíveis para construção de
uma sociedade mais igualitária e justa; inserida num contexto
ambiental saudável, conforme os princípios de qualidade de vida e bem
estar.
O mundo todo deve estar voltado para a qualidade de vida da
espécie humana e dos demais seres vivos, quem estiver contrario a isso
está contra si mesmo e aos descendentes que virão.
Salvador,
Bahia, 19 de novembro de 2008
Delegados e Delegadas da I Conferência Estadual Infanto-Juvenil de Meio
Ambiente

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Eleições no Comugesan-"Jogo de Cartas Marcadas"

Comugesan = Conselho Municipal de Gestão e Saneamento Ambiental de Santo André.

Política e politicagem
Política é amar pessoas compromissadamente; politicagem é usar pessoas descaradamente; Política é uma missão totalmente divina; politicagem é uma prática genuinamente satânica; Política implica em respeitar, preservar e defender as instituições para que elas alcancem seus objetivos de promover as pessoas; Politicagem implica em manipular as instituições para que sirvam a objetivos corporativos e pessoais; Política é a arte de estabelecer fundamentos para o futuro a fim de que a próxima geração seja beneficiada, celebrando com gratidão a memória dos estadistas do passado; politicagem é o legado imoral recebido por filhos que dizem sem constrangimento: “estamos curtindo o que nossos pais roubaram do povo no passado”.Política deságua em fidelidade ante os compromissos feitos com o povo,administrando o bem público para toda a comunidade; politicagem é a arte do cinismo, temperado com ostentação e riquezas provenientes do assalto ao fruto do suor do povo.Política sempre pensa na próxima geração; politicagem sempre pensa na próxima eleição; Política vislumbra um futuro repleto de justiça e dignidade para todos; politicagem empurra o visionário a se perceber no trono,levando vantagem sobre os outros e sendo o senhor de tudo; Política é generosamente conciliadora;politicagem é maldosamente desagregadora; Política vê o adversário como um provável aliado no futuro, na defesa do bem-comum; politicagem sempre encara o adversário como um inimigo que precisa ser tirado do páreo a qualquer custo; Política caminha por princípios ideológicos e éticos; politicagem ’surfa’ no oportunismo cínico; Política transpira abnegação; politicagem transpira ambição; Política fica exposta na luz da opinião pública e da prestação de contas; politicagem trafega na escuridão da safadeza; Política é determinada, arrojada e não teme defender o que acredita; politicagem fica na moita, em cima do muro e sentindo o rumo do vento; Política reconhece as qualidades dos adversários, elogia publicamente e louva pelos bons serviços; politicagem deprecia, esculhamba e puxa o tapete; Política conquista, com autoridade e testemunho pessoal, o respeito dos adversários; politicagem sempre conquista o ressentimento, o ódio e o espírito de vingança; Política enterra seus militantes com choro de saudade e gratidão pelo inesquecível legado deixado; politicagem faz festa quando seus perversos partem desta para pior. Como diz a Bíblia ? partem sem deixar saudades de si?; Política garante nome honrado, paz de consciência, estabilidade familiar e admiração popular; politicagem implica em nome maldito, consciência atormentada, família arrebentada e população indignada; temos política de menos e politicagem de mais; Penso ser necessário que o Senhor da História continue exterminando muitos praticantes de politicagem e levantando uma nova geração, com novos princípios, que saiba praticar política. Quanto a mim, junto-me a você leitor, que tem envergonhado-se da politicagem, marca registrada por muito tempo em nossa terra, porém, nunca deixou de sonhar, apoiar e trabalhar com aquelas pessoas que amam a política e fazem dela um instrumento de promoção do próximo. Na opinião do Senhor Jesus Cristo, próximo é o que precisa de mim: amigo ou inimigo, aliado ou adversário. O meu próximo não é determinado pela ideologia que defende, nem pela agremiação partidária que pertence e sim pela necessidade que ele tem!
*Luiz Carlos Porto Membro da Academia Imperatrizense de Letras.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Não desperdiçar as oportunidades da crise

17/11/2008

Por Leonardo Boff

Face ao cataclismo econômico-financeiro mundial se desenham dois cenários: um de crise e outro de tragédia. Tragédia seria se toda a arquitetura econômica mundial desabasse e nos empurasse para um caos total com milhões de vítimas por violência, fome e guerra. Não seria impossível, pois o capitalismo, geralmente, supera as situações caóticas mediante a guerra. Ganha ao destruir e ganha ao reconstruir. Somente que hoje esta solução não parece viável pois uma guerra tecnológica liquidaria com a espécie humana; só cabem guerras regionais sem uso de armas de destruição em massa.
Outro cenário seria de crise. Para ela, não acaba o mundo econômico, mas este tipo de mundo, o neoliberal. O caos pode ser criativo, dando origem a outra ordem diferente e melhor. A crise teria, portanto, uma função purificadora, abrindo espaço para uma outra oportunidade de produção e de consumo.
Não precisamos recorrer ao idiograma chinês de crise para saber de sua significação como risco e oportunidade. Basta recordar o sânscrito matriz das línguas ocidentais.
Em sânscrito, crise vem de kir ou kri que significa purificar e limpar. De kri vem também crítica que é um processo pelo qual nos damos conta dos pressupostos, dos contextos, do alcance e dos limites seja do pensamento, seja de qualquer fenômeno. De kri se deriva outrossim crisol, elemento químico com o qual se limpa ouro das gangas e, por fim, acrisolar que quer dizer depurar e decantar. Então, a crise representa a oportunidade de um processo critico, de depuração do cerne: só o verdadeiro fica, o acidental cai sem sustentabilidade.
Ao redor e a partir deste cerne se constrói uma outra ordem que representa a superação da crise. Os ciclos de crise do capitalismo são notórios. Como nunca se fazem cortes estruturais que inaugurem uma nova ordem econômica mas sempre se recorre a ajustes que preservam a lógica exploradora de base, ele nunca supera propriamente a crise. Alivia seus efeitos danosos, revitaliza a produção para novamente entrar em crise e assim prolongar o recorrente ciclo de crises.
A atual crise poderia ser uma grande oportunidade para a invenção de um outro paradigma de produção e de consumo. Mais que regulações novas, fazem-se urgentes alternativas. A solução da crise econômica-financeira passa pelo encaminhamento da crise ecológica geral e do aquecimento global. Se estas variáveis não forem consideradas, as soluções económicas, dentro de pouco tempo, não terão sustentabilidade e a crise voltará com mais virulência.
As empresas nas bolsas de Londres e de Wall Street tiveram perdas de mais de um trilhão e meio de dólares, perdas do capital humano. Enquanto isso, segundo dados do Greenpeace, o capital natural tem perdas anuais da ordem de 2 a 4, trilhões de dólares, provocadas pela degradação geral dos ecossistemas, desflorestamento, desertificação e escassez de água. A primeira produziu pânico, a segunda sequer foi notada. Mas desta vez não dá para continuar com o business as usual.
O pior que nos pode acontecer é não aproveitar a oportunidade advinda da crise generalizada do tipo de economia neoliberal para projetar uma alternativa de produção que combine a preservação do capital natural com o capital humano. Há que se passar de um paradigma de produção industrial devastador para um de sustentação de toda a vida.
Esta alternativa é imprescindível, como o mostrou corajosamene François Houtart, sociólgo belga e grande amigo do Brasil, numa conferência diante da Assembleia da ONU em 30 de outubro do corrrente ano: se não buscarmos uma alternativa ao atual paradigma econômico em quinze anos 20% a 30% das espécies vivas poderão desaparecer e nos meados do século haverá cerca de 150 a 200 milhões de refugiados climáticos. Agora a crise em vez de oportunidade vira risco aterrador.
A crise atual nos oferece a oportunidade, talvez uma das últimas, para encontrarmos um modo de vida sustentável para os humanos e para toda a comunidade de vida. Sem isso poderemos ir ao encontro da escuridão.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

"Sentença de morte"

Publicado em: 13/11/2008 - 11:37 Folha de S.Paulo

Diesel Limpo Notícias Movimento Nossa São Paulo

O acordo judicial foi uma sentença de morte e um estímulo à impunidade. A sociedade brasileira deve cobrar explicações
Oded Grajew

EM OUTUBRO de 2002, o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) emitiu a resolução 315 determinando que, a partir de janeiro de 2009, a quantidade de enxofre no diesel baixasse de 2.000 ppm -quando vendido nas áreas não urbanas (70% do total)- e de 500 ppm -vendido nas áreas metropolitanas- para 50 ppm. Nos EUA, por exemplo, essa proporção é de 15 ppm; na Europa, de 10 ppm; e, em alguns países da América Latina, já é de 50 ppm.
O Conama determinou também que a indústria automobilística passasse a comercializar a partir da mesma data motores menos poluidores (Euro 4). A resolução se deve ao terrível impacto que as partículas de enxofre têm sobre a saúde pública, sendo responsáveis por graves doenças pulmonares e pela morte prematura (sobretudo de crianças e idosos) de cerca de 3.000 pessoas por ano na cidade de São Paulo e de 10 mil nas principais regiões metropolitanas do país.
Embora tivessem quase sete anos para se prepararem, a Petrobras e a Anfavea (representando a indústria automobilística) declararam que não irão cumprir a resolução, apesar de a Petrobras possuir imensos recursos financeiros e tecnológicos e as indústrias automobilísticas fabricarem os motores da geração Euro 4 nos seus países de origem e mesmo no Brasil (só que apenas para exportação).
Ao assumir o Ministério do Meio Ambiente, Carlos Minc disse publicamente que seria inadmissível o descumprimento da resolução. Pouco a pouco, atemorizando-se diante das pressões econômicas e políticas, mudou de atitude e, em vez de continuar exigindo o cumprimento, enviou o caso para o Ministério Público.
A promotora Ana Cristina Bandeira Lins, encarregada de conduzir o processo, adotou inicialmente, em declarações e entrevistas, uma atitude firme pelo cumprimento integral da resolução. Pouco a pouco se recolheu, passou a não atender a mídia, afastou qualquer contato com a sociedade civil, negociando basicamente com Petrobras, Anfavea e Minc.
Diante da mobilização e pressão de várias organizações sociais que tentavam evitar um péssimo acordo, o ministro Carlos Minc se comprometeu a promover uma audiência pública com a sociedade civil antes da assinatura de qualquer acordo judicial. Mas não cumpriu sua promessa.
A promotora Ana Cristina aceitou praticamente todas as propostas da Petrobras e da Anfavea (por exemplo, só em 2014 o diesel 2.000 ppm será substituído totalmente pelo diesel 500 ppm -o mesmo que hoje já circula nas regiões metropolitanas) e impôs compensações pífias (doação de um laboratório e campanha educativa para regulagem de motores).
Todos os leitores deste artigo e suas famílias, especialmente se estiverem morando em algum centro urbano, terão a saúde afetada por essa decisão. Desse episódio, ficam uma pergunta e algumas conclusões.
1) Quem pagará pelas graves doenças pulmonares e pelas mortes resultantes do descumprimento da resolução 315 do Conama? A Faculdade de Medicina da USP estima em U$ 400 milhões por ano o custo para o SUS apenas na cidade de São Paulo.
2) Descumprir a legislação ainda compensa no Brasil para quem tem poder político e econômico.
3) A promotora Ana Cristina B. Lins, ao aceitar acordo tão lesivo à saúde pública, ao cobrar um preço baixíssimo pelo desrespeito à legislação, ao recusar qualquer diálogo com a sociedade civil, arranhou a imagem do Ministério Público, instituição tão importante para a democracia e a defesa dos direitos humanos no Brasil.
4) Há ainda empresas que confundem responsabilidade social com marketing, com patrocínios e ações filantrópicas, e não entendem que a ética deve se estender a todas as atividades produtivas e, de forma igual, a todos os países em que atuam.
5) O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, não deveria aceitar passivamente pagar a conta em doenças, vidas e recursos, mas exigir o cumprimento integral da resolução.
6) O ministro Minc, por descumprir a palavra e por se mostrar tão vulnerável a pressões econômicas e políticas, perde importante patrimônio para um servidor público: a credibilidade, a confiança e o respeito da sociedade. Não se confundem ações pirotécnicas e performances midiáticas com real compromisso com o meio ambiente, a saúde pública e a ética.
O acordo judicial foi, na realidade, uma sentença de morte para milhares de brasileiros e um estímulo à impunidade. A sociedade brasileira deve cobrar explicações e responsabilidade de quem patrocinou, participou, assinou e compactuou com essa lamentável decisão.
ODED GRAJEW , 64, empresário, é um dos integrantes do Movimento Nossa São Paulo e presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. É idealizador do Fórum Social Mundial e idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq. Foi assessor especial do presidente da República (2003).
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

Abaixo-assinado pela criação do Parque da Restinga de Maricá

domingo, 9 de novembro de 2008

Morar perto de parques 'melhora saúde' de ricos e pobres

Morar perto de parques ou outras áreas verdes ajuda a melhorar a saúde das pessoas, independentemente da classe social, sugere um estudo publicado na revista acadêmica "The Lancet".

Cientistas da Universidade de Glasgow analisaram os certificados de óbito de 366.348 pessoas na Inglaterra entre 2001 e 2005 para verificar a ligação entre diferentes causas de morte e acesso a áreas verdes.

Eles descobriram que em regiões onde há mais áreas verdes, a diferença entre ricos e pobres em relação às condições de saúde caía quase pela metade.

Os pesquisadores chegaram à conclusão de que usar parques e áreas verdes para caminhadas e outras atividades ajuda a combater a pressão alta e reduz os efeitos danosos do estresse.

"Nem todo mundo tem o mesmo acesso a áreas verdes, mas quando as pessoas têm acesso, elas tendem a usá-las, independentemente da classe social a que pertencem (e) isso tem um impacto direto na sua saúde", disse o pesquisador Richard Mitchell.

Mitchell afirmou que medidas para reduzir a desigualdade entre ricos e pobres ainda são necessárias, mas que o governo deveria levar a pesquisa em consideração ao planejar áreas urbanas. (Fonte: G1)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O fim das sacolas plásticas

Foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) de quinta-feira a Lei n 4.218/08, que determina a substituição, em até três anos, do uso de sacolas plásticas no comércio por opções com maior vida útil, as sacolas de tecido, ou por embalagens de plástico biodegradável, que demora 18 meses para se decompor. Os órgãos e entidades públicas também terão de trocar os sacos de lixo por opções que agridam menos o meio ambiente - CB, 17/10, Cidades, p.29.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Diadema planeja comercializar área verde

Elaine Granconato
Do Diário do Grande ABC
Com escassez de vegetação na cidade, a Prefeitura de Diadema quer vender uma das poucas áreas verdes existentes. Projeto de lei do Executivo pede autorização para alienação de terreno municipal de cerca de 12 mil m², entre a Avenida Alda com a Rua Coimbra, no Parque Sete de Setembro, próximo à região central. Adiada por duas sessões na Câmara a pedido da oposição, a matéria que entra em pauta para votação na próxima quinta-feira, porém, já causa polêmica até mesmo entre os vereadores da situação.
"Quero esclarecimento por parte do Executivo da razão da venda, afinal temos muito poucas áreas verdes na cidade", afirmou Manoel Eduardo Marinho, o Maninho (PT), líder da bancada petista na Câmara. O valor do terreno para venda é de R$ 3,05 milhões, de acordo com cálculo feito pela Comissão de Avaliação de Imóveis de Diadema.
Sem utilidade - Na justificativa para venda da área localizada na Rua Coimbra, 812, que consta no projeto de lei, o prefeito de Diadema, José de Filippi Júnior (PT), explica que o "local não tem nenhuma utilidade pública, sendo que sua conservação é dispendiosa aos cofres públicos", referindo-se aos gastos com relação a sua estrutura e à intensa fiscalização para que a área não seja ocupada por terceiros.
Ainda de acordo com o chefe do Executivo, a área em questão foi desapropriada para uso do setor de Saúde Mental do município, o que não ocorreu até hoje. No ofício encaminhado à Casa, existe a informação de que o "Conselho Municipal de Saúde já se manifestou a favor da venda do terreno".
Maninho disse que terá entre amanhã e quarta-feira uma reunião com o secretário de Saúde, Osvaldo Misso, e os vereadores da bancada do PT. "O recurso da venda é pra quem, pra que e por quê", questionou o petista. Ele ainda disse: "Nós, vereadores, não estamos ainda convencidos da venda da área verde, a não ser que seja para construção de um equipamento popular."
A mesma opinião tem o oposicionista Lauro Michels (PSDB), que pediu pelo adiamento da votação do projeto por duas sessões. "Sou contra a venda e desconheço a finalidade. Diadema possui poucas áreas verdes para dar qualidade de vida à população", disse.
Detalhe: a justificativa do projeto do Executivo traz o pedido para venda em regime de "urgência especial".
Governo admite que local é de preservação
Apesar do interesse de venda do terreno por meio de licitação, a Prefeitura de Diadema reconhece que a área está classificada no Plano Diretor como de preservação ambiental 3 (AP-3). A taxa de ocupação não poderá ultrapassar a 30% do terreno, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura.
No entanto, questionada sobre o tipo de empreendimento para o local, a administração respondeu que pode "atender ao uso residencial, comercial ou industrial, desde que respeitadas as normas de preservação ambiental".
O vereador oposicionista
José Dourado (PSDB) prevê polêmica pela frente. "Essa área foi comprada para uso da Saúde Mental e até hoje não se investiu nada. Esperamos que o bom senso prevaleça por parte do governo e o pedido seja retirado da pauta", afirmou. O tucano disse ainda que o valor pedido para venda, inclusive, é "baixo", por conta da localização da área.
Alheios à venda ou qualquer outra manifestação política, Irani e Henrique Felisberto vivem há cerca de 12 anos ali, junto dos três filhos - dois deles praticamente nasceram no local.
Guarda civil patrimonial há 15 anos, Felisberto, 36 anos, tomava conta da área no passado. Hoje, mora em uma casa construída em parte do terreno e tem a função de caseiro. "Eu nem sabia que a Prefeitura quer vender aqui", disse Irani, 40 anos, com ar de preocupação. A Prefeitura informou que, em caso de venda, a situação da família "será analisada".

Peixes desaparecem da Billings

Flotação faz peixes desaparecerem da Billings
Adriana Ferraz
Do Diário do Grande ABC
O rendimento obtido com a pesca na Represa Billings caiu 80% na região do braço do Bororé, divisa da Capital com São Bernardo. Para os pescadores artesanais da área, o motivo tem nome: flotação. O sistema de tratamento usado no Rio Pinheiros para despejar ‘água limpa'' no manancial - após injeção de produtos químicos e oxigênio responsáveis por fazer a sujeira boiar - estaria espantando os peixes. A queda na atividade coincide com o início do bombeamento constante, em meados de abril.
A denúncia é justificada com as alterações observadas no ecossistema durante o período. Os pescadores contam (e mostram) que as redes voltam carregadas de uma espécie de lodo verde, incomum na região. "Já tem pouco peixe na água e o que tem foge porque consegue enxergar a rede. Estamos enfrentando uma situação muito complicada depois que esses testes começaram. Antes, conseguia pescar 80 quilos por dia, agora não passa de dez. Não dá para viver desse jeito", diz o presidente da Apar Billings (Associação dos Pescadores Artesanais da Represa Billings), Evaldo Bizarrias, 43 anos.
A surpresa maior é que a água está limpa, mesmo perto da margem. Os pescadores dizem que, em alguns pontos, a represa chega a ficar transparente. "Mas isso, por incrível que pareça, não está sendo bom. Parece que tudo está desequilibrado por aqui. Passo até 18 horas no barco tentando pescar, mas meu lucro não chega a 20% do que conseguia antes", conta Roberto Marcolino da Silva, 42.
Para piorar o quadro relatado, a comunidade do Bororé tem ainda de enfrentar uma proliferação de mosquitos. É possível notar o problema nas ruas e calçadas, repletas de insetos mortos. Os pescadores dizem que isso é a conseqüência da ausência do predador. Os peixes se alimentam das larvas desses insetos, se não há peixe, eles invadem as casas.
Até agora, porém, as denúncias não surtiram resultado. A associação, que reúne 147 pescadores, já encaminhou ofício aos órgãos ambientais da Capital e do Estado, mas até agora nenhuma equipe técnica foi destacada para estudar os impactos da flotação na área. "A gente vendia peixe até para a Ceasa (Central de Abastecimento) de São Paulo. Foi um tombo para todos nós. Alguém precisa estudar essa água", pede Bizarrias.
Pescadores fazem bico para sobreviver
Com o sumiço dos peixes na Represa Billings, os barcos ganharam nova função, pelo menos para o experiente João de Lima, 64 anos. Em busca do dinheiro perdido com a flotação, o pescador aposta no turismo. "Agora, levo os curiosos para verem as obras do Rodoanel. Tem uma ponte sendo construída aqui perto e um monte de gente pede para ver o trabalho aos finais de semana", diz.
Ainda desajeitado no posto de ‘guia'', Lima não sabe quanto cobrar. "Tenho que calcular a quantidade de gasolina que gasto. É o jeito que encontrei para sobreviver. Sou pescador há 18 anos e ainda me lembro da época em que os peixes pulavam na balsa. Era muita abundância, diferente de hoje", conta.
Quem ainda não desistiu de tirar o sustento da represa trabalha para agregar valor à quantidade pescada. É o caso do presidente da associação local. Evaldo Bizarrias não consegue mais vender o pescado puro. Precisa cortar, embalar e congelar. "Depois que saio da água, passo o dia todo fazendo esse trabalho e ainda assim não consigo tirar o rendimento que tinha antes. Eu me viro, mas tem gente que já procura emprego de servente de construção", afirma.
Algumas peixarias da Colônia Bororé também fecharam com a queda registrada na pesca. Mas apesar das dificuldades, a comunidade acredita que o desequilíbrio notado na região possa retroceder. A Apar Billings (Associação dos Pescadores Amadores da Represa Billings) defende a execução de um projeto de repovoamento do manancial, desde que trabalhado com ações de conscientização de ‘pescadores de varinha''.
"Eles não respeitam os peixes novos, que não podem ser tirados da água antes da hora para que, assim, consigam procriar. Para repovoar o reservatório, precisamos de pesquisa e organização. O equilíbrio tem de ser trabalhado de todos os lados", completa Bizarrias.
Responsabilidade - Especialistas em recursos hídricos são unânimes em afirmar que as denúncias dos pescadores devem, ao menos, ser apuradas. O coordenador do departamento da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), Ivanildo Hespanhol, acredita que os testes de flotação podem interferir no equilíbrio do meio ambiente local.
"Não sei se podemos fazer uma associação direta, mas a possibilidade deve ser levada em consideração. O processo de flotação utiliza produtos químicos muito fortes, como sulfato de cobre, que fica no lodo. Pode ser que essa matéria assimile muito oxigênio e aí o peixe vai embora", explica.
O professor do departamento de Química do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana) Geraldo Fontana diz que é preciso organizar um estudo de campo na área. "Os órgãos públicos devem tomar providências para saber se o problema é a flotação ou mesmo a quantidade exagerada de esgoto na água."
Governo do Estado não apresenta solução a pescadores
O governo do Estado não apresentou soluções para os problemas relatados pela associação de pescadores. A Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) - responsável pela realização dos testes de flotação do Rio Pinheiros e do bombeamento para a Represa Billings - sequer respondeu aos questionamentos feitos pelo Diário. A empresa foi procurada durante três dias e nenhum técnico foi destacado para conceder entrevista.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente também não escalou equipe para visitar o local e fazer estudo detalhado da situação encontrada atualmente no braço do Bororé. A Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), porém, afirmou que, até dezembro de 2007, os dados de qualidade avaliados não apresentavam alteração na água em função dos testes.
Em nota, a companhia afirmou que o processo tem tido sucesso em remover cargas orgânicas do rio, além de fósforo total, melhorando a turbidez e aumentando o oxigênio dissolvido no volume despejado na represa. As análises são válidas até janeiro deste ano. De lá pra cá, os resultados não foram revelados.

domingo, 2 de novembro de 2008

APC participa do 1º Encontro sobre Saúde e Sustentabilidade

O evento realizado na Universidade de São Caetano do Sul teve como foco o direito de se viver em cidades saudáveis e sustentáveis.
A APC agradece a Reitoria da USCS e em especial a Professora Marta Marcondes.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008


“A natureza é grande nas grandes coisas, mas é grandiosa nas pequenas.” Bernardin de Saint Pierre

Filhotes de Beija-flor - Foto APC Parque Central

Os pássaros estão sumindo

Os pássaros estão sumindo
O poeta hoje diria assim...
Minha terra já não tem palmeiras, jamais sabiá.
Antigamente os passarinhos tinham apenas dois inimigos: o gavião e o estilingue. Por mais que o gavião exagerasse na gula, por mais que os garotos aprimorassem a pontaria no estilingue, não davam conta de acabar com os sabiás, os gaturamos, os azulões, os coleirinhos, as rolinhas.
Hoje nas cidades, até os pardais estão desaparecendo. Nos próprios bosques, rareiam os gorjeios. E na roça o mato já quase não existe: o fogo queimou, a foice ceifou, o machado tombou, a motosserra matou. Estão no fim as florestas naturais e os fazendeiros e sitiantes parecem não gostar muito de plantar árvores frutíferas. Sem árvores, os pássaros perdem o seu habitat. E se voam à procura de alimentos nas plantações, morrem intoxicados. A química é tanta... nem lagartas sobram para passarinhos comer. Dizem: a minhoca não existe mais como antes. Nem aqueles bichinhos que as juritis catavam no chão.
Dessa forma a primavera fica mais triste. O verde teima em voltar, porem, cada vez mais tímido. As flores ainda se abrem, todavia com medo de serem agredidas pelo chamado progresso. As próprias andorinhas que enfeitavam as praças sentem-se intrusas. Elas e os pombos vão passando a ser visto como algo que incomoda. Na cidade e nos campos a primavera não tem o viço de outrora.
A gente chega a ficar com pena das crianças que estão chegando agora a este mundo.Vão encontrar um cenário sem graça. Um mundo feito de asfalto, fumaça e gigantescos edifícios. Com poucas flores, poucas cores e ausente a poesia... e passarinho em gaiola que nasceu para voar, cantar solto, curtir a liberdade plena.
Até os pardais estão sumindo. Encharcados de gás carbônico, deixam as cidades, eles que, embora feios e sem o dom do canto, ainda animavam um pouco o burburinho das ruas.
Gonçalves Dias haveria de ficar decepcionado se descobrisse que na sua terra as palmeiras estão morrendo e os sabiás estão silenciando. E as borboletas azuis do Casimiro de Abreu? Será que ainda existem borboletas? E ainda mais... azuis? Nem o céu é mais azul: ficou cinzento, poluído, triste.
Sem árvores, sem pássaros, sem borboletas, a vida é aborrecida, a primavera perde muito do seu charme. Como dizia o bom Drummond: os corações estão secos.
Há alguns anos um caçador chegara feliz em casa: matara um nhambu na capoeira do sítio dele. era o último nhambu da última capoeira. E ele estava feliz...
Mas ainda é tempo de salvar este planeta. Pelo menos para as crianças que estão chegando agora ao mundo saibam o que é uma árvore, o que é uma flor, o que é uma borboleta, o que é um passarinho.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

UMA RIQUEZA QUE SE VAI


Mesmo em áreas verdes encontramos cada vez menos espécies nativas.
Embora a ciência ainda esteja descobrindo a enorme importância de se preservar espécies de plantas ameaçadas de extinção, não temos tido muito sucesso em conter a gradativa perda de biodiverdidade vegetal.
A Mata Atlântica, é um exemplo dramático desta situação. Calcula-se que muitas espécies foram extintas sem sequer terem sido catalogadas. E quando ocorre perda de espécies vegetais, o fato também sugere algum impacto na fauna. Em outras palavras, quando perdemos para sempre uma espécie vegetal, possivelmente ocorrerá perda de outra(s) espécie(s) da fauna. Isto sem contar a perda tecnológica, visto que as plantas são matéria-prima para a farmacologia.
Os números impressionantes da destruição da Mata Atlântica demonstram por fim a deficiência em políticas de conservação ambiental no país e a precariedade do sistema de fiscalização dos órgãos públicos.
Por: Marco Pozzana
Foto:APC

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Associação defende preservação do Parque Central

Escrito por Anderson Amaral - Diário Regional
quinta-feira, 16 de out de 2008 11:55
Para a Associação de Amigos do Parque Central, formada por moradores que residem no entorno do local, em Santo André, o motivo que levou a prefeitura a optar pela construção da pista de skate no Parque da Juventude foram as duas derrotas judiciais dque teve no embate travado no Ministério Público (MP).
Segundo um os integrantes da associação, José Carlos Vieira, algumas reuniões foram realizadas ao longo do ano passado entre a entidade e técnicos do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depav), mas que não se chegou a um acordo. “Não deram espaço para que argumentássemos e nos acusaram de preconceito contra o esporte”, disse.
Vieira afirmou que no local onde a prefeitura tem a intenção de realizar a obra existe uma nascente e, portanto, se enquadraria na lei de preservação ambiental. “Além de nascentes, existem espécies de aves que fazem ninhos em árvores do parque, que é uma Zona Especial de Interesse Ambiental e, portanto as ações devem ser discutidas com a população”, apontou.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Enquanto nossas florestas são destruídas, na Europa...

Matas européias crescem 360 milhões de m³ ao ano

22/10/2008

A Europa aproveita só dois terços do aumento, segundo a FAO. De acordo com o diretor da agência, quase 45% do continente está coberto por florestas.

Samantha Barthelemy

Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, afirma que as matas européias crescem em média 360 milhões de metros cúbicos por ano, mas apenas dois terços desse crescimento é explorado.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, anunciou, nesta sexta-feira, que vai sediar a primeira Semana Européia da Floresta.
O evento, que será realizado na próxima semana, em Roma, reunirá representantes de 46 países e terá como foco a importância das florestas no combate às mudanças climáticas.

Cooperação

De acordo com o diretor-geral assistente da agência, Jan Heino, quase 45% do continente europeu são cobertos por florestas. E a cooperação nos setores relacionados é essencial para aproveitar os recursos florestais oferecidos em abundância.
A FAO afirmou que o evento contribuirá também na identificação de soluções para algumas das questões mais importantes sobre florestas, como mudanças climáticas, energia e água.

Apresentação*: Mônica Villela Grayley, Rádio ONU em Nova York.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

PRECISAMOS DE MAIS ÁRVORES NAS CIDADES


Deveríamos aproveitar melhor o espaço urbano.
Está provado. Quanto mais árvores em sua cidade, melhor a qualidade de vida para a população, para os animais e para a saúde do planeta.
É lamentável ver canteiros abandonados onde deveriam estar árvores ou outras plantas. As árvores nas cidades amenizam os efeitos do calor e absorvem parte da poluição do ar. Estas plantas não só ajudam a eliminar o indesejável gás carbônico, como diminuem outras impurezas do ar que respiramos. A sujeira do ar vai se acumulando nas folhas até que venha a chuva para limpar e levar para o mar estes detritos. Além disso, é sabido que um ambiente com mais árvores ajuda a aliviar o estresse da vida urbana.
Como muitas espécies de aves e outros animais dependem das árvores, temos que procurar plantar espécies nativas pois estas evoluiram junto com a fauna local.
Podemos concluir que as árvores brasileiras são capazes de fornecer as condições ideais para a vida de nossa fauna.
postado por Marco Pozzana - Foto: Marco Pozzana

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Pensamento

Quem planta flores, planta beleza e perfumes para alguns dias. Quem planta árvores, planta sombra e frutos por anos, talvez séculos.
Mas quem planta idéias verdadeiras, planta para a eternidade.
Jesus

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Saúde e Sustentabilidade


A Associação dos Amigos do Parque Central foi convidada pela Diretoria da USCS de São Caetano do Sul para participar deste importante evento, representando a cidade de Santo André.
A nossa participação será no Sábado dia 25/10/2008 as 10:30h

Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS
R.Santo Antonio nº50 Centro São Caetano do Sul S.P

I ENCONTRO SOBRE SAÚDE E MEIO AMBIENTE:

O DIREITO ÀS CIDADES SAUDÁVEIS E SUSTENTÁVEIS
LANÇAMENTO DA AGENDA 21 DE SÃO CAETANO DO SUL

O Século XXI acena para uma série de mudanças relacionadas aos hábitos que há tanto tempo provocaram os problemas ambientais existentes. A proposta do I Encontro sobre Saúde e Meio Ambiente é trazer para a população da Região do Grande ABC, a discussão sobre as formas como a comunidade pode contribuir com essas mudanças, dentro dos princípios da Agenda 21.

Programa
Dia 23 de Outubro – quinta-feira
Horário: 19H –
Apresentação do Grupo de Dança de Salão DANCE NUTRI – alunas do curso de Nutrição da Universidade Municipal de São Caetano do Sul
Abertura Oficial do Evento
Apresentação do Hino Nacional em GUARANI - CACIQUE TUKUMBÓ DYEGUAKA-ROBSON MIGUEL

· PROJETO OBSERVANDO O TIETÊ - SOS MATA ATLÂNTICA
· Gustavo Veronesi – Geógrafo – Educação Ambiental
· GRUPO BIGUÁ DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL – Universidade Municipal de São Caetano do Sul - USCS
· SUB-COMITÊ DE BACIAS HIDROGRÁFICAS BILINGS-TAMANDUATEÍ
Márcia Nascimento – Secretária Executiva - Secretaria de Estado
do Meio Ambiente – São Paulo
· ELO ARTICULADOR/FACILITADOR DA AGENDA 21 DO GRANDE ABC
· Sandro Nicodemo - Instituto iBiosfera
· Representante da DIRETORIA DO MEIO AMBIENTE DE SÃO CAETANO DO SUL
· Representante da DIRETORIA DA SAÚDE DE SÃO CAETANO DO SUL
· REITORIA DA UNIVERSIDADE MUNICIPAL DE SÃO CAETANO DO SUL - USCS
· DIRETORA DA SAÚDE DA UNIVERSIDADE MUNICIPAL DE SÃO CAETANO DO SUL- USCS
· EME “ALCINA DANTAS FEIJÃO” - Profa.Maria Teresinha Dario Fiorotti – Diretora

24/10/2008 – Sexta-feira
19h - Mesa Redonda:
Temática: Recursos ambientais ÁGUA, AR E SOLO e os prejuízos de poluentes a interface com a saúde da população das cidades
Palestrantes:
Renato A. Tagnin. Professor e pesquisador do Centro Universitário Senac e consultor em gestão de recursos hidricos e planejamento ambiental.
John Emílio Garcia Tatton. Biólogo – Coordenador de Educação e Desenvolvimento Ambiental Superintendência de Gestão Ambiental – SABESP
Heleni de Paiva – Ambientalista - Ribeirão Pires
21h - Mesa Redonda: Resíduos Sólidos
Temática: Políticas Públicas de Resíduos Sólidos, a busca da solução para as cidades
Mediador: Antonio Siqueira - Coordenador dos cursos de Gestão do Centro Universitário Assunção – UNIFAI
Os palestrantes serão integrantes da sociedade civil, do poder público e do setor privado (Aterro Sanitário Lara), para que os três segmentos da sociedade sejam contemplados na discussão.
25/10/2008 – Sábado
Sociedade Civil Organizada e a sua atuação para a busca da melhoria da qualidade de vida nas cidades
09H – Palestra
As ONGs no Brasil e em São Paulo – Sua atuação na saúde e Ambiente
Palestrante: Cesar Pegoraro
Programa Mananciais
Instituto Socioambiental - ISA
Mesa Redonda: 10h30
Temática:
A atuação das ONGs nas áreas de Água, Solo, Ar e Resíduos Sólidos X Saúde
Breve apresentação das atividades das ONGs da região do Grande ABC.
Cada município terá o seu representante da sociedade civil organizada.
12H – Almoço
14H - Mesa Redonda
Direito dos animais
15H30 - Mesa Redonda
Direito Ambiental
Domingo: 26 de outubro de 2008
Lançamento Oficial da Agenda 21 de São Caetano do Sul
Programação Espaço Verde Chico Mendes
09h00min – Apresentação e divulgação da Agenda 21 do ABC/Lançamento
da Agenda 21 de São Caetano do Sul
09h40min - Realização da Ciranda 21
10h00min - Show com a Banda Mr. Flack
10h30min - Sorteios de Brindes ao público participante (*)
Atividades Simultaneamente:
* Oficina Ecológica (Instituto Homem & Natureza - IH&N)
* Plantio de 21 árvores no Espaço Verde Chico Mendes/
* Atividade Infanto-juvenil de Pintura com temas Ecológicos – com brindes aos melhores trabalhos/* Entrega de Gibis com temas ambientais e folder da Agenda 21 ao público do Espaço Verde Chico Mendes

Participem!!!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Estão Matando as Áreas Verdes nas Cidades


por Luiz Fernando do Valle

Em um post anterior mencionei que as cidades são organismos vivos, que sofrem de doenças, algumas crônicas, e que esse mal pode levar até a sua morte. Uma das doenças mais graves de uma cidade é a falta de áreas verdes para os seus cidadãos.
Sem áreas verdes vários problemas podem ocorrer nas cidades, como: maior probabilidade de stress para os seus moradores; aumento da violência, principalmente entre os jovens; falta de oxigenação para o ar contaminado pelo excesso de CO2 proveniente da queima de combustível fóssil; falta de condições para o desenvolvimento de espécies de animais essenciais para o equilíbrio do meio ambiente; ocorrência de temperaturas mais quentes por excesso de áreas impermeabilizadas; mudanças nos períodos e nas intensidades das chuvas; enchentes por falta de cobertura vegetal que absorva a água, entre outras tantas distorções que causam perda na qualidade de vida dos seus moradores.
O desmatamento nas periferias das cidades tem aumentado muito nos últimos anos, a ponto de reduzir drasticamente a média recomendada pela ONU, que é de doze metros quadrados por habitante, para até um terço desse índice, e em alguns casos até menos, como em alguns bairros de São Paulo.
Na capital paulista esse desmatamento influiu diretamente no seu clima. Comparações feitas por imagens de satélite comprovaram haver diferenças de até dez graus entre uma região e outra, o que causa a inversão térmica.
Por causa dela tem ocorrido o que os pesquisadores chamam de “calor antropogênico“, que é extremamente prejudicial aos habitantes. Nessas ocasiões um bairro da zona leste pode ter até dez graus a mais que na serra da Cantareira, enquanto o Morumbi (zona sudoeste) chega a ter diferenças de três graus, se comparado à mesma serra.
Mas não é só a falta de áreas verdes que causa esse desequilíbrio no clima. A verticalização radical, sem estudo e compensações adequadas, muda a ventilação da cidade. Os bairros de Copacabana, Ipanema e Leblon, no Rio de Janeiro, são bons exemplos de ocupação irracional, onde não houve preocupação com o estudo das brisas marítimas, obrigando os seus moradores a viverem num clima senegalês e usarem em excesso o ar-condicionado.
Outro fator percebido nas grandes cidades é que os bairros de maior renda têm menor perda da vegetação.
Os moradores de bairros como Morumbi, Pacaembu e Alto de Pinheiros, na zona sudoeste de São Paulo, são uma população de maior poder aquisitivo. Preservaram suas áreas verdes mesmo sendo alvo do crescimento do mercado imobiliário. Possivelmente por terem maior consciência de sua importância.
Os maiores índices de desmatamento na capital paulista foram encontrados nos distritos do Grajaú, Parelheiros e Jardim Ângela, na zona sul; Tremembé e Perus, na zona norte; e Cidade Tiradentes, Iguatemi e São Rafael, na zona leste. Todas essas regiões têm dois pontos em comum em relação a esse tema: grande número de loteamentos clandestinos e ocupação por população de baixa renda.
Essas situações enfrentadas pelas cidades maiores também ocorrem em cidades médias, causando a mesma síndrome de fadiga e cansaço para os seus moradores. O que se observa por essas experiências é que os administradores municipais desconhecem a gravidade do problema e nada fazem para entendê-lo e mudá-lo.
Todos nos assustamos com o desmatamento da floresta Amazônica, porém, um crime tão grave ocorre no bairro vizinho à nossa moradia e parece que ninguém percebe, e se percebe nada faz.
Deveríamos cobrar mais dos prefeitos para que impeçam que o pouco que sobrou no cinturão do entorno das cidades não seja eliminado por interesses políticos eleitoreiros.
As pessoas que lá moram padecem de total falta de qualidade de vida por vários fatores já conhecidos, mas preservar áreas verdes ainda existentes, ou incentivar a plantar árvores nessas regiões, seria uma maneira de resgatar um mínimo de dignidade para os seus moradores.
Não haverá cidades sustentáveis sem corrigirmos essa distorção, que tem muito a ver com a falta de educação e instrução dos seus moradores e interesse de seus governantes.